Em Buenos Aires, um megaprojeto de R$ 261,1 bilhões usa túnel e ponte em anel para eliminar cruzamentos críticos, ligar bairros à Costanera Norte e cortar em até 50% o tempo de deslocamento na zona norte.
Em uma intervenção estimada em cerca de R$ 261,1 bilhões, Buenos Aires aposta no Anel Viário de La Pampa para integrar mobilidade, paisagem e infraestrutura em um único traçado. No centro da proposta está o túnel e ponte em anel, que separam fluxos de veículos, pedestres e ciclistas e criam um novo eixo rápido entre bairros residenciais, áreas verdes, zonas de estudo e o aeroporto, encurtando o caminho até a Costanera Norte.
Mais do que aliviar congestionamentos, o La Pampa Ring pretende transformar um antigo nó viário em corredor estratégico de conexão entre a cidade consolidada e a orla. Ao concentrar o tráfego em um túnel contínuo e oferecer um anel elevado exclusivo para quem se desloca a pé ou de bicicleta, o projeto combina engenharia pesada e desenho urbano para redesenhar o dia a dia de quem cruza a zona norte de Buenos Aires.
Como o túnel e ponte em anel reorganizam a zona norte de Buenos Aires
O Anel Viário de La Pampa nasce para enfrentar uma das maiores barreiras urbanas da região: o encontro da Autoestrada Arturo Illia com a ferrovia Belgrano Norte.
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Hoje, esse nó viário concentra cruzamentos em nível, semáforos e conflitos constantes entre carros, trens, pedestres e ciclistas, alongando o tempo de deslocamento em horários de pico.
Com o túnel e ponte em anel, o projeto leva o tráfego de veículos para um corredor subterrâneo contínuo, enquanto a circulação não motorizada ganha um circuito elevado exclusivo.
A ideia é separar fluxos que hoje se cruzam em diferentes níveis e momentos, diminuindo paradas obrigatórias, pontos de risco e gargalos ao longo do trajeto.
Ao reorganizar o acesso entre a zona interna da cidade e a orla, o Anel Viário de La Pampa melhora a ligação entre bairros como Bajo Belgrano e Palermo e destinos estratégicos da zona norte de Buenos Aires, criando um caminho mais direto em direção à Costanera Norte.
Como funciona a combinação entre túnel e ponte em anel
O conjunto é formado por duas peças principais: um túnel de mão dupla para automóveis e uma ponte circular exclusiva para deslocamentos não motorizados. É essa combinação entre túnel e ponte em anel que transforma um cruzamento caótico em um sistema integrado de mobilidade.
No subsolo, o túnel passa sob a Rua La Pampa na altura da via Lugones, cruza a autoestrada Arturo Illia e os trilhos da Belgrano Norte, conectando diretamente bairros internos à Costanera, ao Aeroparque, à Cidade Universitária e ao Parque Costeiro.
Com duas faixas de rolamento em mão dupla, o corredor subterrâneo permite que o fluxo de veículos atravesse o antigo nó viário sem semáforos e sem interações diretas com pedestres e trens.
Na superfície, a ponte em anel, com cerca de 140 metros de diâmetro, cria um circuito contínuo para pedestres e ciclistas.
No ponto mais alto, esse anel incorpora um mirante panorâmico, oferecendo vista para a cidade, para o rio e para a movimentação aérea no Aeroporto Jorge Newbery.
A mesma estrutura que resolve um problema de trânsito também se torna um novo espaço de permanência, passeio e observação da paisagem urbana.
Impactos no tempo de deslocamento e na mobilidade da zona norte

O desenho do túnel e ponte em anel foi pensado para eliminar cruzamentos em nível, semáforos e pontos de conflito entre diferentes modos de transporte.
Ao concentrar o fluxo de automóveis em um eixo subterrâneo e elevar pedestres e ciclistas a um percurso independente, o projeto reduz drasticamente as interrupções que hoje alongam o tempo de deslocamento.
Na prática, a promessa é reduzir em até 50% o tempo de viagem na zona norte em horários de pico, especialmente para quem se desloca entre bairros internos e a Costanera Norte. Com menos paradas, menos gargalos e menos manobras em áreas congestionadas, o percurso torna-se mais previsível e contínuo.
Além da redução de tempo, o La Pampa Ring busca:
Aumentar a segurança viária, ao separar tráfego local de tráfego de passagem e reduzir encontros diretos entre carros, trens, pedestres e ciclistas.
Descongestionar vias principais e bairros adjacentes, ao oferecer uma alternativa mais direta para chegar à orla e aos principais equipamentos da zona norte de Buenos Aires.
Diminuir emissões de poluentes, já que um fluxo mais fluido reduz acelerações e frenagens constantes, típicas de trechos com semáforos e cruzamentos em série.
Facilitar o transporte de cargas e o acesso a áreas comerciais e industriais, encurtando conexões logísticas importantes na região.
Características técnicas e papel urbano do Anel Viário de La Pampa
Do ponto de vista técnico e urbano, o Anel Viário de La Pampa se destaca por combinar engenharia subterrânea, desenho paisagístico e marca arquitetônica em uma mesma intervenção.
O túnel de mão dupla, com duas faixas de rolamento, atravessa em subsolo a área onde hoje se sobrepõem Rua La Pampa, autoestrada Illia e ferrovia Belgrano Norte.
Na superfície, a estrutura circular de 140 metros de diâmetro ocupa mais de 10.000 metros quadrados de área reorganizada.
O anel foi pensado para ser visível de parques, da rodovia, da estação de trem e até das aeronaves que sobrevoam a região, consolidando-se como novo ícone urbano da zona norte de Buenos Aires.
O uso misto da ponte em anel, combinando passarela de pedestres e ciclovia em circuito contínuo, reforça a ideia de mobilidade multimodal.
Ao mesmo tempo, o mirante no ponto mais alto transforma a obra em atração para moradores, estudantes e visitantes, conectando a experiência de deslocamento diário a momentos de contemplação da cidade e do rio.
Prazos, investimento e futuro do corredor estratégico
Segundo a Prefeitura da Cidade de Buenos Aires, as obras do Anel Viário de La Pampa tiveram início em janeiro de 2026, com prazo estimado de execução de cerca de 20 meses.
O investimento previsto ultrapassa 50 bilhões de dólares, o que equivale a aproximadamente R$ 261,1 bilhões, contemplando a construção do túnel de duas faixas, da ponte circular, dos acessos e das intervenções de requalificação no entorno imediato.
Ao final desse ciclo de obras, espera-se que o túnel e ponte em anel consolidem o La Pampa Ring como um corredor estratégico da zona norte de Buenos Aires, integrando a cidade consolidada à orla, aumentando a segurança viária, valorizando a paisagem da Costanera Norte e reorganizando mais de 10 mil metros quadrados de espaço urbano hoje fragmentado.
Para além dos números, o megaprojeto se coloca como um teste importante: até que ponto uma intervenção pontual, combinando túnel e ponte em anel, é capaz de redesenhar o tempo de deslocamento diário e a forma como a cidade se relaciona com o rio e com seus principais eixos de mobilidade?
E você, acha que megaprojetos como esse valem um investimento tão alto para reduzir o tempo de deslocamento e criar novos ícones urbanos, ou a prioridade deveria ser outras soluções de mobilidade no dia a dia?

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