Gol GTi convertido em elétrico une visual clássico, motor WEG, controle FuelTech e câmbio manual travado, entregando aceleração mais forte que a versão original em teste real feito pela Quatro Rodas.
Um Volkswagen Gol GTi deixou para trás o conhecido motor AP 2000 e passou a rodar com motor elétrico nacional WEG, gerenciamento FuelTech e câmbio manual preservado, embora fixado em terceira marcha durante o funcionamento.
Na prática, o clássico brasileiro manteve a aparência de esportivo antigo, mas ganhou funcionamento de carro elétrico e desempenho superior ao do GTi original em aceleração medida pela Quatro Rodas.
Apresentado pela revista como um Gol GTi elétrico feito com tecnologia nacional, o projeto recebeu o nome Gol FTe e colocou um dos hatches mais lembrados do Brasil em uma configuração completamente diferente.
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Durante o teste publicado pela Quatro Rodas, o carro acelerou de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos, enquanto o GTi original usado na comparação registrou 10,9 segundos na mesma medição.
Esse resultado levou a conversão elétrica a um patamar de desempenho acima do modelo original, mesmo sem alterar a carroceria, a tração dianteira e a identidade visual associada ao hatch esportivo da Volkswagen.
Gol GTi elétrico troca motor AP por conjunto WEG e FuelTech
A mudança mais simbólica ocorreu justamente no compartimento dianteiro, onde o motor AP 2000 deu lugar a um conjunto formado por motor elétrico e inversor da WEG, instalados um sobre o outro.
Segundo a Quatro Rodas, o conjunto pode entregar até 180 cv e 37,6 kgfm, mas, no estágio avaliado pela revista, estava com torque total e potência limitada a 145 cv na roda.
Entre as soluções mais curiosas do projeto, o câmbio aparece como uma das principais, já que a caixa manual de cinco marchas foi mantida, mas ficou fixada na terceira relação.
Essa configuração faz o Gol FTe funcionar como um automático, sem trocas de marcha pelo motorista, enquanto o motor elétrico assume tanto o movimento para frente quanto a ré ao inverter o sentido de giro.
Visualmente, o carro preserva boa parte da memória do Gol GTi, embora não tente se passar por uma restauração fiel ou por uma versão totalmente original do esportivo.
As modificações de design, segundo a Quatro Rodas, foram assinadas por Luiz Alberto Veiga, designer que trabalhou por décadas na Volkswagen e participou da história do Gol “quadrado”.
A proposta do projeto foi criar um showcar funcional, capaz de demonstrar como a tecnologia da FuelTech poderia ser aplicada em conversões elétricas sem apagar completamente a identidade do carro original.
Visual clássico do Gol GTi convive com eletrônica moderna
Na carroceria, faróis full-led com projetores elípticos, lanternas de led com setas sequenciais e ajustes artesanais passaram a conviver com fixações originais aproveitadas durante a adaptação.
A pintura manteve o tom Azul Mônaco, referência direta ao GTi, enquanto detalhes modernos foram incorporados a elementos marcantes do esportivo, como linhas retas, aerofólio e conjunto visual ligado aos anos de maior popularidade.
Dentro da cabine, nostalgia e eletrônica aparecem lado a lado em uma combinação que preserva itens clássicos do GTi, mas inclui comandos e recursos bem diferentes dos usados no hatch original.
Foram mantidos o volante “quatro bolas” e os bancos Recaro com encosto de cabeça vazado, dois elementos muito associados ao GTi e valorizados por entusiastas do modelo.
Ao mesmo tempo, o quadro de instrumentos ODG recebeu mostradores digitais, o rádio passou a ser Bluetooth, o acendedor de cigarro deu lugar a tomadas USB e a ECU FuelTech FT550 ficou instalada no console.
Nesse conjunto, a central eletrônica tem papel decisivo, porque a FT550 deixa de atuar apenas como uma injeção programável e passa a gerenciar o sistema elétrico por rede CAN, segundo a Quatro Rodas.
Por meio desse gerenciamento, o módulo controla bateria, inversor, carregador, motor, parâmetros de sensores, arrefecimento, freio e até recursos como controle de tração, ampliando a integração entre mecânica antiga e eletrônica moderna.
Bateria de 22 kWh e câmbio em terceira mudam a condução
Instalada no assoalho do porta-malas, a bateria de 22 kWh pesa cerca de 120 kg e ocupa uma região diferente daquela usada originalmente para o conjunto de propulsão do Gol.
A tomada de recarga Tipo 2 ficou escondida atrás da placa traseira, enquanto o carregador de bordo tem potência de 3,3 kW e permite recarga completa em tomada doméstica de 20 A em cerca de sete horas.
Mesmo com a retirada do motor AP, alguns componentes tradicionais permaneceram no projeto, incluindo soluções ligadas ao arrefecimento e ao sistema de freio, adaptadas para funcionar com o novo conjunto elétrico.
O arrefecimento líquido do motor e do inversor aproveita o radiador deslocado e o vaso expansor original, com circulação feita por bomba elétrica, enquanto o servofreio recebeu suporte de uma bomba de vácuo elétrica.
Ao volante, o comportamento descrito no teste chama atenção pelo contraste entre a entrega imediata de torque e a estrutura de um hatch antigo de tração dianteira, sem a filtragem de carros elétricos modernos.
A Quatro Rodas relatou que o Gol FTe destraciona em acelerações fortes e também pode perder aderência nas retomadas, inclusive quando o carro já está em velocidade mais elevada.
Desempenho do Gol FTe supera o GTi original em aceleração
Com o câmbio travado em terceira, a experiência de condução muda bastante, já que o motorista não precisa trocar marchas, mas ainda percebe parte da interação mecânica herdada do carro original.
Nas acelerações, o ruído do motor elétrico combinado ao câmbio antigo aparece de forma própria, a ponto de o nível de ruído a 80 km/h ficar praticamente empatado com o GTi a gasolina.
Segundo a Quatro Rodas, a medição registrou 73,8 dB no Gol FTe e 74 dB no modelo original, mostrando que a conversão elétrica não eliminou totalmente a presença sonora do conjunto mecânico.
O desempenho em retomada também reforça a diferença entre os dois carros, principalmente pela entrega imediata de torque do motor elétrico e pelo gerenciamento eletrônico aplicado ao conjunto da conversão.
Na medição de 40 a 80 km/h, a revista registrou 3,1 segundos para o Gol FTe, enquanto o GTi original fez o mesmo intervalo em 6,3 segundos usando a terceira marcha.
A ficha técnica publicada pela Quatro Rodas identifica o Gol FTe com motor elétrico WEG 130, VCU FuelTech FT550, bateria NMC de 400 V e 22 kWh, tração dianteira e câmbio forjado fixado na terceira marcha.
As dimensões externas seguem as do Gol GTi, com 384,9 cm de comprimento, 160,1 cm de largura, 135,5 cm de altura e 235,8 cm de entre-eixos.
Conversão elétrica mostra tecnologia nacional em clássico brasileiro
Além do desempenho, o projeto se apoia na trajetória da FuelTech na eletrificação, já que a empresa informa, na reportagem da Quatro Rodas, que possui uma divisão dedicada ao tema desde 2016.
A parceria com a WEG, também citada pela revista, existe desde 2019 para desenvolver soluções de conversão de veículos a combustão em elétricos, tendo o Gol FTe como uma vitrine dessa aplicação.
No centro da pauta está o encontro entre dois símbolos: de um lado, o Gol GTi, primeiro nacional com injeção eletrônica e um dos esportivos mais lembrados por entusiastas brasileiros.
Do outro, aparece um conjunto elétrico nacional capaz de alterar completamente a forma como o carro acelera, retoma velocidade e responde ao acelerador, sem apagar totalmente sua aparência de clássico.
A conversão colocou tecnologia de gerenciamento, bateria de alta tensão, motor WEG, freio assistido eletricamente e comandos modernos dentro de um carro que ainda carrega volante clássico, bancos Recaro e visual de hatch esportivo dos anos 1990.
Você acha que um Gol GTi elétrico preserva a alma do clássico brasileiro ou muda demais a história de um dos esportivos mais queridos do país?
