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Mistério de 23 milhões de anos no âmbar mexicano é elucidado em Chiapas, estudo da UNAM identifica a árvore ancestral e redefine a origem desta gema vegetal

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 27/02/2026 às 20:56
Mistério de 23 milhões de anos no âmbar mexicano é elucidado em Chiapas, estudo da UNAM identifica a árvore ancestral e redefine a origem desta gema vegetal
UNAM identifica a árvore do âmbar mexicano em Chiapas e revela pistas do Mioceno com sete espécimes, em estudo publicado na Paleoworld.
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Pesquisadores da Universidade Nacional Autônoma identificaram, em Chiapas, a árvore responsável pelo âmbar mexicano, desvendando um enigma que atravessa o Mioceno. O trabalho, publicado na revista Paleoworld, conecta folhas fossilizadas a resinas preservadas há mais de 23 milhões de anos.

A Universidade Nacional Autônoma (UNAM) identificou, pela primeira vez, a árvore produtora do âmbar mexicano no estado de Chiapas, no sul do México. A conclusão encerra um mistério científico que perdurava por mais de 23 milhões de anos, ao relacionar diretamente estruturas foliares preservadas à resina fossilizada.

Segundo a própria UNAM, os cientistas reconheceram características microscópicas específicas em folhas antigas que permitiram vincular os fragmentos de âmbar mexicano à espécie ancestral produtora da resina. O resultado foi divulgado em um estudo na revista científica Paleoworld, reforçando a solidez da apuração.

Para a paleobotânica Ana Lilia Hernández Damian, do laboratório especializado da UNAM, os dados também sugerem que o grupo vegetal responsável pela resina se espalhou amplamente pelas latitudes baixas da América do Norte durante o Mioceno. Essa expansão geográfica ajuda a reconstituir ambientes e rotas de dispersão de florestas antigas.

O âmbar, a única gema semipreciosa de origem totalmente vegetal conhecida, funciona como uma cápsula do tempo. Ao aprisionar folhas, flores e caules, a resina fossilizada preserva traços finos de ecossistemas extintos com um nível de detalhe raramente obtido em outros fósseis.

Descoberta em Chiapas identifica a árvore do âmbar mexicano e resolve um enigma de milhões de anos

O avanço se apoia em materiais recuperados na zona de La Quinta, também chamada de formação Simohovel, em Chiapas. Ali, os pesquisadores analisaram sete espécimes de âmbar com preservação excepcional, capazes de revelar sinais íntimos da planta e do ambiente onde a resina foi produzida.

A descoberta reafirma o caráter singular do âmbar mexicano, célebre por sua transparência excepcional e brilho característico. Por ser uma gema de origem vegetal, cada inclusão e microestrutura dentro dos fragmentos amplia a compreensão sobre florestas antigas e sobre o próprio processo de fossilização da resina.

Como a UNAM identificou a espécie ancestral por estruturas microscópicas nas folhas

A equipe chegou à identificação ao examinar características microscópicas preservadas em folhas associadas aos depósitos de resina. Com iluminação adequada, tornaram-se visíveis estruturas nas chamadas pétalas foliares, em especial folículos, que funcionaram como marcadores anatômicos.

Segundo a UNAM, três traços chamaram a atenção na análise: bases foliares com assimetria pronunciada, nervuras secundárias do tipo bruquidodromas e pontos glandulares transparentes dispersos pela lâmina. O conjunto dessas marcas oferece uma assinatura botânica comparável a material moderno.

Esses sinais permitiram traçar conexões definitivas entre as folhas fossilizadas e a espécie produtora da resina. Em paleobotânica, vincular diretamente o tecido vegetal à resina fossilizada é um passo raro e decisivo para resolver a origem de depósitos de âmbar.

De acordo com a paleobotânica Ana Lilia Hernández Damian, a presença combinada desses elementos anatômicos fortalece a hipótese de um grupo com ampla distribuição no Mioceno. O cruzamento de dados foliares com a composição e a morfologia da resina sustentou a identificação.

Publicar o achado na Paleoworld garante revisão por pares e visibilidade na literatura internacional, ampliando a confiança na metodologia e nas conclusões. Para a comunidade científica, isso cria um novo padrão comparativo para outros depósitos de resina fossilizada.

O que os sete exemplares de La Quinta revelam sobre o Mioceno e a resina fossilizada

Os sete exemplares analisados em La Quinta exibem preservação notável, contendo restos de insetos, flores delicadas e folhas com detalhes finíssimos. Esse nível de integridade permite testes robustos de identificação botânica e reconstrução paleoambiental.

Como uma cápsula do tempo, o âmbar conserva interações entre plantas e organismos, oferecendo pistas sobre a biodiversidade do Mioceno. Segundo a UNAM, esse material ajuda a rastrear como florestas de latitudes baixas da América do Norte se organizavam e evoluíam.

O estudo na Paleoworld sistematiza essas evidências e indica que o conjunto de inclusões e traços anatômicos é coerente com a árvore ancestral produtora da resina em Chiapas. A integração entre anatomia foliar e contexto geológico fortalece o quadro interpretativo.

Parentes modernos e ecologia, guapinol gibourtia e peltogina conectam passado e presente

A investigação identificou semelhanças notáveis com espécies atuais, sobretudo o guapinol, que se distribui ao longo da costa pacífica mexicana. Essas árvores compartilham características foliares com o material fossilizado e a mesma capacidade de sintetizar, armazenar e secretar resina.

Outras parentes relacionadas incluem gibourtia e peltogina, que exibem atributos funcionais e anatômicos semelhantes. O diálogo entre fósseis e flora contemporânea fortalece a hipótese sobre a linhagem produtora de resina que originou o âmbar mexicano.

Chiapas é laboratório natural raro, com poucos sítios no mundo preservando organismos em âmbar

Existem mais de 200 locais no planeta com ocorrência de resina fossilizada, mas somente 25 sítios preservam vestígios de organismos, segundo a pesquisadora da UNAM. Essa raridade transforma Chiapas em um laboratório natural privilegiado para investigar a origem do âmbar e a história de florestas extintas.

Além do valor científico, o âmbar mexicano integra a cultura local desde períodos pré-hispânicos, quando era trabalhado em joias e movimentava rotas de comércio. Hoje, mantém o fascínio entre joalheiros e oferece aos paleontólogos uma janela singular para ecossistemas que desapareceram há milhões de anos.

E você, o que pensa sobre os impactos dessa identificação na exploração comercial e na conservação das áreas de Chiapas onde o âmbar é encontrado? A descoberta deve orientar novas regras de manejo e pesquisa, priorizando proteção de sítios com alto valor científico? Deixe seu comentário e participe do debate com argumentos e referências, enriquecendo a conversa sobre ciência, patrimônio e desenvolvimento regional.

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Geovane Souza

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