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Megaprojeto de R$ 600 milhões avança em SC: túnel subaquático entre Itajaí e Navegantes entra em fase decisiva após aval do Senado e pode reduzir travessia para cerca de dois minutos com obras previstas até 2032

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/03/2026 às 10:34
túnel subaquático do Promobis avança com Banco Mundial; Parceria Público-Privada define execução e BRT regional integra Itajaí–Navegantes.
túnel subaquático do Promobis avança com Banco Mundial; Parceria Público-Privada define execução e BRT regional integra Itajaí–Navegantes.
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Com contrato de financiamento com o Banco Mundial previsto para o primeiro semestre de 2026, o Promobis acelera a preparação do túnel subaquático imerso no Rio Itajaí-açu, peça central de um pacote acima de R$ 600 milhões, operado por PPP, com obras estimadas de 2028 a 2032 nos onze municípios

A autorização do Senado Federal colocou o Promobis em um ponto de virada: o programa de mobilidade integrado da região da Foz do Rio Itajaí começa a sair do campo das intenções e se aproxima da etapa contratual que destrava decisões técnicas e administrativas. O túnel subaquático entre Itajaí e Navegantes, o mais aguardado pela população, vira o termômetro do projeto.

Na prática, a próxima grande referência do cronograma é a assinatura do contrato de financiamento com o Banco Mundial, esperada ainda no primeiro semestre de 2026. Essa formalização abre caminho para a modelagem definitiva da Parceria Público-Privada (PPP) e para o detalhamento do cronograma executivo, dentro de um programa que envolve 11 municípios consorciados na Amfri.

O que muda quando o contrato sai do papel e a fase decisiva começa

imagem e fonte: NDMAIS

O aval do Senado não é o fim do caminho; é a autorização que permite o avanço de uma etapa decisiva: a contratação do financiamento e, a partir dela, a consolidação do modelo de execução.

Quando o contrato se aproxima, o projeto passa a exigir escolhas fechadas, prazos amarrados e responsabilidades distribuídas especialmente num arranjo regional que envolve múltiplos municípios e um consórcio coordenador.

O Promobis é apresentado como um programa estratégico de mobilidade integrada para a região representada pela associação, com um conjunto de obras e intervenções que buscam organizar deslocamentos cotidianos, conexões intermunicipais e transporte coletivo.

É nesse contexto que o túnel subaquático aparece como peça central: não apenas por conectar duas cidades separadas pelo rio, mas por ter impacto direto na dinâmica diária de quem cruza o eixo Itajaí–Navegantes.

Quanto custa e como o dinheiro entra no projeto sem depender de uma única fonte

O pacote do Promobis é descrito como superior a R$ 600 milhões quando se considera a cotação atual do dólar, combinando um financiamento de US$ 90 milhões com uma contrapartida de US$ 30 milhões dos municípios consorciados por meio do CIM-Amfri.

Essa composição evidencia que não se trata de uma obra isolada, mas de um programa regional com obrigações financeiras compartilhadas.

A forma de execução indicada é a Parceria Público-Privada (PPP), seguindo uma lógica aplicada em grandes empreendimentos de infraestrutura.

Em termos práticos, isso sinaliza que o desenho final precisará deixar claro o que ficará sob responsabilidade do parceiro privado, quais entregas serão exigidas, como serão medidos desempenho e manutenção, e de que maneira o poder público acompanhará custos, prazos e padrões técnicos ao longo de anos.

Onde o túnel subaquático entra e por que o método escolhido foi o “túnel imerso”

O túnel subaquático entre Itajaí e Navegantes foi projetado pelo método de túnel imerso: módulos pré-moldados são posicionados e assentados no leito do rio, formando o corpo do túnel. Esse caminho foi definido após análise e descarte de alternativas como ponte elevada e túnel escavado profundo, consideradas inviáveis para a região.

A escolha do método aponta para uma engenharia desenhada para o local, e não para um “modelo pronto” replicado sem ajustes.

Ao optar por módulos pré-moldados, a proposta associa planejamento de fabricação, logística de instalação e implantação no leito do rio, com exigência de coordenação fina entre etapas.

O resultado esperado é uma estrutura que realize a ligação sem depender de uma travessia longa e sujeita a gargalos, com uma meta objetiva: reduzir o tempo de cruzamento para cerca de dois minutos, alterando a percepção de distância entre as duas margens.

Como será por dentro: três células, BRT dedicado e passagem para pedestres e ciclistas

O desenho divulgado para o túnel subaquático prevê três células internas: uma exclusiva para o BRT regional, com faixa segregada para transporte coletivo, e duas destinadas ao tráfego de veículos.

Ao separar o corredor do BRT do fluxo geral, o projeto tenta proteger o transporte coletivo de congestionamentos e oscilações de demanda um ponto decisivo para quem depende de ônibus em deslocamentos intermunicipais.

Além disso, a estrutura inclui passagem inferior para pedestres e ciclistas e uma galeria técnica para redes de energia, água e sistemas operacionais.

Esses componentes ampliam o papel do túnel para além dos carros: ele passa a ser também um corredor de mobilidade ativa e um suporte para infraestrutura urbana. Na prática, isso tende a exigir regras claras de segurança, operação e manutenção, já que múltiplos usos convivem no mesmo conjunto estrutural.

Quando começa e quando termina: 2028 a 2032 como janela de obras e entrega

O cronograma preliminar mantém o início das obras em 2028 e a conclusão até 2032, dentro do prazo global do programa.

Essa janela de quatro anos é relevante porque exige que etapas preparatórias como modelagem da PPP, detalhamento executivo e organização de frentes de trabalho estejam maduras antes do canteiro ganhar escala. Em projetos desse porte, atrasos costumam nascer antes da obra, quando decisões essenciais ficam pendentes.

A meta de reduzir a travessia para cerca de dois minutos reforça o que está em jogo: mudar a dinâmica de deslocamento diário entre Itajaí e Navegantes.

Em termos de rotina, isso pode mexer com horários de trabalho, previsibilidade de trajetos, conexão com serviços e até a forma como moradores escolhem circular entre as duas cidades, já que tempo de travessia influencia hábitos, consumo e acesso a oportunidades.

Quem coordena e o que está sendo discutido na transição para a fase contratual

O CIM-Amfri aparece como ator central na condução regional, e a presidência do consórcio destacou o caráter estrutural do Promobis e a responsabilidade institucional na transição para a fase contratual.

Também foi mencionado que Balneário Camboriú tem a maior fatia do financiamento e que ajustes foram feitos para viabilizar os “Caminhos da Integração”, voltados a facilitar acessos a cidades vizinhas, especialmente Camboriú. Esse tipo de ajuste revela que o programa não é estático: ele é calibrado para atender prioridades e viabilizar conexões.

Com a assinatura do contrato no horizonte, o Promobis se aproxima de duas engrenagens que definem o que, de fato, será entregue: a modelagem definitiva da PPP e o detalhamento do cronograma executivo.

É nesse ponto que “quem faz o quê” deixa de ser discurso e vira cláusula, e onde também se espera maior clareza sobre como cada eixo do programa se integra do BRT regional às intervenções viárias e requalificações urbanas.

O pacote além do túnel: BRT regional, vias de integração e reurbanização

O Promobis não se limita ao túnel subaquático. O programa contempla mobilidade interna para Balneário Camboriú, com conexão estruturada a Camboriú, além de ampliação de sistemas viário, cicloviário e pedonal.

Também estão previstas a criação de 22 vias de integração, melhorias nos acessos intermunicipais com grandes obras de infraestrutura e a reurbanização da Orla do Rio Marambaia. Quando um projeto reúne tantas frentes, a coordenação vira tão importante quanto a engenharia.

O BRT regional é apresentado como componente que atenderá todos os municípios da Amfri, consolidando uma proposta de transporte coletivo integrado intermunicipal.

Isso conecta diretamente com o desenho interno do túnel: reservar uma célula exclusiva ao BRT sugere que o transporte coletivo não será “adaptação” no fim do projeto, mas parte do núcleo da solução, com espaço próprio desde o planejamento.

O avanço do Promobis para a fase decisiva, com aval do Senado e expectativa de assinatura do financiamento ainda no primeiro semestre de 2026, coloca o túnel subaquático no centro de um debate prático: como transformar uma travessia cotidiana em um eixo rápido, previsível e integrado a um sistema regional de mobilidade.

Com previsão de obras de 2028 a 2032 e meta de reduzir o cruzamento para cerca de dois minutos, a promessa é grande e o nível de cobrança pública tende a crescer junto.

Se esse túnel subaquático sair como planejado, o que você acha que deve vir primeiro na prioridade real: garantir o BRT regional funcionando de ponta a ponta, ou focar em aliviar o tráfego de carros e reorganizar os acessos?

E, para você, qual é o maior risco nesse tipo de megaprojeto: prazo, custo, impacto urbano ou operação no dia a dia?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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