Um projeto histórico de 1.800 km promete transformar o abastecimento energético do Norte ao conectar definitivamente a região ao Sistema Interligado Nacional, encerrando décadas de vulnerabilidade elétrica.
A integração definitiva da região Norte ao Sistema Interligado Nacional está próxima de se tornar realidade.
Segundo o apresentador do canal Urbana, a conclusão do Linhão de Tucuruí promete pôr fim às sucessivas crises de abastecimento que, por décadas, afetaram milhões de moradores da Amazônia, especialmente em estados como Roraima e Amapá.
A obra, que ultrapassa 1.800 quilômetros, nasce à sombra da hidrelétrica de Tucuruí e deve ser inaugurada ainda em 2025, marcando um dos capítulos mais importantes da infraestrutura elétrica brasileira.
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Crises de energia no Norte do Brasil
Conforme relatado no vídeo, a instabilidade energética sempre foi uma marca da região.
O caso mais emblemático ocorreu em novembro de 2020, quando um incêndio em equipamentos da subestação de Macapá deixou 13 dos 16 municípios do Amapá em situação crítica por mais de 20 dias.
Hospitais acionaram geradores.
Serviços públicos foram interrompidos.
Cerca de 90 por cento da população enfrentou cortes recorrentes.

Roraima, por outro lado, permanece até hoje como o único estado brasileiro fora da rede nacional.
O apresentador do Urbana destacou que, durante quase duas décadas, o estado dependeu da energia importada da Venezuela por meio do Linhão de Guri.
A crise elétrica venezuelana tornou esse fornecimento instável até que, em março de 2019, após um apagão nacional no país vizinho, o envio foi suspenso definitivamente.
Desde então, o abastecimento passou a depender totalmente de usinas termelétricas movidas a diesel.
Ainda de acordo com o canal, essa alternativa colocou Roraima em uma situação econômica e ambiental delicada.
O consumo diário exige mais de um milhão de litros de diesel, a um custo estimado em aproximadamente R$ 3,5 milhões por dia, segundo dados citados pela Eletrobras.
O cenário trouxe riscos constantes de desabastecimento e uma longa lista de apagões registrados ao longo de 2018.
Potência de Tucuruí e isolamento da região
Enquanto isso, a potência da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, permanecia subutilizada para o Norte.
Desde os anos 1980, a usina — com capacidade instalada de 8.370 MW e um reservatório de mais de 2.800 km² — alimenta parte significativa do Sudeste e do Nordeste.
Porém, como lembrou o apresentador do Urbana, diversos estados amazônicos continuaram isolados da malha elétrica nacional.
Essa desconexão é justamente o que o Linhão de Tucuruí busca corrigir.
Desenvolvimento do Linhão de Tucuruí
A concepção da interligação tomou forma nos anos 2000, com o crescimento econômico da região e a necessidade de substituir sistemas caros e poluentes.
Em 2008, o governo federal realizou o leilão que definiu os consórcios responsáveis pelos três grandes lotes do projeto.
Os dois primeiros, sob responsabilidade da empresa espanhola Isolux, conectaram Tucuruí ao Pará e posteriormente ao Amapá, totalizando cerca de 1.240 quilômetros.
O lote C, o mais complexo, ficou a cargo do Consórcio Manaus Transmissora de Energia, composto por Abengoa, Eletronorte e Chesf.
Conforme descrito no vídeo, esse trecho exigiu soluções de engenharia inéditas e negociações ambientais prolongadas, já que atravessa áreas remotas da Amazônia.
O projeto envolve sete linhas de transmissão de circuito duplo, oito subestações e aproximadamente 3.600 torres metálicas.
Algumas delas foram instaladas com apoio de helicópteros devido ao difícil acesso.
Entre os maiores desafios esteve a travessia do rio Amazonas, que em determinados pontos ultrapassa 2,5 quilômetros de largura.
O risco estrutural pediu cálculos minuciosos e torres especiais projetadas para suportar vãos longos.

Outro avanço mencionado pelo canal foi a inclusão de cabos de fibra óptica ao longo da linha, permitindo uma malha de telecomunicações de alta capacidade.
Essa estrutura ampliou o acesso à internet em áreas isoladas.
Etapa final entre Manaus e Boa Vista
A etapa final, que ligará Manaus a Boa Vista, já superou 70 por cento de execução em março de 2025.
Os trabalhos se concentram na instalação de mais de 1.000 torres, na construção de subestações como a de Boa Vista e na abertura de acessos em áreas densamente florestadas.
Como observou o apresentador do Urbana, essa fase só avançou após a resolução dos impasses envolvendo a travessia pelo território indígena Waimiri-Atroari.
O avanço ocorreu por meio de mediação judicial e acompanhamento ambiental permanente.
O impacto para o abastecimento de Roraima
O diretor técnico da Transnorte Energia, Anton Zerbini, afirmou em entrevista citada pelo canal que a previsão é iniciar o fornecimento a Roraima logo após a entrega da obra, estimada para setembro de 2025.
A energização plena deve ocorrer até dezembro.
Com isso, o estado deixará de depender de termelétricas e será finalmente integrado ao Sistema Interligado Nacional.
A inauguração do Linhão representa, segundo o Urbana, uma mudança estrutural no futuro energético da Amazônia.
A distribuição estável e contínua deve estimular investimentos. Os custos públicos tendem a cair.
Serviços essenciais devem ganhar segurança. O Norte do Brasil poderá viver uma nova fase após décadas de instabilidade.


Boa tarde!!!
O linhão entre Manaus e Boa Vista foi inaugurada em setembro/2025