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Máscaras descartáveis que iriam para o lixo podem virar base de estrada na Austrália, onde pesquisadores da RMIT misturaram EPI triturado com entulho de construção reciclado para criar um material capaz de aproveitar milhões de unidades por quilômetro de pavimento

Escrito por Carla Teles
Publicado em 24/05/2026 às 18:27
Atualizado em 24/05/2026 às 18:29
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Máscaras descartáveis da RMIT podem reforçar estradas com entulho de construção e ligar reciclagem à construção civil.
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Pesquisadores da RMIT, na Austrália, indicam que máscaras descartáveis trituradas podem ser combinadas com entulho de construção reciclado para criar material de base de estrada. A mistura ideal usa 1% de EPI e 99% de agregado reciclado, aproveitando 3 milhões de máscaras por quilômetro pavimentado e evitando resíduos em aterros.

As máscaras descartáveis usadas durante a pandemia podem ganhar um destino inesperado na construção de estradas, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália. A proposta combina EPI triturado com entulho de construção processado para formar um material voltado às camadas de base e sub-base de pavimentos.

Segundo a RMIT University, o estudo, publicado na revista Science of the Total Environment, analisou como máscaras faciais descartáveis poderiam ser reaproveitadas em uma solução de economia circular. De acordo com a pesquisa, apenas 1 km de estrada de duas pistas poderia consumir cerca de 3 milhões de máscaras e evitar que 93 toneladas de resíduos fossem parar em aterros.

Resíduo da pandemia entra no debate da construção civil

Máscaras descartáveis da RMIT podem reforçar estradas com entulho de construção e ligar reciclagem à construção civil.
Imagem: RMIT University / Divulgação.

O aumento no uso de equipamentos de proteção individual durante a COVID-19 criou um novo desafio ambiental. A RMIT cita estimativa de 6,8 bilhões de máscaras descartáveis utilizadas diariamente no mundo durante a pandemia, volume que pressionou aterros, sistemas de coleta e políticas de destinação de resíduos.

A pesquisa parte de uma pergunta prática: se esse material já existe em grande escala, seria possível transformá-lo em insumo para infraestrutura? A resposta inicial dos testes foi positiva, mas os próprios pesquisadores tratam o estudo como uma etapa de viabilidade, não como autorização automática para uso sem controle em obras reais.

Mistura usa 1% de máscaras e 99% de concreto reciclado

Máscaras descartáveis da RMIT podem reforçar estradas com entulho de construção e ligar reciclagem à construção civil.
Imagem: RMIT University / Divulgação.

O material desenvolvido combina máscaras descartáveis trituradas com agregado de concreto reciclado, conhecido pela sigla RCA. Esse agregado vem de entulho de construção processado e já pode ser usado em camadas inferiores de estradas, como base e sub-base.

A proporção considerada ideal no estudo foi de 1% de máscaras trituradas para 99% de RCA. Segundo os pesquisadores, essa combinação melhora o desempenho do material e mantém boa coesão entre os componentes. A proposta enfrenta dois problemas ao mesmo tempo: o descarte de EPI e o acúmulo de resíduos da construção civil.

Testes indicaram resistência para camadas de pavimento

As estradas são formadas por diferentes camadas, incluindo sub-base, base e o asfalto na superfície. Cada uma precisa resistir à pressão dos veículos, às deformações e ao risco de rachaduras, especialmente em vias que recebem tráfego pesado.

Nos testes descritos pela RMIT, a mistura com máscaras descartáveis apresentou desempenho adequado em resistência à tensão, ação da água, ácidos, deformação, resistência mecânica e propriedades dinâmicas. O material, segundo a universidade, atendeu às especificações relevantes da engenharia civil para a aplicação estudada.

Estudo usou máscaras não utilizadas e exige cuidado com segurança

Um ponto importante é que o experimento foi realizado com pequena quantidade de máscaras cirúrgicas não utilizadas. Isso significa que a pesquisa não elimina, por si só, os desafios sanitários envolvidos no reaproveitamento de máscaras descartáveis já usadas pela população.

A fonte menciona que outras pesquisas analisaram métodos de desinfecção e esterilização de máscaras usadas. Ainda assim, em escala real, seria necessário garantir coleta, triagem, descontaminação e processamento seguros. Sem esse controle, o risco sanitário poderia comprometer a aplicação ambiental da ideia.

Entulho de construção também é parte central da solução

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A proposta não depende apenas das máscaras. O agregado de concreto reciclado tem papel essencial porque forma a maior parte da mistura e dá base estrutural ao material. Na Austrália, segundo a RMIT, cerca de 3,15 milhões de toneladas desse tipo de agregado acabam adicionadas a estoques a cada ano, em vez de serem reutilizadas.

Ao incorporar máscaras descartáveis ao RCA, os pesquisadores tentam criar uma alternativa para reduzir estoques de entulho e, ao mesmo tempo, dar destino a resíduos plásticos gerados em massa. A força da solução está justamente na combinação entre dois fluxos de descarte que costumam ser tratados separadamente.

RMIT também avalia uso em concreto

Além da aplicação em estradas, a equipe da RMIT investigou o uso de máscaras descartáveis trituradas como material agregado para fabricação de concreto. Os resultados citados pela universidade são preliminares, mas indicam novas possibilidades para o reaproveitamento de EPI em materiais de construção.

O professor Jie Li, que lidera a equipe na Escola de Engenharia da RMIT, afirmou que a ideia surgiu ao observar máscaras descartadas nas ruas. A partir dessa constatação, os pesquisadores passaram a estudar como o pensamento de economia circular poderia transformar um problema ambiental em insumo para infraestrutura.

A pesquisa da RMIT mostra que máscaras descartáveis podem deixar de ser apenas símbolo do lixo pandêmico e entrar em uma discussão maior sobre pavimentação, reciclagem e construção civil. A mistura com entulho de construção reciclado apresenta potencial técnico para camadas de base de estradas, mas ainda depende de estudos, protocolos sanitários e validação em escala.

O tema também levanta uma pergunta importante para governos e empresas: resíduos difíceis de descartar devem ser tratados apenas como problema ou podem virar matéria-prima em obras públicas? Você acredita que máscaras descartáveis deveriam ser reaproveitadas em estradas, desde que passem por desinfecção e controle técnico, ou o risco ainda é alto demais? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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