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Milhões de carros que chegam ao fim da vida útil estão virando aço para obras e indústria e o uso de sucatas reduzem em até 74 por cento a energia na produção

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 09/01/2026 às 19:01
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Carros em fim de vida útil são desmontados e reciclados para recuperar principalmente aço, enquanto a remoção de fluidos e baterias garante segurança e viabiliza a volta do metal ao ciclo industrial.
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Da retirada de peças ao aço novo, o destino dos veículos em fim de vida movimenta bilhões, poupa energia e exige controle rígido de resíduos perigosos

Carro velho costuma ser tratado como problema, mas, na prática, ele é uma das maiores fontes de aço reciclado do mundo. Estudos técnicos apontam que mais de 12 milhões de veículos chegam ao fim da vida útil todos os anos apenas nos Estados Unidos e que mais de 95 por cento deles entram em rotas de reciclagem focadas, sobretudo, no metal, que representa cerca de 75 por cento do peso de um veículo.

Essa “mina urbana” começa em pátios de desmontagem e centros de triagem, onde cada carro passa por identificação, inspeção e separação do que ainda pode ser reaproveitado. A lógica é simples, quanto mais cedo o veículo é processado, menor o risco ambiental e maior o valor recuperado.

A etapa crítica vem antes de qualquer prensagem ou trituração, porque veículos descartados carregam fluidos e componentes perigosos. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA descreve que o primeiro passo é drenar fluidos e remover itens de risco, com uma sequência de segurança que começa pela bateria, passa por refrigerantes e combustível, e só depois inclui óleo, fluido de freio e outros líquidos.

O resultado desse fluxo industrial é relevante para a economia e para o clima. A produção de aço a partir de sucata, em instalações de produção secundária, pode usar cerca de 74 por cento menos energia do que produzir aço a partir de minério, segundo estimativa citada em análise da U.S. Energy Information Administration.

A mina urbana que começa no pátio do desmanche

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Quando um veículo chega a um centro de reciclagem ou desmonte, ele deixa de ser apenas um bem usado e vira um conjunto de materiais com valor. A própria EPA descreve que, independentemente de idade e peso, um veículo é composto por aproximadamente 75 por cento de metais, e o restante reúne pneus, fluidos e outros componentes.

Na prática, isso transforma pátios de veículos em “depósitos” de aço, alumínio e cobre, além de peças que podem ser revendidas e reduzir a demanda por itens novos. Essa etapa de reaproveitamento costuma ser o que mais chama atenção do consumidor, porque é onde motor, transmissão, módulos eletrônicos e acabamentos podem ganhar segunda vida.

O setor também é grande empregador. A Automotive Recyclers Association aponta que a indústria de reciclagem automotiva nos EUA emprega mais de 140 mil pessoas, atua em mais de 9 mil locais e gera 32 bilhões de dólares em vendas no país.

Da retirada segura de baterias e fluidos à preparação para esmagamento

Antes de prensar ou triturar qualquer carro, o objetivo é impedir que o processo espalhe contaminação. A EPA orienta que o veículo deve ser drenado de fluidos perigosos e que a remoção deve seguir uma ordem que reduz risco de incêndio e vazamentos, começando por bateria, refrigerantes e combustível.

A mesma diretriz lista, em seguida, outros líquidos que precisam sair do veículo, como anticongelante, fluido de freio, óleo do motor e fluido de transmissão. A estimativa do guia é que a quantidade total de fluidos removidos possa ficar em torno de 19 litros por veículo, o que ajuda a dimensionar o impacto quando se fala em milhões de unidades por ano.

Nesse ponto, a bateria merece um capítulo à parte. No caso das baterias chumbo ácido, amplamente usadas em carros a combustão, a EPA registra que os EUA reciclam 99 por cento delas por ano, impulsionados por regras de descarte e incentivos como o sistema de depósito reembolsável, conhecido como core charge.

Já baterias de íon lítio, comuns em híbridos e elétricos, elevam o nível de exigência em armazenamento e transporte. A agência reguladora de transporte dos EUA, a PHMSA, reforça que baterias de lítio são tratadas como material perigoso nas regras federais de transporte, com requisitos específicos para movimentação.

A própria EPA alerta que muitas baterias de íon lítio descartadas provavelmente se enquadram como resíduos perigosos por risco de incêndio ou reatividade, o que pressiona a cadeia por procedimentos e instalações adequadas.

Peças que ganham segunda vida e metais que viram aço novo

Depois da descontaminação, entra a fase de desmontagem e separação. Parte do valor vem do mercado de autopeças usadas, que reduz custos de manutenção e adia a fabricação de peças novas, enquanto outra parte vem do metal que seguirá para prensagem, trituração e separação por tipo.

Na escala industrial, a reciclagem automotiva se apoia em duas rotas principais, reutilização de componentes e recuperação de materiais. A ARA estima que aproximadamente 86 por cento do conteúdo material de um veículo é reciclado, reutilizado ou aproveitado para recuperação energética, embora a eficiência varie por tecnologia e infraestrutura.

Quando o veículo vira “sucata preparada”, o metal entra em cadeias siderúrgicas, muitas vezes via fornos elétricos a arco, que trabalham majoritariamente com sucata. A EIA descreve que, nos EUA, uma parcela relevante da produção de aço vem de fornos elétricos que usam mais de 90 por cento de sucata como insumo, reforçando o papel do carro descartado como fonte de metal pós consumo.

Por que o aço de sucata corta energia e emissões e onde ainda há desperdício

O ganho energético é um dos argumentos centrais para tratar sucata automotiva como ativo estratégico. A EIA aponta que a produção secundária de aço, baseada em sucata, pode usar cerca de 74 por cento menos energia do que a rota a partir de minério, justamente por eliminar etapas intensivas como o alto forno.

Mesmo assim, ainda existe perda relevante em materiais não metálicos. Pesquisa técnica do Argonne National Laboratory observa que, embora os metais correspondam a cerca de 75 por cento do peso do veículo e sejam amplamente recuperados, a fração restante tende a acabar em aterros ou ter reciclagem limitada, o que mantém o debate sobre como ampliar a recuperação de plásticos, espumas e misturas complexas.

Além do desafio técnico, há o desafio de governança. A cadeia só funciona bem quando há rastreabilidade, descontaminação correta e destino adequado para resíduos perigosos, o que inclui itens menos lembrados pelo público, como interruptores com mercúrio em modelos antigos e outros componentes que não deveriam ser esmagados sem remoção prévia.

Esse ponto ajuda a explicar por que desmanches irregulares e sucateamento sem controle viram problema ambiental, mesmo quando a narrativa geral é positiva. Quando fluidos e componentes perigosos escapam do processo, o custo é transferido para solo, água e saúde pública, e a conta costuma aparecer depois.

Novas regras na Europa e a disputa por sucata na transição para carros elétricos

A pressão regulatória também está aumentando. Na União Europeia, a meta de reutilização e recuperação chegou a 95 por cento em peso por veículo ao ano, com meta de reutilização e reciclagem de 85 por cento, conforme o marco de metas associado às regras de veículos em fim de vida.

Em 2025, o tema voltou ao centro das negociações com regras que buscam elevar conteúdo reciclado e padronizar exigências, incluindo metas para plásticos reciclados e espaço para metas futuras envolvendo aço e outros materiais, segundo reportagem da Reuters sobre a posição do Conselho da União Europeia.

Esse movimento ocorre enquanto a eletrificação cresce e muda o perfil do “carro reciclável”. Se o veículo elétrico aumenta a demanda por baterias e minerais críticos, ele também cria um novo risco logístico e ambiental, porque baterias exigem normas rígidas e cadeia especializada para evitar incêndios e perdas de material.

No fim, a reciclagem de carros velhos tende a ser uma das engrenagens mais importantes da economia circular, mas também uma das mais fáceis de sabotar quando falta fiscalização, infraestrutura e responsabilidade na ponta.

A reciclagem automotiva é solução climática e econômica, mas fica a pergunta incômoda, quem garante que o “carro reciclado” não passou por um desmanche clandestino ou por descarte irregular de fluidos e baterias. Você acha que a fiscalização e as regras atuais dão conta do problema, ou a indústria ainda se apoia demais na narrativa verde. Deixe seu comentário e diga de que lado você fica nessa discussão.

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Vincent
Vincent
16/01/2026 08:35

Dentro de la palabra acero existen un montón de aleaciones que están compuestos de otros metales con un valor añadido más elevado y difíciles de encontrar en la tierra.
Si miramos nuestro sistema técnico “sociedad moderna ” hemos creado una “máquina entropica” y no sabemos cómo reciclar un 60% de los metales que usamos.
Se debería enfocar más el artículo a esta realidad si queremos tomar las buenas decisiones.

Marc
Marc
12/01/2026 20:25

Desgraciadamente en la realidad prima la conveniencia económica, no siempre todooo es reciclado (muchos cementerios de chatarra) y lo q es recolectado..es desmontado… Vidrios, asientos y revestimientos.. etc… Ojalá prime el sentido ambiental

Angel
Angel
11/01/2026 10:06

Creo que no hay suficiente conciencia ambiental

Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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