Projeto de engenharia em impressão 3D mostra como uma prótese com peças trocáveis pode nascer de uma rotina familiar, unindo faculdade, tecnologia acessível e necessidades reais de uma criança em casa.
Um projeto final de engenharia mecânica feito na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, virou uma prótese multiferramenta para uma menina de 7 anos brincar, pintar e segurar cartas de UNO com mais facilidade.
Vitaliy Bondarchuk, então estudante da Bob Jones University, dedicou mais de 100 horas ao desenvolvimento de uma peça impressa em 3D para a irmã mais nova, Bella, que nasceu com uma redução congênita no braço esquerdo.
O caso foi publicado pela revista People em 19 de junho de 2025 e detalhado também pela American Society of Mechanical Engineers, a ASME, em 1º de julho de 2025.
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A história segue relevante por mostrar como a impressão 3D e o desenho sob medida podem transformar um trabalho acadêmico em uma solução prática para tarefas do dia a dia.
Bella nasceu com um defeito de redução de membro e não tem parte do braço esquerdo a partir de cerca de 2 polegadas após o cotovelo.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, esse tipo de condição ocorre quando parte de um braço ou perna não se forma completamente, e o tratamento depende da idade da criança, do tipo e da extensão da redução.
A diferença do projeto de Bondarchuk estava no foco.
Em vez de tentar criar uma prótese complexa para todas as funções possíveis, ele desenvolveu uma base com encaixes intercambiáveis, pensada para atividades específicas da irmã.
Entre os acessórios estavam um suporte para cartas de UNO, um encaixe para pincel, uma lanterna e, em registro de imagem publicado pela People, um suporte de espátula.
Prótese 3D criada para a irmã
Bondarchuk tinha 22 anos, vivia em Spartanburg, na Carolina do Sul, e estava no último semestre da faculdade quando decidiu transformar o projeto de conclusão em algo útil para Bella.
À People, ele afirmou que não queria fazer da iniciativa um grande acontecimento e resumiu o gesto como uma ajuda à irmã.
A escolha não partiu apenas de uma exigência acadêmica.
O trabalho final da Bob Jones University pedia que o estudante identificasse um problema real e tentasse resolvê-lo.
Ao observar a rotina de Bella, Bondarchuk encontrou um problema próximo, concreto e mensurável.
Desde pequena, Bella já lidava com adaptações.
O irmão relatou que tinha consciência de que algumas atividades eram um pouco mais difíceis para ela, e outras, muito mais difíceis.
Ainda assim, ele disse não ter percebido que a condição fosse tratada por Bella como um peso.
A própria menina participou do processo.
Desde o início, informou ao irmão quais acessórios fariam diferença em sua rotina.
Uma das demandas mais claras foi o jogo de UNO, uma atividade de que ela gostava e que exigia segurar várias cartas ao mesmo tempo.

Como funciona a prótese multiferramenta
A ideia de uma prótese multiferramenta surgiu quando Bondarchuk pesquisou modelos existentes e percebeu que não encontrava algo semelhante ao que imaginava.
Segundo relato à People, ele considerou básica a ideia de um braço protético com diferentes acessórios, mas não localizou facilmente um modelo com essa lógica.
Na prática, o projeto funciona como uma base presa ao braço de Bella por tiras de velcro.
Na ponta, um clipe permite trocar os acessórios conforme a tarefa.
Quando quer jogar, Bella pode encaixar o suporte de cartas.
Para pintar, usa o suporte de pincel.
Para iluminar algo, o acessório pode receber uma lanterna.
Essa solução tem uma vantagem simples: não tenta fazer tudo ao mesmo tempo.
Em vez disso, adapta a prótese à atividade.
Para uma criança, isso pode significar menos peso, menos complexidade e mais chance de uso no cotidiano.
A ASME descreveu que Bondarchuk sabia que não conseguiria criar um braço protético completo dentro do prazo e dos limites do projeto.
Por isso, decidiu trabalhar com acessórios específicos, voltados a tarefas que Bella realmente queria executar.

Impressão 3D e protótipos sob medida
A impressão 3D foi central no desenvolvimento porque permitiu medir, desenhar, testar, imprimir e ajustar a peça várias vezes.
Esse tipo de processo é comum em prototipagem: o estudante cria um modelo digital, imprime, verifica o encaixe e corrige o desenho antes de produzir uma nova versão.
No caso de Bondarchuk, a ASME informou que o trabalho envolveu SolidWorks, impressora 3D, medições, protótipos e documentação técnica.
Ele também precisou lidar com o desafio de produzir uma forma orgânica, ajustada ao corpo da irmã, sem deixar o plástico em contato abrasivo direto com a pele.
Esse detalhe é importante porque uma prótese não precisa apenas funcionar.
Ela também precisa ser confortável, segura e usável por tempo suficiente para fazer sentido no dia a dia.
Por isso, o projeto incluiu preocupação com acolchoamento não abrasivo e ajustes de encaixe.
Bondarchuk relatou à ASME que peças quebraram durante o processo e que a modelagem exigiu esforço.
Mais de 100 horas de desenvolvimento
O estudante calculou ter passado cerca de 100 horas no desenvolvimento da prótese.
Além da impressora 3D, ele buscou orientação de um irmão mais velho que também é engenheiro, segundo a People.
A ASME acrescentou que o projeto levou quatro meses e incluiu manuais de design, propostas e documentação.
Ao final, Bondarchuk recebeu nota A pelo trabalho, de acordo com a entidade.
A prótese não surgiu apenas de uma impressão única.
Ela passou por desenho, medição, impressão, teste, ajuste e nova impressão.
O resultado foi uma peça que Bella passou a usar diariamente, segundo a People.
Quando questionada sobre o que sentia em relação ao que o irmão havia feito, ela respondeu em uma palavra: “ótimo”.
Engenharia aplicada à rotina de Bella
Projetos finais de engenharia costumam funcionar como demonstrações de conhecimento técnico.
No caso de Bondarchuk, o desafio ganhou outra camada porque o usuário final estava dentro de casa.
Isso muda o tipo de decisão.
O desenho não precisava apenas atender a critérios de sala de aula, mas também caber na rotina de uma criança específica.
Bella gostava de UNO, pintura e outras atividades comuns da infância.
A peça foi criada a partir dessas necessidades, não de uma ideia genérica de prótese.
Para uma criança que quer jogar com a família, segurar várias cartas pode ser uma barreira concreta. Ao resolver esse ponto, o projeto aproximou engenharia de convivência doméstica.
O pincel segue a mesma lógica.
A prótese não tenta substituir todas as funções de uma mão, mas ajuda a realizar uma tarefa definida.
Da universidade para a engenharia
Bondarchuk se formou pela Bob Jones University e, segundo a People, já tinha um emprego aguardando em Nova Jersey.
A ASME informou que ele foi aceito no Operations Management Leadership Program, da GE, com início em uma rotação técnica de manufatura em uma unidade da GE Metem em Nova Jersey.
Durante a graduação, ele também atuou como líder estudantil da ASME.
A entidade relatou que Bondarchuk ajudou a reativar uma seção estudantil da organização na Bob Jones University, em Greenville, buscando experiência de liderança e maior envolvimento com a área de engenharia mecânica.
Mesmo com a mudança profissional, ele disse que pretende continuar modificando a prótese de Bella conforme ela crescer e desenvolver novos hobbies.
A própria família já brincava com possibilidades futuras.
Segundo a People, a mãe chegou a pedir algo que pudesse ajudar Bella a dirigir, embora o irmão tenha lembrado que ainda há tempo para isso.
Essa continuidade é relevante porque uma solução feita para uma criança de 7 anos não será definitiva.
À medida que Bella cresce, medidas mudam, interesses mudam e novas tarefas podem exigir novos acessórios.


Parabéns !!! Uhuuu
Parabéns ao irmão de Bella. Sucesso para ela com o invento/criação do irmão. Quanto amor!!!!
Uma das coisas que mais me encantam são os sorrisos das crianças, o rostinho de felicidade e o brilho nos olhos.
É emocionante.