Marinha do Brasil lidera a Operação ACRUX XII com 700 militares, drones e forças da América Latina em megaoperação ribeirinha no Pantanal.
A Marinha do Brasil liderou entre os dias 20 e 25 de abril a Operação ACRUX XII, considerada a maior operação ribeirinha da América Latina. O exercício multinacional ocorreu em Corumbá e Ladário, no Mato Grosso do Sul, reunindo mais de 700 militares e embarcações de cinco países sul-americanos em uma ampla ação de treinamento e cooperação naval no Rio Paraguai.
Segundo informações da Agência Marinha de Notícias no dia 5 de maio, além da participação brasileira, militares da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai integraram a operação, que teve como foco principal o fortalecimento da interoperabilidade entre as marinhas da região. Durante cinco dias, os militares realizaram patrulhamento fluvial, desembarque tático, controle de tráfego na hidrovia, reconhecimento noturno com drones e simulações de retomada de áreas ocupadas por forças inimigas fictícias.
A Operação ACRUX XII também reforçou a relevância estratégica da hidrovia Paraguai-Paraná, uma das principais rotas econômicas da América Latina. O corredor fluvial é fundamental para o transporte de cargas e produtos agrícolas entre os países da região, especialmente para o Paraguai, que depende da rota para acesso ao oceano.
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Operação ribeirinha da Marinha do Brasil mobilizou forças de cinco países
A Operação ACRUX XII demonstrou a capacidade de integração militar entre países da América Latina em um ambiente considerado complexo para operações fluviais. Sob coordenação da Marinha do Brasil, o exercício reuniu meios navais, tropas especializadas e apoio aéreo em um trecho de aproximadamente 60 quilômetros do Rio Paraguai.
Ao longo da operação ribeirinha, militares executaram ações de patrulhamento, proteção da força-tarefa fluvial, batimento de margens e controle de tráfego aquaviário. O cenário escolhido no Pantanal sul-mato-grossense trouxe desafios adicionais por conta das características naturais da região, como áreas alagadas, vegetação densa e longas distâncias de navegação.
O Contra-Almirante Emerson Augusto Serafim, comandante do 6º Distrito Naval, destacou que o exercício foi estruturado para ampliar a atuação conjunta entre as forças participantes e fortalecer a capacidade de resposta em cenários multinacionais. Segundo ele, a operação também contribuiu para o intercâmbio de experiências e para o aperfeiçoamento do treinamento militar em ambiente ribeirinho.
A comissão ACRUX ocorre a cada dois anos desde 2001, sempre com organização rotativa entre os países participantes. Nesta edição, o Brasil assumiu a liderança da maior operação ribeirinha da América Latina.
Operação ACRUX XII empregou drones, aeronaves e embarcações militares
Um dos principais destaques da Operação ACRUX XII foi o uso de tecnologias de monitoramento e vigilância noturna. Nesta edição, drones equipados com sensores infravermelhos foram utilizados em larga escala durante os exercícios, ampliando a capacidade de reconhecimento em áreas de baixa visibilidade.
Os equipamentos permitiram identificar movimentações e fontes de calor durante as operações noturnas, aumentando a eficiência do monitoramento das tropas e das embarcações envolvidas na missão.
A Marinha do Brasil também empregou uma aeronave UH-12 em missões de esclarecimento, reconhecimento e apoio aéreo aproximado. O helicóptero atuou diretamente em suporte aos navios Monitor “Parnaíba” e Navio-Transporte “Paraguassu”.
Entre os principais meios utilizados na operação ribeirinha estiveram:
- Monitor “Parnaíba”
- Navio-Transporte “Paraguassu”
- Navio-Transporte “Almirante Leverger”
- Navios-Patrulha “Pirajá” e “Piratini”
- Navio de Apoio Logístico Fluvial “Potengi”
- Aviso de Apoio Fluvial “Barão de Melgaço”
- Agência Escola Flutuante “Esperança do Pantanal”
As forças estrangeiras também contribuíram com uma grande estrutura naval. A Argentina participou com cinco meios navais, enquanto Bolívia, Paraguai e Uruguai enviaram embarcações e tropas especializadas para a operação.
Exercício simulou assalto ribeirinho em ação noturna no Pantanal
Entre as atividades mais complexas da Operação ACRUX XII esteve um exercício de desembarque e assalto ribeirinho realizado durante a noite do dia 24 de abril. A simulação envolveu militares dos cinco países participantes em uma operação coordenada de retomada de território.
Durante a ação, os militares navegaram cerca de cinco quilômetros utilizando oito embarcações de transporte de tropas, duas lanchas do tipo “Guardian” e um bote de assalto. Após o desembarque, os pelotões avançaram mais cinco quilômetros por terra até alcançar uma base de treinamento utilizada como alvo da missão.
O cenário reproduzia uma instalação controlada por um inimigo fictício, incluindo um posto de controle de trânsito e uma base de operações simulada. O objetivo do treinamento foi aperfeiçoar técnicas de combate em áreas ribeirinhas e ampliar a integração operacional entre as forças da América Latina.
A operação ribeirinha exigiu comunicação precisa entre os militares e alto nível de coordenação tática. As ações noturnas também serviram para validar protocolos conjuntos de atuação em ambientes de difícil acesso.
América Latina fortalece cooperação naval na hidrovia Paraguai-Paraná
A Operação ACRUX XII possui importância estratégica não apenas para a defesa militar, mas também para a segurança econômica da América Latina. A hidrovia Paraguai-Paraná é considerada um dos principais corredores logísticos do continente e desempenha papel fundamental no transporte de mercadorias e commodities agrícolas.
O Capitão de Fragata DEM Galeano, integrante da Marinha do Paraguai e chefe do Estado-Maior Combinado da operação, ressaltou que o exercício fortalece a capacidade das forças navais de proteger a navegação regional e garantir a segurança do comércio fluvial entre os países participantes.
A integração militar promovida pela Marinha do Brasil durante a operação reforça a cooperação entre nações vizinhas em temas relacionados à segurança de fronteiras, proteção de rotas comerciais e combate a ameaças transnacionais.
Além do treinamento militar, a operação também ampliou o intercâmbio técnico entre os participantes. Oficiais e tripulações puderam compartilhar experiências relacionadas à navegação, logística e atuação em ambientes fluviais complexos.
Entre os objetivos centrais da Operação ACRUX XII estiveram:
- Fortalecer a interoperabilidade entre as marinhas sul-americanas
- Aperfeiçoar operações em ambiente ribeirinho
- Treinar respostas conjuntas em cenários multinacionais
- Garantir maior segurança à hidrovia Paraguai-Paraná
- Compartilhar experiências operacionais entre as forças participantes
Marinha do Brasil abriu navios para visitação pública em Corumbá
Além das atividades militares, a Operação ACRUX XII também promoveu aproximação entre as forças navais e a população local. Nos dias 17, 18 e 19 de abril, o Navio Multipropósito A.R.A. “Ciudad de Rosario”, da Argentina, e o Navio-Patrulha “Pirajá”, da Marinha do Brasil, ficaram abertos à visitação pública em Corumbá.
Mais de 800 pessoas visitaram as embarcações durante o período. Os visitantes puderam conhecer os equipamentos utilizados na operação ribeirinha, além das estruturas internas dos navios e detalhes sobre as missões realizadas na América Latina.
Entre os participantes da visitação esteve José Alberto de Amorim, ex-tenente do Exército Brasileiro, que relatou ter revivido experiências marcantes ligadas à navegação no Rio Paraguai. Já Viviane Amorim destacou a receptividade dos militares e chamou atenção para a presença feminina a bordo das embarcações, ressaltando a importância da representatividade nas forças armadas.
A iniciativa ajudou a aproximar a sociedade das atividades desenvolvidas pela Marinha do Brasil e despertou o interesse da população sobre a relevância estratégica da hidrovia para o desenvolvimento regional.
O que a Operação ACRUX XII revela sobre a segurança regional
A Operação ACRUX XII deixou evidente que a cooperação militar entre países da América Latina vem ganhando importância diante dos desafios atuais relacionados à segurança fluvial e à proteção das rotas comerciais estratégicas.
Ao reunir mais de 700 militares, dezenas de embarcações, aeronaves e tecnologias de monitoramento, a Marinha do Brasil demonstrou capacidade de coordenação em operações multinacionais de grande porte. O exercício também reforçou a relevância do Pantanal como ambiente de treinamento para missões ribeirinhas complexas.
Outro ponto importante foi a utilização de drones e sensores infravermelhos, evidenciando a modernização das operações militares na região. A integração entre tropas brasileiras, argentinas, paraguaias, bolivianas e uruguaias mostrou que o compartilhamento de conhecimento e experiências continua sendo essencial para fortalecer a segurança da hidrovia Paraguai-Paraná.
Ao final da operação, os representantes das marinhas participantes assinaram em Ladário a ata oficial da Operação ACRUX XII, consolidando os resultados alcançados e definindo recomendações para a próxima edição do exercício, prevista para acontecer em 2028, no Paraguai.
Com informações de Agência Marinha de Notícias.

