Destróier USS Patrick Gallagher, de 9.200 toneladas e 100.000 hp, entra em testes no mar antes da entrega à Marinha dos EUA, encerrando a linha Flight IIA enquanto a frota avança para navios Flight III, com sistemas mais modernos de radar e energia
A Marinha dos EUA iniciou a fase de testes no mar do destróier USS Patrick Gallagher (DDG-127), embarcação de 9.200 toneladas equipada com motores de 100.000 hp, em uma etapa decisiva antes da entrega oficial à frota.
O navio deixou o estaleiro da General Dynamics Bath Iron Works, no Maine, e entrou em mar aberto para avaliações de desempenho. A informação foi divulgada pela empresa em 28 de abril, após a saída da embarcação para os testes finais de pré-entrega.
Essa fase marca um momento importante para o programa, porque o USS Patrick Gallagher encerra a linha de produção Flight IIA com Inserção de Tecnologia. A partir desse ponto, a Marinha avança para os destróieres Flight III, considerados mais modernos.
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Marinha dos EUA testa destróier antes da entrega
Os testes no mar são conduzidos sob responsabilidade do construtor naval, e não sob comando direto da Marinha. O objetivo é confirmar se o navio atende aos padrões operacionais exigidos para ser aceito e integrado à frota.
O USS Patrick Gallagher foi construído como a última variante Flight IIA de Inserção de Tecnologia. Essa versão foi desenvolvida para manter o número de navios em operação enquanto projetos mais avançados entram em produção.
O destróier mantém o sistema de combate Aegis, já usado pela frota, e continua compatível com as operações em andamento. A embarcação também possui 96 células de lançamento vertical, voltadas a mísseis usados em missões de ataque, defesa aérea e guerra antissubmarino.
A continuidade desses sistemas tem peso no momento em que a Marinha prepara melhorias de radar e energia para os próximos navios. O modelo atual, portanto, funciona como uma ponte entre a linha Flight IIA e a nova geração Flight III.
Propulsão de 100.000 hp passa por avaliação no mar
O foco dos testes inclui propulsão, manobrabilidade, autonomia e integração de sistemas. O navio é impulsionado por quatro turbinas a gás General Electric LM2500, capazes de gerar cerca de 100.000 cavalos de potência no eixo.
Com esse conjunto, a expectativa é que o destróier alcance velocidades entre 30 e 31 nós. Esse desempenho equivale a aproximadamente 35 a 36 milhas por hora, dentro dos parâmetros previstos para a embarcação.
Os engenheiros realizam provas de velocidade em diferentes níveis de potência. Cada etapa registra dados de desempenho, permitindo comparar os resultados com os requisitos exigidos para aceitação pela Marinha.
Também são feitas avaliações de manobrabilidade, com medições da resposta do navio em curvas e da estabilidade durante mudanças de rumo. A embarcação ainda passa por testes de parada de emergência, que verificam a rapidez da interrupção do movimento a partir da velocidade máxima.
Nessa prova, a propulsão é invertida para medir a capacidade de desaceleração. O procedimento ajuda a avaliar o comportamento do navio em situações que exigem resposta rápida durante a navegação.
Sistemas funcionam juntos durante os testes
Os testes de resistência acompanham consumo de combustível, sistema de arrefecimento e condições dos gases de escape durante operação prolongada. As avaliações são feitas em direções opostas para reduzir interferências causadas por vento e correntes marítimas.
O rastreamento por GPS e os equipamentos de bordo coletam informações durante todo o processo. Esses dados permitem uma comparação precisa entre o desempenho real do destróier e os padrões definidos pela Marinha.
Ao contrário das avaliações isoladas de equipamentos, os testes no mar verificam o funcionamento dos sistemas em conjunto. A distribuição de energia é observada enquanto a propulsão, as máquinas auxiliares e os sistemas de bordo operam ao mesmo tempo.
Esse procedimento confirma se o fornecimento de energia permanece estável em toda a embarcação. Componentes mecânicos, tubulações e ventilação são acionados de forma sequencial e depois testados em conjunto.
Os engenheiros aumentam a carga gradualmente para identificar os limites de funcionamento. Testes considerados de maior risco, como os de potência máxima, são realizados sob supervisão rigorosa.
A equipe envolvida inclui funcionários da Bath Iron Works, entre eles mecânicos e operadores de sistemas. O trabalho segue procedimentos padronizados, com sequência definida de operações e medidas de segurança.
Os sistemas de combate não são totalmente testados nessa etapa. A prioridade permanece no desempenho de engenharia, na navegação e na capacidade do destróier de operar de forma segura no mar.
Navio homenageia Patrick Gallagher
O USS Patrick Gallagher leva o nome de um cabo do Corpo de Fuzileiros Navais que lutou no Vietnã. Patrick Gallagher nasceu na Irlanda, em 1944, mudou-se para os Estados Unidos em 1962 e entrou para os Fuzileiros Navais dois anos depois.
Em 18 de julho de 1966, durante uma batalha noturna perto de Cam Lo, ele agiu para proteger companheiros de granadas. Na ocasião, retirou um soldado de perigo e protegeu outro, evitando baixas.
Por esses atos, Gallagher recebeu a Cruz da Marinha. Ele morreu em combate em 30 de março de 1967, aos 23 anos.
O destróier que leva seu nome tem cerca de 156 metros de comprimento, 20 metros de boca e deslocamento aproximado de 9.200 toneladas. A tripulação é formada por cerca de 380 marinheiros.
O armamento inclui um canhão naval de 5 polegadas, sistemas de defesa de ponto e lançadores de torpedos. A embarcação também tem capacidade para operar dois helicópteros MH-60R, reforçando seu papel em missões navais da Marinha dos EUA.
