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Cientistas mataram um material com o campo magnético mais forte que conseguiram criar — e ele voltou à vida sozinho, desafiando uma regra que a física considerava inquebrável há décadas e abrindo caminho para o computador quântico à prova de erros

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 25/04/2026 às 11:30
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Um material feito de urânio perdeu todas as suas propriedades especiais em campo magnético extremo — e então, sem explicação, “ressuscitou” quando o campo ficou ainda mais forte

Em abril de 2026, uma equipe de físicos do National High Magnetic Field Laboratory (MagLab) na Flórida publicou uma descoberta que desafia o que se sabia sobre comportamento de materiais em condições extremas.

Segundo o ScienceDaily, o material ditelureto de urânio (UTe2) foi submetido a campos magnéticos de até 65 teslas — mais de 30 vezes a potência de um aparelho de ressonância magnética.

Normalmente, campos magnéticos fortes destroem a supercondutividade — a capacidade de um material conduzir eletricidade com zero resistência.

Contudo, algo inesperado aconteceu. O UTe2 perdeu a supercondutividade abaixo de 10 teslas, como esperado. Mas quando o campo ultrapassou 40 teslas, a propriedade voltou espontaneamente.

Os cientistas batizaram o fenômeno de “supercondutividade Lazarus” — em referência à história bíblica de ressurreição.

Morreu em 10 teslas, voltou em 40: por que isso desafia a física convencional

Conforme explicou o MagLab, a supercondutividade convencional é destruída por campos magnéticos fortes — essa é uma regra básica da física do estado sólido.

Além disso, quanto mais forte o campo, mais impossível deveria ser a supercondutividade.

Portanto, ver um material “morrer” e depois “ressuscitar” em campo ainda mais intenso é como ver água congelar quando aquecida — vai contra tudo que os livros-texto ensinam.

As medições mostraram que a região supercondutora forma um halo em formato de rosca (toroidal) ao redor de um eixo específico dentro do cristal.

Dessa forma, o material não simplesmente “liga e desliga” — ele se reorganiza internamente em uma estrutura que permite a eletricidade fluir sem resistência mesmo sob pressão magnética extrema.

Cientista operando superímã no National MagLab na Flórida
Equipamento do MagLab na Flórida — campos magnéticos de até 65 teslas (30x mais potentes que ressonância magnética) foram usados nos testes

O material que pode ser o “silício” dos computadores quânticos

Contudo, a descoberta não interessa apenas a físicos teóricos. O UTe2 pertence a uma classe raríssima de supercondutores chamada “spin-tripleto de onda p”.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Maryland, materiais desse tipo são extremamente raros na natureza e têm propriedades topológicas que os tornam candidatos ideais para computação quântica tolerante a falhas.

Nesse sentido, enquanto os computadores quânticos atuais (como os do Google e da IBM) sofrem com erros constantes, um computador baseado em UTe2 poderia ser naturalmente protegido contra erros — sem necessidade de correção artificial.

Igualmente, o fenômeno Lazarus adiciona uma dimensão nova: a capacidade de controlar quando o material se torna supercondutor usando campos magnéticos como interruptor.

Visualização abstrata de elétrons fluindo por estrutura cristalina
Representação do fenômeno Lazarus: elétrons param de fluir em 10 teslas e voltam espontaneamente em 40 teslas — desafiando regras fundamentais da física

65 teslas e temperaturas próximas do zero absoluto: os testes mais extremos já feitos neste material

Os testes foram realizados em duas instalações do MagLab: o DC Field Facility na Universidade Estadual da Flórida e o Pulsed Field Facility no Laboratório Nacional de Los Alamos.

Os pesquisadores submeteram cristais de UTe2 a campos magnéticos pulsados de até 65 teslas em temperaturas próximas ao zero absoluto (-273°C).

Sobretudo, os resultados confirmaram que o fenômeno é reproduzível — não um acidente de medição.

Da mesma forma, o estudo foi publicado na renomada Nature Physics, confirmando revisão por pares rigorosa.

Chip de computador quântico com circuitos supercondutores e cristais de gelo na superfície
Computadores quânticos atuais sofrem com erros constantes — materiais como o UTe2 poderiam criar sistemas naturalmente protegidos contra falhas

Da descoberta à aplicação: o caminho ainda é longo

Por outro lado, é preciso cautela com as expectativas. O UTe2 contém urânio — um elemento radioativo e caro, o que limita suas aplicações práticas imediatas.

Além disso, os campos magnéticos necessários para observar o fenômeno Lazarus (40+ teslas) só existem em laboratórios especializados.

Ainda assim, a descoberta abre portas para que outros materiais com propriedades similares sejam encontrados — possivelmente sem urânio e em condições mais acessíveis.

Consequentemente, a supercondutividade Lazarus pode não ter aplicação comercial direta, mas o conhecimento gerado sobre como materiais se comportam em extremos magnéticos redefine o que é possível em física de materiais.

Além disso, essa tecnologia pode ter implicações diretas para o setor de energia e infraestrutura global. Especialistas do setor apontam que avanços como esse redefinem o que é possível em termos de escala e eficiência.

Nesse sentido, o impacto vai além do projeto em si. Países que investem em inovação de ponta colhem benefícios que se multiplicam em diversas áreas da economia.

Da mesma forma, projetos semelhantes ao redor do mundo demonstram que a corrida por fenômenos naturais extremos está se acelerando em 2026.

Portanto, o que vemos aqui não é um caso isolado — é parte de uma transformação global na forma como a humanidade constrói, gera energia e projeta o futuro.

Sobretudo, é importante considerar o contexto brasileiro. Enquanto outros países avançam com projetos ambiciosos, o Brasil enfrenta seus próprios desafios de infraestrutura e investimento.

Por outro lado, iniciativas como as relacionadas a grandes obras de engenharia no mundo mostram que há movimento em diversas frentes ao redor do mundo.

Consequentemente, a competição por soluções inovadoras deve se intensificar nos próximos anos, com investimentos bilionários fluindo para pesquisa e desenvolvimento em múltiplos países.

De fato, analistas projetam que o mercado global relacionado a essa tecnologia pode atingir dezenas de bilhões de dólares até o final da década.

Apesar das limitações práticas, a mensagem da descoberta é poderosa: a natureza ainda guarda segredos que desafiam nossas teorias mais consolidadas — e às vezes, o que parece morto está apenas esperando o momento certo para voltar.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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