Produto nacional responde por até 83% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos e será defendido em audiência pública marcada para 6 de julho, em Washington.
“Eu consumo esse mel todo dia e não sabia que vinha do Brasil.”
A declaração foi ouvida pela empresária Joelma Lambertucci de Brito durante reuniões com integrantes do governo dos Estados Unidos.
O comentário mostrou que autoridades americanas desconheciam a participação do mel brasileiro no abastecimento do próprio país.
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Cerca de 83% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos vem do Brasil. No mercado convencional, aproximadamente 75% das importações americanas também possuem origem brasileira.
A nova rodada de tarifas proposta pelo governo Donald Trump, porém, pode elevar os preços, prejudicar exportadores e reduzir a oferta do produto nos supermercados americanos.
Audiência em Washington discutirá tarifas sobre o mel brasileiro
Joelma participará de uma audiência pública em 6 de julho de 2026, em Washington, para defender a inclusão do mel brasileiro na lista de isenções tarifárias.
A reunião será conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR.
O governo americano propôs, em 1º de junho de 2026, tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.
Uma nova medida foi anunciada em 2 de junho, com taxas adicionais de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil.
As investigações americanas envolvem temas como comércio digital, PIX, propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal.
Governo americano desconhecia importância do produto brasileiro
Joelma atua há 35 anos no mercado de mel e própolis e comanda a Lambertucci Trade Solution.
A empresa é especializada na entrada de produtos apícolas brasileiros em mercados internacionais.
Reuniões anteriores colocaram a empresária diante de representantes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do próprio USTR.
O mel brasileiro não teria sido incluído inicialmente nas isenções devido ao desconhecimento sobre sua relevância para o mercado americano.
Consumidores costumam observar apenas a marca exibida na embalagem. A origem do produto, por outro lado, frequentemente passa despercebida.
A mobilização integra uma ação liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil.
Setor apresenta argumentos contra a nova cobrança
Importadores americanos e representantes da Associação Brasileira de Exportadores de Mel também participarão da defesa do produto nacional.
O primeiro argumento envolve a ausência de concorrência direta com o produtor americano no mercado orgânico.
A apicultura dos Estados Unidos concentra-se principalmente na polinização e na produção de mel convencional.
O Brasil, por sua vez, possui condições favoráveis para fabricar mel orgânico em grande escala.
As abelhas africanizadas são mais resistentes a doenças. Essa característica elimina a necessidade de antibióticos e acaricidas durante a produção.
As tarifas também podem elevar os preços e provocar falta de mel orgânico nas prateleiras americanas.
A substituição do Brasil por outro fornecedor não aconteceria rapidamente. A conversão de uma área convencional para orgânica exige pelo menos um ano.
Importadores dos Estados Unidos ainda devem alertar sobre perdas financeiras e possíveis cortes de empregos no mercado americano.
Produtores do Piauí temem uma nova onda de prejuízos
O Piauí destinou aos Estados Unidos cerca de 85% do mel exportado pelo estado em 2024.
Uma sobretaxa de 50%, aplicada em 2025, levou ao cancelamento de centenas de toneladas negociadas.
Milhares de produtores foram afetados pelas perdas financeiras.
A apicultura representa atualmente uma fonte de renda para mais de 40 mil famílias piauienses.
O setor tenta agora impedir que uma nova rodada de tarifas provoque mais cancelamentos, desemprego e redução das exportações.
Joelma afirma que o trabalho político continuará em Washington caso a isenção não seja aprovada.
O mel brasileiro conseguirá escapar das novas tarifas?
A decisão poderá afetar produtores brasileiros, importadores americanos, trabalhadores do setor e consumidores dos Estados Unidos.
O resultado da audiência também mostrará se o governo americano reconhecerá a dependência do país em relação ao mel orgânico produzido no Brasil.
Você acredita que os Estados Unidos deveriam retirar o mel brasileiro da nova rodada de tarifas? Deixe sua opinião nos comentários.
