Nova estrutura em Itaguaí terá pontos de atracação para grandes petroleiros e poderá fortalecer o transporte da crescente produção offshore brasileira.
Em abril de 2026, a produção brasileira de petróleo alcançou 4,340 milhões de barris diários, segundo a Agência Nacional do Petróleo.
O volume representou um crescimento de 19,5% em relação ao mesmo mês de 2025.
No pré-sal, por sua vez, a produção de petróleo e gás natural atingiu 4,614 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
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Consequentemente, o pré-sal respondeu por 81,8% de toda a produção nacional, conforme os dados divulgados pela ANP.
Diante desse crescimento, o Porto Sudeste prepara uma estrutura capaz de ampliar o transporte de petróleo entre navios e compradores internacionais.
Megaprojeto de R$180 milhões mira crescimento da produção de petróleo
Em 2023, um investimento de aproximadamente R$180 milhões foi aprovado para expandir o Porto Sudeste, localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro.
O projeto prevê uma estrutura dedicada ao transbordo de petróleo e derivados entre grandes embarcações.
Segundo Jayme Nicolato, CEO do Porto Sudeste, a produção brasileira poderá alcançar 5 milhões de barris diários até o final da década.
Por isso, o terminal busca acompanhar o avanço do pré-sal e aumentar sua participação no escoamento da produção brasileira.
Atualmente, o Porto Sudeste é considerado um dos principais terminais portuários privados do país.
Operação ship-to-ship permitirá transferir petróleo entre navios
A produção offshore ocorre a centenas de quilômetros da costa brasileira.
Inicialmente, o petróleo extraído em águas profundas é armazenado em unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência, conhecidas como FPSOs.
Posteriormente, a estrutura ship-to-ship permitirá transferir as cargas para outras embarcações nas águas jurisdicionais brasileiras.
Durante a operação, os navios poderão permanecer:
- Ancorados;
- Em movimento;
- Posicionados lado a lado para o transbordo.
Dessa maneira, o petróleo poderá seguir para compradores internacionais sem depender exclusivamente de estruturas portuárias convencionais.
Contudo, a autorização ambiental exige análises de risco. O processo é acompanhado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários e pela Agência Nacional do Petróleo.
Porto criado para minério de ferro amplia atuação no setor offshore
O Porto Sudeste foi criado por Eike Batista para movimentar minério de ferro.
Naquele período, o cais foi projetado para transportar aproximadamente 50 milhões de toneladas por ano.
Atualmente, o terminal é controlado pelo fundo Mubadala e pela trader Trafigura.
A mudança no perfil das cargas aumentou os investimentos na infraestrutura destinada ao petróleo e ao setor offshore.
Assim, uma área inicialmente planejada para o minério começa a ganhar uma nova finalidade logística.
Dolfins criarão novos pontos de apoio para grandes petroleiros
A nova infraestrutura inclui um sistema de atracação conhecido como dolfin.
Essas estruturas independentes são construídas sobre a água para auxiliar na atracação, amarração e proteção das embarcações.
Na prática, os dolfins criam pontos adicionais de apoio para grandes navios.
Consequentemente, o porto não precisa construir um cais contínuo ao longo de toda a embarcação.
A expansão, portanto, permitirá que o terminal receba operações de transbordo de petróleo e derivados com maior apoio estrutural.
Canal da Baía de Sepetiba limita saída de navios completamente carregados
Apesar da capacidade do Porto Sudeste, o canal de acesso à Baía de Sepetiba ainda representa uma limitação operacional.
O terminal consegue receber navios VLCC, grandes transportadores de petróleo bruto com capacidade para até 320 mil toneladas de porte bruto.
Entretanto, essas embarcações não conseguem deixar a baía completamente carregadas.
Para superar esse obstáculo, seria necessária uma dragagem capaz de ampliar as condições de navegação do canal.
Mesmo com essa limitação, o projeto ship-to-ship amplia as alternativas para transportar o petróleo produzido em águas profundas e destinado ao mercado internacional.
