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Mini celular, aparelhos eletrônicos, mensagens no WhatsApp e chiado no meio da prova revelam tentativa de fraude no concurso da Polícia Civil no Nordeste

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 02/01/2026 às 09:05
Mini celular, aparelhos eletrônicos, mensagens no WhatsApp e chiado no meio da prova revelam tentativa de fraude no concurso da Polícia Civil no Nordeste
Quatro pessoas de Juazeiro do Norte foram presas em Fortaleza por suspeita de fraude em concurso da Polícia Civil, com mini celular, ponto eletrônico e transmissor.
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Pessoas foram presas em Fortaleza por suspeita de fraude em concurso da Polícia Civil, com mini celular, ponto eletrônico e outros aparelhos eletrônicos

Um “chiado” no meio da prova, um lacre violado e mensagens no WhatsApp: foi assim que a história começou. Não foi denúncia anônima nem “sorte do acaso”. A tentativa de fraude no concurso da polícia civil do Ceará apareceu em detalhes bem concretos: comportamento estranho, barulho de interferência, equipamento escondido e celular ligado onde não podia.

Quando a polícia juntou as peças, quatro pessoas acabaram presas em Fortaleza — e os aparelhos eletrônicos apreendidos ajudaram a revelar a ligação entre elas.

O que foi encontrado com o grupo

A investigação apontou uso de ponto eletrônicotransmissor e até mini celular, além de celulares e chips, tudo para tentar receber informações durante a prova. 

E um detalhe importante: os quatro envolvidos são de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense.

1) Primeiro preso: Jaime, o lacre rompido e o WhatsApp aberto

O primeiro capturado foi Jaime de Mendonça e Silva Neto. Ele fazia a prova na Universidade Estadual do Ceará (Uece), no bairro Itaperi.

Segundo as informações do caso, ele foi detido com um ponto eletrônico no ouvido. Também estava com dois celulares — um deles em versão “mini celular” — e ambos estavam ligados, com o WhatsApp aberto, sugerindo conversa com outra pessoa durante a prova.

Outro ponto que chamou atenção: Jaime rompeu o lacre do saco plástico onde os candidatos deveriam guardar os objetos pessoais durante o exame. 

2) Raphaely: ponto eletrônico no ouvido e transmissor

Logo depois, foi presa a enfermeira Raphaely Leandro da Fonseca. Ela fazia prova no anexo do Instituto Federal de Educação (IFCE), no bairro Benfica, quando a polícia foi acionada para averiguar a conduta dela.

Com Raphaely, foram encontrados um ponto eletrônico (no ouvido) e um transmissor. Ao ser questionada se conhecia Jaime, ela preferiu ficar em silêncio.

Enfermeira foi flagrada com ponto eletrônico no ouvido durante realização da prova da Polícia Civil do Ceará. — Foto: Reprodução G1

3) Cícero: o “chiado” que entregou o ponto eletrônico

O advogado Cícero Leandro dos Santos Belém foi descoberto de um jeito bem direto: um fiscal passou perto e ouviu um barulho parecido com chiado enquanto ele fazia a prova na Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus do Pici.

A polícia foi acionada e conseguiu capturar Cícero ainda dentro do campus. Na abordagem, ele tentou descartar num lixo um papel com um número de telefone anotado. Depois, a polícia identificou que o número era do médico Robson Leite Sampaio

E tem mais: Robson chegou a ligar para Cícero quando o advogado já estava preso. 

4) Robson: suspeita como “agente externo” e carro rodando perto dos locais de prova

Com o avanço das apurações, a polícia recebeu a informação de que o médico Robson Leite Sampaio, marido de Raphaely, também estaria envolvido.

A equipe identificou que Robson estava em uma caminhonete trafegando pelas imediações dos locais de prova. Em versões divulgadas sobre o caso, ele apareceu como alguém que não estava fazendo a prova, mas que poderia atuar como suporte externo do grupo. 

Em depoimento, Robson negou participação na fraude, mas disse que a esposa dele conhecia a esposa de Jaime. Mesmo assim, a polícia apontou ligação entre os investigados e solicitou à Justiça a quebra de sigilo dos aparelhos telefônicospara aprofundar as investigações.

Audiência de custódia: liberdade com fiança e medidas cautelares

Os quatro suspeitos passaram por audiência de custódia na segunda-feira (4). O Juízo da Vara de Custódia da Comarca de Fortaleza concedeu liberdade mediante pagamento de fiança.

Além disso, eles ficaram obrigados a:

  • não se ausentar da comarca onde residem por mais de oito dias sem informar onde podem ser encontrados;
  • comunicar eventual mudança de endereço;
  • comparecer a todos os atos processuais quando intimados.

O que dizem os suspeitos sobre mini celular, aparelhos eletrônicos, mensagens no WhatsApp

O g1 tentou contato com a defesa de Jaime de Mendonça e Cícero Leandro, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem.

A defesa de Robson e Raphaely divulgou a nota abaixo (mantida integralmente):

“Em resposta às notícias veiculadas acerca dos eventos ocorridos durante o concurso da Polícia Civil do Ceará no último domingo, 03 de agosto, a defesa do médico Dr. Robson Leite Sampaio e de sua esposa, a enfermeira Raphaely Leandro da Fonseca, vem a público esclarecer que a versão dos fatos apresentada até o momento é preliminar, incompleta e não reflete a realidade do que ocorreu. Dr. Robson Sampaio e a Sra. Raphaely da Fonseca são profissionais respeitados em suas comunidades, pais de dois filhos pequenos, e jamais tiveram qualquer envolvimento em atividades ilícitas. As acusações que pesam contra eles são baseadas em interpretações equivocadas e em uma frágil teia de circunstâncias que a defesa demonstrará serem infundadas. É fundamental ressaltar que, em audiência de custódia realizada em 04 de agosto, o Poder Judiciário, após analisar os elementos iniciais da investigação, determinou a imediata liberação de ambos, reconhecendo que não há fundamentos que justifiquem a manutenção de suas prisões. Esta decisão judicial reforça a necessidade de cautela e serenidade na avaliação do caso. A defesa confia plenamente na Justiça e reitera que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no foro apropriado, que é o processo judicial. Durante a instrução criminal, quando a defesa terá a oportunidade de apresentar provas e contestações, a verdade virá à tona e a inocência de Dr. Robson Sampaio e da Sra. Raphaely da Fonseca será comprovada. Até lá, apelamos para que a presunção de inocência, um pilar fundamental do nosso Estado de Direito, seja integralmente respeitada”.

Fraude em concurso no Brasil: celular e outros aparelhos eletrônicos seguem no radar

Esse tipo de tentativa não é novidade e continua sendo foco de operações. Em 8 de dezembro de 2025, por exemplo, a própria Polícia Civil do Ceará (PCCE) divulgou a prisão em flagrante de seis pessoas suspeitas de fraudar concurso em Tauá, com apreensão de ponto eletrônico, anotações, smartwatches e celulares.

A SSPDS também reforça canais oficiais para denúncias, como o 181 (Disque-Denúncia) e um número de WhatsApp para envio de informações. 

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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