Premier Li Qiang lançou em julho de 2025 a maior hidrelétrica do planeta, com capacidade de 60 GW
Enquanto Belo Monte avançou a passos lentos no Brasil, a China está erguendo no Tibete 5 hidrelétricas em cascata no rio Yarlung Tsangpo. O complexo recebeu o nome de Medog Hydropower Station.
O projeto vai gerar 300 bilhões de kWh por ano. Esse volume é três vezes maior que a produção atual da hidrelétrica de Três Gargantas.
A construção foi lançada oficialmente em 19 de julho de 2025 pelo Premier chinês Li Qiang. O anúncio aconteceu em cerimônia no próprio Tibete.
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Conforme reportou o The Diplomat em fevereiro de 2026, o investimento total chega a 1,2 trilhão de yuans. São cerca de 137 bilhões de dólares.
De fato, o número é maior que o orçamento completo da Estação Espacial Internacional. Os chineses pretendem terminar o complexo em 2033.
Por isso, Medog passa a ser a maior obra hidrelétrica da história da humanidade. Três Gargantas, atual recordista, tem só 22,5 GW de capacidade — Medog vai chegar a 60 GW.

Como funciona a hidrelétrica Medog Yarlung Tsangpo no Tibete
O complexo aproveita uma curva única no Yarlung Tsangpo. Na região de Namcha Barwa, o rio faz uma curva em U ao redor de uma montanha.
Esse trecho tem queda de 2 mil metros em apenas 50 km de extensão. Conforme detalhamento do registro técnico do Medog, é a maior concentração de potencial hidrelétrico do mundo.
Em vez de uma barragem única, os engenheiros chineses planejaram 5 estações em cascata. Cada uma aproveita parte da queda total.
Conforme análise da revista Yale Environment 360, o projeto também envolve 4 túneis de 20 km cada. Esses túneis cortam o massivo Namcha Barwa para desviar parte do fluxo do rio.
Dessa forma, Medog Yarlung Tsangpo combina engenharia hidráulica com tunelagem em larga escala. É o maior canteiro de obras hidrelétricas da história.
Para fins de comparação, o complexo de Itaipu (Brasil/Paraguai) tem 14 GW instalados. Medog vai produzir 4 vezes Itaipu somada.

Comparação com Três Gargantas e Belo Monte na escala mundial
A hidrelétrica chinesa de Três Gargantas detém o atual recorde mundial. Tem 22,5 GW de capacidade instalada e produz cerca de 88 bilhões de kWh por ano.
O Yarlung Tsangpo vai superar Três Gargantas em todas as métricas. Capacidade 2,7× maior, produção anual 3,4× maior, queda 2× maior.
Conforme dados da China Three Gorges Corporation, a operação atual gera 88,2 bilhões kWh por ano. Em 2 décadas, produziu mais de 1,6 trilhão de kWh.
Por isso, o salto do Medog é histórico. Não há outra obra de energia renovável que se aproxime desse volume.
Em paralelo, Belo Monte no Brasil chega a 11,2 GW e é a quarta maior planta do mundo. Conforme análise da AIDA Americas, o custo final escalou de US$ 4-5 bilhões para mais de US$ 15 bilhões.
De fato, Belo Monte demorou 14 anos pra ficar operacional (2002 começo planejamento, 2019 conclusão final). Medog tem cronograma similar — 8 anos do anúncio à operação.

Riscos ambientais e tensões geopolíticas do Medog
O Yarlung Tsangpo não termina no Tibete. Mais a jusante, ele vira o rio Brahmaputra na Índia e em Bangladesh.
Por isso, mais de 300 milhões de pessoas dependem do fluxo desse rio. A Índia já protestou formalmente em dezembro de 2024, segundo a Yale Environment 360.
Conforme o portal SAN News, oficiais indianos temem que a China possa controlar o fluxo de água. Em caso de conflito, Pequim poderia liberar inundações ou reter água.
Dessa forma, Nova Délhi planeja construir sua própria megabarragem em Arunachal Pradesh. O dueldogged virou uma corrida de infraestrutura hídrica entre as duas potências asiáticas.
Em paralelo, o impacto ambiental local preocupa. A região Medog Yarlung Tsangpo abriga leopardos-das-neves e tigres-de-bengala em populações pequenas.
Conforme reportou o China Daily, foi a primeira vez que pesquisadores documentaram tigres-de-bengala vivendo na região tibetana.
- Capacidade Medog: 60 GW (2,7× Três Gargantas)
- Produção anual: 300 bilhões kWh (3× Três Gargantas)
- Investimento: 1,2 trilhão de yuans (137 bilhões USD)
- Lançamento: 19 de julho de 2025 (Premier Li Qiang)
- Conclusão prevista: 2033
- Localização: curva U de Namcha Barwa, Tibete
- Comparação Belo Monte: 11,2 GW (5,4× maior)
Os riscos sísmicos da Yarlung Tsangpo
O Yarlung Tsangpo fica em uma das regiões sísmicas mais ativas do planeta. O terremoto de Assam em 1950, magnitude 8,6, atingiu uma região a 300 km do canteiro do Medog.
Conforme análise do International Campaign for Tibet, a região continua sob alta tensão tectônica. As placas continuam se ajustando até hoje.
Por isso, há risco real de sismicidade induzida. Grandes reservatórios já provocaram terremotos em outros projetos, segundo estudos publicados sobre o tema.
Em paralelo, os 4 túneis de 20 km de extensão precisam atravessar massivos rochosos altamente fraturados. Esse aspecto técnico aumenta o risco de colapsos durante a perfuração.
Conforme o Tibetan Review, geólogos independentes apontam que a região teve históricos eventos sísmicos magnitude 7+ a cada 30-40 anos.
De fato, o cronograma chinês de 2033 pode ser otimista demais. Atrasos por questões geológicas e sísmicas podem empurrar a operação para 2035 ou 2036.

O que Medog significa para o mercado de energia mundial
O Yarlung Tsangpo entra em operação em 2033 e adiciona instantâneamente 60 GW à rede chinesa. Isso é mais que toda a capacidade instalada do setor elétrico brasileiro hoje.
Conforme análise do The Diplomat, o projeto vai liberar a China parcialmente do carvão. Cerca de 0,1% do crescimento anual chinês vai vir desse projeto durante a construção.
Para mais contexto sobre megaobras de energia limpa, vale ler a cobertura do Click Petróleo e Gás sobre infraestrutura energética russa.
Para entender o impacto regional, recomenda-se também a cobertura sobre projetos brasileiros do Click Petróleo e Gás.
Vale notar que o impacto sobre os preços globais de energia vai depender da exportação chinesa de excedentes. Por enquanto, todo o GWh produzido pelo Medog vai ser absorvido pelo mercado interno chinês.
Apesar disso, o Brasil pode sentir efeitos indiretos. O carvão chinês liberado pela substituição hidrelétrica pode entrar no mercado internacional, pressionando o preço para baixo.

