A escalada do Monte Fuji durante a temporada oficial de verão atrai milhares de pessoas que enfrentam frio, filas e uma subida longa pela trilha Yoshida para assistir ao nascer do sol no topo a quase 3.800 metros, em uma jornada que exige preparo, planejamento e adaptação às novas regras da montanha.
Subir o Monte Fuji é uma das experiências mais desejadas por quem visita o Japão, mas a jornada até o topo do vulcão mais alto do país envolve muito mais do que paisagens impressionantes. A caminhada começa ainda durante o dia, passa por trilhas cheias de pedregulhos e termina de madrugada, quando milhares de pessoas tentam alcançar o ponto mais alto antes do nascer do sol.
Ao longo do percurso surgem filas, mudanças bruscas de temperatura e um esforço físico constante que exige preparo. O objetivo de muitos é chegar acima das nuvens e testemunhar o nascer do sol no Monte Fuji, uma cena considerada simbólica por visitantes que encaram horas de subida em busca desse momento.
A temporada de escalada e as novas regras da montanha

A escalada do Monte Fuji acontece apenas em um período específico do ano. Durante o verão, a montanha abre oficialmente suas trilhas para visitantes, e a trilha Yoshida é uma das mais utilizadas por quem tenta chegar ao topo pela primeira vez.
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Essa trilha ficou conhecida por ser considerada uma rota mais acessível para iniciantes, mas ainda exige várias horas de caminhada.
O trajeto começa na chamada quinta estação, ponto onde a maioria das pessoas inicia a subida. Mesmo sendo a rota mais popular, o caminho costuma ficar lotado, especialmente durante a madrugada quando muitos buscam chegar ao topo a tempo de ver o nascer do sol.
Nos últimos anos algumas regras passaram a mudar a dinâmica da escalada. Visitantes que desejam presenciar o nascer do sol no Monte Fuji precisam agora dormir em alojamentos na montanha.
A medida surgiu após problemas com turistas que tentavam subir e descer no mesmo dia, o que aumentava o fluxo nas trilhas e causava congestionamentos perigosos durante a madrugada.
A subida pela trilha Yoshida até as estações da montanha

A caminhada começa na quinta estação, localizada a mais de dois mil metros de altitude. A partir desse ponto, a trilha Yoshida segue por diferentes estações intermediárias que servem como paradas para descanso, alimentação ou pernoite.
Logo no início da trilha, muitos visitantes já percebem a mudança no ambiente. A vegetação desaparece gradualmente e o terreno passa a ser dominado por pedras soltas e pedregulhos, o que exige mais atenção durante cada passo.
Entre a sexta e a sétima estação o cansaço começa a aparecer. A altitude já passa de dois mil metros e o ar mais rarefeito pode afetar quem não está acostumado. Mesmo assim, a trilha continua movimentada, com pessoas subindo e descendo ao mesmo tempo.
Filas também se tornam comuns em alguns trechos. Em pontos mais estreitos da trilha, o fluxo diminui e grupos de visitantes acabam esperando sua vez para continuar a subida rumo ao topo do Monte Fuji.
Preparação, mochila e itens essenciais para enfrentar a subida
Quem decide encarar a escalada do Monte Fuji precisa se preparar com antecedência. A mochila costuma carregar itens básicos que fazem diferença ao longo do percurso.
Entre os objetos mais comuns estão lanternas para caminhar no escuro, roupas térmicas, capa de chuva e bastões de caminhada.
A diferença de temperatura entre a base da montanha e o topo pode ser grande, principalmente durante a madrugada quando o vento frio se intensifica.
Água e alimentos também fazem parte da preparação. Muitos visitantes levam cerca de dois litros de água e pequenas refeições para consumir ao longo da trilha. Alguns optam por comprar comida nas estações da montanha, mas os preços costumam ser mais altos devido à dificuldade de transporte até essas altitudes.
Outro detalhe importante é o pagamento em dinheiro. Em várias partes da montanha, especialmente nas estações intermediárias, os estabelecimentos aceitam apenas dinheiro em espécie.
A madrugada e a corrida silenciosa até o topo
Após horas de subida, muitos visitantes passam a noite em alojamentos localizados perto da oitava estação. O descanso costuma ser curto, pois a maioria acorda por volta das duas da manhã para iniciar a última etapa da escalada.
É nesse momento que a trilha volta a ficar cheia. Centenas de lanternas iluminam o caminho enquanto uma longa fila de pessoas avança lentamente rumo ao topo do Monte Fuji.
A última parte da subida pode levar cerca de uma hora ou mais, dependendo do fluxo na trilha. Mesmo com o cansaço acumulado, a expectativa de chegar ao ponto mais alto da montanha mantém o ritmo da caminhada.
Quando finalmente alcançam o topo, muitos visitantes encontram um cenário surpreendente. A paisagem revela um mar de nuvens abaixo da montanha enquanto o céu começa a mudar de cor com a chegada do amanhecer.
O nascer do sol acima das nuvens no Monte Fuji
O momento mais aguardado acontece poucos minutos antes das primeiras luzes do dia. Pessoas se espalham pelas bordas do topo do Monte Fuji, procurando um ponto com boa visão do horizonte.
O frio costuma ser intenso nessa altitude. Ventos fortes atravessam o topo da montanha e muitos visitantes vestem várias camadas de roupa enquanto aguardam o sol aparecer.
Quando o sol finalmente surge acima das nuvens, a multidão observa em silêncio por alguns instantes. A cena de luz dourada iluminando o céu e o mar de nuvens abaixo da montanha é considerada um dos momentos mais marcantes da escalada.
Mesmo com o frio e o cansaço acumulado, muitos descrevem esse instante como a recompensa pela longa subida.
A descida longa e o fim da jornada
Depois do amanhecer, começa a etapa final da experiência: a descida. Embora seja mais rápida que a subida, o caminho exige atenção.
A trilha de descida costuma ser formada por terra solta e pedregulhos, o que faz muitos visitantes escorregarem durante o trajeto. Bastões de caminhada ajudam a manter o equilíbrio nesse trecho.
A descida pode levar de duas a três horas até retornar à quinta estação, onde ônibus fazem o transporte de volta ao estacionamento. Mesmo sendo a última parte da jornada, esse trecho ainda exige esforço físico, principalmente para quem já passou a noite quase sem dormir.
Custos básicos da experiência na montanha
Subir o Monte Fuji envolve alguns custos básicos que fazem parte da experiência. Entre eles estão a hospedagem em alojamentos na montanha, transporte até a quinta estação e taxas de entrada na trilha.
A hospedagem com jantar e café da manhã pode custar cerca de 15.000 ienes. O transporte de ônibus até a quinta estação costuma custar aproximadamente 2.500 ienes para ida e volta. Há também uma taxa de entrada na trilha, normalmente em torno de 2.000 ienes, além de uma taxa opcional de conservação da montanha.
Com esses valores, o custo básico da experiência pode ultrapassar 21.000 ienes, sem contar gastos extras com comida, água ou lembranças adquiridas durante a subida.
Vale a pena enfrentar a subida do Monte Fuji
Apesar do esforço físico, das filas e do frio intenso no topo, muitos visitantes consideram a escalada do Monte Fuji uma experiência única. A combinação entre altitude, paisagem e o nascer do sol acima das nuvens transforma a jornada em um desafio marcante.
A caminhada exige preparo físico, planejamento e paciência para lidar com o fluxo de pessoas nas trilhas. Ainda assim, para quem gosta de aventura e montanhas, a experiência costuma ser descrita como inesquecível.
Agora fica a pergunta que divide opiniões entre quem já tentou ou pensa em tentar essa subida: você encararia uma madrugada inteira de trilha e frio para ver o nascer do sol no topo do Monte Fuji?


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