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Milhões em segurança não bastaram: uma fragata de guerra da Holanda foi rastreada por horas com um simples dispositivo Bluetooth enviado por correio militar

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 22/04/2026 às 12:08 Atualizado em 22/04/2026 às 12:13
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Uma embarcação militar cercada por sensores, protocolos e defesa pesada acabou exposta por um objeto doméstico de poucos euros que entrou pelo correio militar e revelou uma brecha simples com efeito estratégico

Proteger um navio de guerra custa caro e envolve uma rede pesada de vigilância, protocolos e controle. Ainda assim, uma fragata da Marinha dos Países Baixos teve a rota acompanhada em tempo real com um rastreador Bluetooth de baixo custo enviado por correio militar.

O caso envolve a Evertsen, embarcação integrada ao grupo do porta aviões francês Charles de Gaulle. O episódio expôs uma falha simples, mas delicada, em um momento em que a fragata atuava numa missão sensível no Mediterrâneo.

Uma fragata protegida por milhões

A embarcação fazia parte de uma operação militar relevante e ajudava a proteger o porta aviões contra ameaças aéreas e ataques com mísseis. Nesse cenário, a localização do navio se torna um dado estratégico.

O problema ganhou peso porque a exposição não veio de um ataque sofisticado. O rastreamento aconteceu com um objeto comum, barato e discreto, capaz de atravessar um canal logístico militar sem chamar atenção.

La fragata neerlandesa Zr.Ms. Evertsen navega integrada en el grupo de combate del portaaviones Charles de Gaulle durante una misión en el Mediterráneo.

A entrada aconteceu por uma postal

O dispositivo foi colocado dentro de uma postal enviada pelo serviço de correio militar. A movimentação não dependeu de uma invasão digital nem de uma operação complexa.

A falha apareceu num ponto básico da rotina. Pacotes passavam por inspeção com raio X, mas envelopes não recebiam o mesmo controle, o que abriu espaço para o rastreador seguir viagem até a embarcação.

Rota passou pela Holanda, Eindhoven e Creta

Depois de entrar no fluxo postal, o rastreador deixou de ser apenas um teste e virou um acompanhamento real. O trajeto identificado passou por Den Helder, pelo aeroporto de Eindhoven e chegou ao porto de Heraclión, em Creta.

Segundo Omroep Gelderland, canal regional de notícias dos Países Baixos, a trilha também foi confirmada por imagens de câmera no porto, com a Evertsen atracada no cais. A partir daí, o monitoramento avançou para o mar.

Sinal seguiu no mar por 24 horas

No dia 27 de março, a fragata deixou o porto e continuou emitindo posição por cerca de 24 horas. Primeiro, contornou a costa de Creta. Depois, avançou para leste.

O sinal só desapareceu nas proximidades de Chipre. Esse detalhe elevou a gravidade do episódio, porque mostrou que o rastreamento continuou mesmo com o navio já integrado ao deslocamento operacional no mar.

Ministério mudou regra após o caso

Un rastreador Bluetooth de bajo costo oculto en un sobre de correo militar ilustra la vulnerabilidad que permitió seguir durante horas a la fragata neerlandesa Evertsen en plena misión naval.

Depois da divulgação do episódio, o Ministério da Defesa dos Países Baixos anunciou mudanças nas diretrizes do correio militar. Entre elas, ficou proibido o envio de cartões de felicitação com bateria para a Evertsen.

A pasta também afirmou que o rastreador foi localizado durante a triagem das correspondências a bordo, quando a fragata já havia deixado o porto. Mesmo assim, reconheceu que o navio pôde ser acompanhado no mar, embora sem risco operacional, segundo a avaliação oficial.

Falha simples expôs um ponto sensível

O episódio mostra que uma missão cercada por tecnologia, armamento e proteção ainda pode ser afetada por uma brecha pequena e cotidiana. Não foi preciso um sistema avançado para abrir essa janela de acompanhamento.

Quando um item doméstico de baixo custo consegue seguir uma embarcação militar em atividade, o alerta vai além do caso isolado. A falha pressiona protocolos, expõe fragilidades básicas e muda a leitura estratégica.

Com informações de Xataka

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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