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Motor de rabeta elétrico recarregado com energia solar leva barco ribeirinho a 14 km/h sem uma gota de gasolina, roda até uma hora por carga e já tem patente da UFPA concedida pelo Inpi

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 08/11/2026 às 03:04 Atualizado em 08/11/2026 às 03:05
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Barcos coloridos de madeira atracados em trapiche à beira de um rio de águas barrentas, com um barco a motor navegando em primeiro plano.
Rabetas convencionais, a gasolina, em rio do Pará: é esse motor que a invenção da UFPA quer substituir. Foto: Filipe Bispo/O Liberal (Reprodução/O Liberal)
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Testado em barcos de madeira e alumínio na Ilha das Onças, em Barcarena, o motor de rabeta elétrico do Gedae entrega desempenho de um modelo a gasolina de 4,5 a 6,5 HP e ainda tem marcha à ré.

O motor de rabeta, aquele de eixo comprido com a hélice na ponta, é o que move a maior parte dos pequenos barcos da Amazônia. A Universidade Federal do Pará (UFPA) acaba de patentear uma versão sem gasolina. A UFPA informou em 23 de outubro de 2026 que obteve no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) o registro de uma rabeta elétrica com bateria recarregável em estação solar fotovoltaica.

A invenção nasceu no Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas (Gedae) da UFPA. O nome oficial é Sistema de Propulsão Elétrico Tipo Rabeta com Caixa de Redução, registrado sob o número BR 102025013842-5.

Qual a velocidade da rabeta elétrica da UFPA?

Nos testes, o motor de rabeta elétrico fez média de 10,6 km/h e chegou à máxima de 14,1 km/h. Os ensaios foram feitos em embarcações de madeira e de alumínio de moradores da Ilha das Onças, no município de Barcarena, na Região Metropolitana de Belém, segundo a UFPA.

O professor Wilson Negrão Macêdo, do Gedae, compara o resultado ao de um motor de rabeta convencional a gasolina, de 4,5 a 6,5 cavalos-vapor (HP), conforme relatou ao jornal O Liberal em 26 de outubro. A diferença está nos detalhes: resposta imediata de torque, velocidade de cruzeiro e marcha à ré, coisa que a rabeta a combustão tradicional não tem.

Quem pilota não precisa reaprender nada. O comando de direção continua igual, o motor de rabeta fica na traseira do barco e pode ser tirado de uma embarcação e instalado em outra.

Quanto tempo a bateria aguenta?

A autonomia estimada do protótipo do motor de rabeta é de 45 a 60 minutos por carga. Parece pouco, mas o equipamento foi pensado para o vaivém do dia a dia: deslocamento local, pesca artesanal e transporte de pessoas e produtos.

Na velocidade média dos testes, uma hora de bateria cobre cerca de 10 km de rio (conta nossa: 10,6 km/h vezes 1 hora). Na Amazônia, isso basta para muita travessia entre ilha e cidade.

“Na Amazônia, os rios são as estradas”, resumiu Wilson Macêdo ao Portal Amazônia, que reproduziu o comunicado da universidade.

O que a caixa de redução muda?

O Gedae já tinha criado uma primeira rabeta elétrica. A novidade da versão patenteada é a caixa de redução: o eixo do motor elétrico se liga ao eixo da rabeta por polias e correia.

Desenho técnico de um barco de madeira com o motor elétrico na popa e detalhe ampliado da bateria e da fiação.
Projeto do Sistema de Propulsão Elétrico Tipo Rabeta com Caixa de Redução, patente BR 102025013842-5. Foto: Arquivo do projeto/Gedae (Reprodução/UFPA)

“A caixa de redução otimiza a relação entre torque e velocidade, permitindo que o motor opere em sua faixa de maior eficiência, sem sobrecarregar o sistema elétrico nem superaquecer o controlador e o motor”, explicou o professor no comunicado da UFPA.

Tem um bônus para quem navega em igarapé. Quando a hélice bate em tronco ou em planta submersa, a correia pode deslizar e funcionar como proteção mecânica do motor. A correia também absorve vibração e reduz o barulho.

Como a energia solar entra na história?

A bateria é recarregada numa estação que pode estar ligada à rede elétrica ou funcionar sozinha, com painéis solares. Para comunidades ribeirinhas sem rede, a proposta da UFPA prevê pontos comunitários de recarga com energia solar e baterias de lítio.

A Ilha das Onças já conhece esse modelo. Lá, outra invenção patenteada do Gedae integra uma pequena rede elétrica solar que atende 11 residências e uma igreja e prevê a recarga de pequenas embarcações elétricas, segundo reportagem de O Liberal de julho de 2026. O Gedae existe desde 1º de novembro de 1994 e trabalha com energia solar e eólica para lugares fora da rede convencional.

Por que trocar a gasolina da rabeta?

O professor aponta três ganhos. Sai a emissão local de CO2, some o risco de gasolina e óleo vazarem nos igarapés e o ronco da rabeta fica para trás.

“O sistema elimina as emissões locais de CO2 e outros gases de efeito estufa, evitando o derramamento acidental de gasolina e óleo nas bacias e igarapés, e diminuindo, significativamente, a poluição sonora das rabetas convencionais”, disse Wilson Macêdo à UFPA.

No bolso, a UFPA cita a redução do gasto recorrente com combustível e lubrificante. O novo motor de rabeta dispensa a manutenção periódica de um motor a combustão, e as polias e correias são peças comerciais, fáceis de trocar. Para Wilson Macêdo, a energia solar na navegação pode baratear o transporte de açaí e pescado na Região Norte.

Quando a rabeta elétrica chega aos ribeirinhos?

A UFPA não marcou data para a chegada às comunidades. Segundo a universidade, a adoção depende de parcerias e de soluções que tornem o investimento acessível às comunidades. O professor diz que a concessão da patente abre caminho para transferir a tecnologia a empresas e montar parcerias de produção.

O próximo passo do Gedae, de acordo com a universidade, é ampliar os projetos-piloto em outras localidades do estuário amazônico.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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