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Marrocos aposta na força do mar e testa tecnologia inovadora para ampliar geração de energia limpa a baixo custo

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 09/12/2025 às 21:12 Atualizado em 09/12/2025 às 21:15
Startup marroquina desenvolve solução mais barata para transformar ondas do mar em energia elétrica, com testes em porto e data center.
Startup marroquina desenvolve solução mais barata para transformar ondas do mar em energia elétrica, com testes em porto e data center.
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Startup marroquina desenvolve solução mais barata para transformar ondas do mar em energia elétrica, com testes em porto e data center.

A força constante das ondas do mar volta ao centro do debate global sobre a transição energética. No Marrocos, uma startup local está testando uma tecnologia inovadora que promete reduzir drasticamente os custos de geração de energia a partir das ondas, tornando essa fonte limpa mais próxima da viabilidade econômica.

Embora o potencial das ondas seja reconhecido há décadas, a tecnologia ainda ocupa um espaço marginal no setor energético. Isso ocorre mesmo diante de números expressivos. Somente nos Estados Unidos, o movimento das ondas ao longo da costa poderia gerar até 1,4 trilhão de quilowatts-hora por ano, o equivalente a cerca de um terço de toda a eletricidade consumida no país.

Ainda assim, na prática, a energia das ondas segue restrita a projetos-piloto e iniciativas experimentais, ficando bem atrás de fontes como solar e eólica, que dominam as novas instalações renováveis ao redor do mundo.

Custos e desafios sempre limitaram essa fonte de energia

O avanço lento da energia das ondas tem explicações claras. Os custos de construção são elevados e o ambiente oceânico impõe desafios técnicos severos. Equipamentos ficam expostos à corrosão, à força das marés e, sobretudo, a tempestades que podem causar danos significativos.

Enquanto isso, fontes como a energia solar e a eólica avançaram rapidamente, beneficiadas por queda de preços, escala industrial e maior facilidade de instalação. Mesmo com a intermitência dessas fontes, elas se tornaram dominantes na matriz renovável.

É nesse cenário que entra a Empresa Avançada de Energias Renováveis da Terceira Era (Atarec), startup marroquina responsável pela tecnologia chamada Wave Beat. A principal inovação está na forma de instalação dos equipamentos.

“Em comparação com outros sistemas de energia das ondas, o custo inicial é reduzido em 70%”, afirma Oussama Nour, CEO e cofundador da empresa e também co-inventor da tecnologia.

Para alcançar essa redução, a Atarec evita construções complexas em mar aberto. Em vez disso, fixa seus dispositivos em estruturas já existentes, como quebra-mares e portos. No primeiro projeto-piloto, uma unidade foi instalada no porto de Tanger Med, um dos maiores da costa norte do Marrocos.

Como funciona a geração de energia a partir das ondas

O sistema utiliza uma boia flutuante, que acompanha o movimento vertical das ondas. À medida que sobe e desce, esse deslocamento é convertido em eletricidade, que pode ser integrada à rede local de energia.

Esse modelo traz uma vantagem relevante. Diferentemente da energia solar e da eólica, que dependem diretamente de condições climáticas específicas, a energia das ondas é mais previsível. Embora varie de acordo com vento, marés e localização geográfica, ela tende a estar disponível com maior regularidade.

No piloto marroquino, os dados iniciais indicam que a tecnologia gera energia cerca de 62% do tempo. Na mesma região, a energia solar opera, em média, apenas 18% do tempo, segundo Nour.

“Precisamos de uma combinação de vento, solar e ondas – e também de baterias”, diz o executivo.

Complemento estratégico à energia solar e eólica

Ao ocupar os intervalos em que o sol não brilha e o vento não sopra, a energia das ondas pode equilibrar a rede elétrica, especialmente em áreas costeiras. Essa complementaridade torna a fonte particularmente atrativa em regiões que buscam uma matriz predominantemente renovável.

No caso do Marrocos, com uma extensa costa e crescente demanda por energia limpa, o potencial é significativo. A tecnologia pode ajudar a estabilizar o fornecimento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Outro diferencial do Wave Beat está no design modular. A tecnologia pode ser instalada em diferentes escalas, com unidades de vários tamanhos. O maior modelo tem capacidade para gerar até 750 quilowatts.

No porto de Tanger Med, por exemplo, seria possível instalar mais de 100 unidades ao longo de todo o quebra-mar, quantidade suficiente para abastecer o porto inteiro e ainda fornecer energia às áreas industriais próximas.

Além disso, portos poderiam utilizar essa energia para produzir hidrogênio verde, amônia ou metanol, combustíveis que ganham espaço como alternativas mais limpas para o transporte marítimo.

Engenharia pensada para enfrentar tempestades

A resistência às condições extremas do oceano é outro ponto central do projeto. Em situações de tempestade, válvulas especiais se abrem, permitindo que a água entre nas boias. Com isso, elas afundam temporariamente, ficando protegidas abaixo da superfície.

Quando o clima melhora, as boias retornam automaticamente à posição de operação. Além disso, a instalação próxima ao quebra-mar facilita o acesso e reduz custos de manutenção, um fator crítico para projetos de energia no ambiente marinho.

A Atarec já levantou cerca de US$ 2 milhões em investimentos e prepara agora um piloto de maior escala. Paralelamente, testes laboratoriais estão sendo conduzidos com versões mais recentes da tecnologia.

A empresa também participa de um programa de incubação da Microsoft e planeja testar o sistema em um data center localizado na região litorânea, onde a geração própria de energia é estratégica para reduzir custos e emissões.

Atualmente, o custo da energia gerada pelo Wave Beat é cerca de 1,5 vez maior que o da energia eólica e pode chegar a três vezes o custo da energia solar. Mesmo assim, Nour acredita que a escala poderá mudar esse cenário.

A instalação já é quase três vezes mais barata do que outras soluções de energia das ondas, além de custar metade para operar. Com mais projetos, maior produção e amadurecimento tecnológico, a expectativa é reduzir preços e ampliar a competitividade dessa fonte dentro do mercado global de energia.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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