Com Minas Gerais à frente na produção de fertilizantes, o Brasil pode reduzir drasticamente sua dependência de 85% de insumos estrangeiros
O agronegócio brasileiro, peça fundamental da economia nacional, enfrenta um desafio crítico: a dependência de fertilizantes importados, que hoje somam 85% de tudo o que é utilizado no setor. Essa vulnerabilidade à oscilação do mercado internacional de insumos tem despertado a necessidade de buscar alternativas para garantir a autonomia do país. Nesse cenário, Minas Gerais se destaca.
Nesse cenário, Minas Gerais surge como um estado com potencial de liderar uma revolução no setor, conforme destacado pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), Bernardo Silva.
Minas Gerais: Um pilar na produção de fertilizantes

Minas Gerais já é reconhecida como a principal produtora de fertilizantes do Brasil e da América Latina. Segundo Silva, o estado não só possui o maior parque industrial de fertilizantes do país, como também atrai investimentos e tecnologias necessárias para impulsionar o setor.
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Além disso, abriga as maiores reservas de fosfato e também possui uma produção significativa de potássio, ambos insumos essenciais para a fabricação de fertilizantes.
O Estado também já está investindo em novos projetos, como a produção de nitrogenados, o que reforça seu papel de liderança nesse mercado. Contudo, para que Minas Gerais realmente consolide essa posição, é necessário que o estado assuma um papel protagonista nas discussões políticas ao nível federal, algo que, segundo Caio Coimbra, subsecretário de Política Econômica e Agrícola da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, já está em andamento.
Agronegócio: Plano nacional de fertilizantes e as metas para 2050
O governo brasileiro traçou metas ambiciosas com o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que visa reduzir a dependência de fertilizantes importados para 50% até 2050.
Apesar de ousada, a meta é vista como possível por especialistas do setor, incluindo o próprio presidente do Sinprifert. Para atingir esse objetivo, Silva ressalta que é necessário “atitude, foco e senso de urgência”.
Minas Gerais, alinhada com as metas do PNF, já tem tomado medidas concretas. Um exemplo é a atração do Grupo EuroChem, um dos maiores players globais no setor de fertilizantes, para a construção de um Complexo Mineroindustrial em Serra do Salitre, na região do Alto Paranaíba.
Essa unidade é projetada para ser integrada, abrangendo desde a extração da rocha fosfática até a distribuição dos fertilizantes, e atenderá a 15% da demanda nacional. O projeto envolve investimentos de mais de US$ 1 bilhão e conta com reservas minerais estimadas em 350 milhões de toneladas.
Iniciativas para fortalecer a produção local
Além dos investimentos em indústrias, Minas Gerais também busca fortalecer suas capacidades produtivas por meio de parcerias estratégicas.
Um exemplo é a missão internacional ao International Fertilizer Development Center (IFDC), com o objetivo de consolidar parcerias para otimizar o consumo de fertilizantes na agricultura local. Entre as iniciativas, destaca-se a capacitação de mão de obra qualificada, algo essencial para o futuro do setor.
Outra ação relevante é a parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) para a criação do Hub MG de Fertilizantes, vinculado ao Centro de Excelência de Fertilizantes e Nutrição de Plantas. Este hub será dedicado à pesquisa e inovação, focado especialmente em fertilizantes à base de fosfato, essenciais para a produtividade agrícola no estado e no país.
Colaboração Internacional e Inovação
A parceria com a Harsco Environmental, empresa multinacional americana, também é um exemplo de como Minas Gerais está buscando inovação no setor. A Harsco doou 10 mil toneladas anuais de fertilizantes à base de agrosilício para a administração do governador Romeu Zema, como parte de um esforço para melhorar a correção de solo no estado.
O agrosilício se destaca por ser três vezes mais eficiente que o calcário na correção de solo e por conter 10% de silício, um elemento benéfico para o crescimento saudável das plantações.
Esse tipo de inovação traz impactos positivos não só para a produção agrícola, mas também para a sustentabilidade do agronegócio, já que reduz a necessidade de defensivos agrícolas para o combate de pragas e doenças, fortalecendo as plantas de forma natural.
Rumo à Independência
Com tantas iniciativas em andamento, Minas Gerais está pavimentando o caminho para que o Brasil alcance a tão sonhada independência em fertilizantes.
O estado, que já é um dos maiores produtores de insumos do país, tem mostrado que, com foco, investimento e colaboração internacional, é possível transformar a realidade do setor e reduzir a dependência do mercado externo.
A longo prazo, essas ações não apenas beneficiarão a economia local, mas também fortalecerão o agronegócio nacional como um todo, garantindo mais segurança e estabilidade para o futuro da agricultura no Brasil.

