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Megalaseres de 100 kW já apontam para uma nova fase industrial, com potência suficiente para cortar aço espesso, perfurar rochas, acelerar a mineração e ampliar a produtividade em operações antes vistas como difíceis demais

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 29/03/2026 às 17:38 Atualizado em 29/03/2026 às 17:40
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A nova geração de lasers de alta potência começa a transformar tarefas pesadas ao reunir corte de aço, perfuração profunda, tratamento de superfícies e feixes divididos que elevam a produtividade a outro patamar.

A corrida pelos lasers de alta potência entrou em uma fase mais ambiciosa. Equipamentos que já operam acima de 50 kW e se aproximam de 100 kW começam a ganhar espaço em processos que exigem força, precisão e velocidade.

O avanço pode mudar operações em áreas como mineração, construção de túneis, manutenção de ferrovias e corte de aço espesso. Na prática, a promessa é reduzir tempo de trabalho, aumentar rendimento e levar o processamento industrial a outro patamar.

Congresso em Aquisgrão coloca lasers de vários quilowatts no centro do debate

O tema será destaque no AKL’26, encontro internacional de tecnologia laser marcado para 22 a 24 de abril em Aquisgrão. O evento vai reunir fabricantes e usuários de vários setores, com foco no salto de potência desses sistemas.

A discussão gira em torno de duas frentes. De um lado, os lasers de pulsos ultracurtos, usados para trabalhos muito precisos. Do outro, os lasers contínuos, que já alcançam níveis muito mais altos de energia para tarefas pesadas.

Potência maior abre caminho para túnel, rocha e aço grosso

Com mais energia disponível, os lasers passam a atuar em ambientes antes considerados difíceis demais para esse tipo de tecnologia. Isso inclui a quebra de rocha em escavações profundas e o avanço mais rápido na abertura de túneis.

Na indústria naval e em estruturas de grande porte, o ganho esperado aparece no corte e na união de materiais espessos e resistentes. O resultado mais imediato é uma produção mais rápida, com menos desperdício e maior precisão.

Feixe dividido multiplica a produtividade do processamento

Uma das mudanças mais importantes está na capacidade de dividir um único feixe de luz em dezenas. Esse recurso permite trabalhar áreas maiores ao mesmo tempo, sem depender de um processamento linha por linha.

Segundo Fraunhofer ILT, instituto alemão de pesquisa em tecnologia laser, essa combinação de potência e controle abre espaço para perfurar milhares de pontos em um único disparo e tratar superfícies inteiras em menos tempo. Isso empurra a produtividade para um nível muito mais alto.

Inteligência artificial entra no controle do laser

Aumentar a potência, sozinho, não resolve tudo. Os pesquisadores também apostam em inteligência artificial, modelagem precisa do feixe e sistemas capazes de ajustar o formato da luz conforme a tarefa.

Esse controle mais refinado ajuda a criar padrões tridimensionais complexos e melhora o aproveitamento da energia. Também reduz perdas e evita danos por calor em materiais sensíveis, algo decisivo para ampliar o uso industrial.

Novo hardware acelera o trabalho e melhora a precisão

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Para sustentar esse avanço, o instituto desenvolveu um escâner planar galvanométrico voltado à direção ultrarrápida do feixe. Em linguagem simples, trata se de um sistema que aponta a luz com mais velocidade e muito mais exatidão.

A estrutura foi pensada para operar com configuração multifeixe e pode superar escâneres convencionais em desempenho. Isso reforça o uso de técnicas como o estampado óptico, que processa superfícies inteiras de uma vez.

Energia em rajadas reduz calor e aumenta eficiência

Outra frente está no funcionamento em modo de rajadas, com sequências de pulsos que removem material de forma mais eficiente. Ao mesmo tempo, esse método ajuda a limitar o aquecimento excessivo, um dos principais desafios do setor.

O ajuste fino da duração de cada pulso também melhora a entrega de energia. Com isso, o processo fica mais controlado e pode ganhar escala em operações industriais que exigem ritmo alto e acabamento preciso.

Os sinais apontam para uma mudança importante no uso de lasers de alta potência. O que antes parecia restrito a nichos técnicos começa a avançar para áreas de infraestrutura, energia e manufatura pesada.

Se esse movimento ganhar tração, a indústria poderá cortar aço grosso, perfurar rocha e tratar grandes superfícies com mais velocidade e precisão. É uma virada que muda a leitura estratégica.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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