Tuneladora fabricada na Alemanha será levada desmontada até a Califórnia para uma obra subterrânea no Vale do Silício, com estrutura projetada para reunir trilhos, plataformas, sistemas operacionais e áreas de segurança em um único túnel sob San José.
Uma tuneladora alemã de US$ 76 milhões será usada para abrir cerca de 8 quilômetros de túnel sob San José, na Califórnia, durante a expansão do BART no Vale do Silício.
Fabricado sob medida pela Herrenknecht, o equipamento terá quase 54 pés de diâmetro, o equivalente a cerca de 16,4 metros, e será transportado desmontado da Alemanha até os Estados Unidos.
A máquina integra o projeto BART Silicon Valley Phase II, conduzido pela Santa Clara Valley Transportation Authority, a VTA, responsável pela expansão ferroviária em Santa Clara County.
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Com esse trecho, o sistema ferroviário regional deve avançar de Berryessa/North San José até Santa Clara, passando pelo centro de San José e por áreas de conexão com outros serviços de transporte.
Segundo a VTA, o projeto completo terá cerca de 6 milhas, ou 9,8 quilômetros, com quatro estações, três plataformas subterrâneas, uma estação em nível de superfície e uma nova instalação de manutenção e armazenamento de trens.
A agência informa que a extensão foi projetada para atender 55 mil passageiros em dias úteis quando entrar em operação.
Túnel único vai concentrar trilhos e plataformas

A escolha por uma tuneladora desse porte está relacionada ao método de escavação definido pela VTA para o BART Silicon Valley Phase II.
Em vez de dois túneis menores, a agência adotou um túnel único de grande diâmetro, conhecido como single-bore, com capacidade para acomodar duas vias independentes, plataformas, trens, equipamentos operacionais e estruturas de segurança.
Esse modelo concentra parte da infraestrutura ferroviária em uma única estrutura subterrânea contínua.
De acordo com a VTA, a solução também permite manter ruas e avenidas em funcionamento durante a escavação em profundidade, reduzindo a necessidade de abertura prolongada de trechos na superfície.
A autoridade de transporte informa que o túnel terá diâmetro interno de 48 pés, enquanto o diâmetro externo ficará pouco abaixo de 52 pés.
A tuneladora terá medida superior porque precisa escavar espaço suficiente para o revestimento estrutural instalado conforme o avanço da máquina no subsolo.
Máquina será montada, testada e desmontada
A Herrenknecht, empresa alemã especializada em equipamentos de escavação personalizados, será responsável por projetar e fabricar a máquina usada no trecho subterrâneo.
Antes do transporte para a Califórnia, a tuneladora será montada, testada e desmontada na Alemanha, etapa prevista para verificar o funcionamento do equipamento antes do envio.
O embarque partirá de Kehl, na Alemanha, em direção à Califórnia, onde as peças serão levadas ao canteiro de obras para nova montagem.
Depois da chegada aos Estados Unidos, o equipamento será remontado no West Portal, área localizada no futuro Newhall Yard, entre Santa Clara e San José.

A VTA estima que a remontagem no local levará aproximadamente seis meses antes do início da escavação.
Quando estiver em operação, a máquina deverá avançar de 30 a 40 pés por dia em direção à estação Berryessa/North San José BART.
Trajeto passará sob San José e Santa Clara
O túnel começará ao sul da futura estação Santa Clara, dentro do Newhall Yard, e seguirá sob a I-880 e os trilhos da Caltrain.
A partir desse ponto, o traçado continuará em direção sudeste, passará por áreas próximas à Diridon Station e seguirá sob a Santa Clara Street até a futura estação Downtown San José.
Na sequência, a estrutura subterrânea fará uma curva em direção à futura estação 28th Street/Little Portugal.
Depois desse trecho, o túnel continuará sob a US 101 até emergir no East Portal, perto da Las Plumas Avenue e da Marburg Way, no lado leste da rodovia.
A escavação subterrânea deve durar de três a quatro anos, conforme estimativa da VTA para a abertura do trecho de cinco milhas.
Essa atividade fará parte do pacote de obras de túnel e trilhos da segunda fase da expansão ferroviária.
Como a tuneladora abre caminho no subsolo
Durante a escavação, a tuneladora usa uma cabeça de corte giratória instalada na parte frontal para romper solo, rocha e outros materiais encontrados no trajeto.
O material retirado segue por um sistema interno de transporte, enquanto segmentos de concreto são instalados para formar o revestimento definitivo do túnel.
A VTA compara o funcionamento da máquina ao de uma toupeira mecânica, porque o equipamento abre passagem em profundidade sem exigir a abertura contínua da superfície acima do traçado.
A explicação é usada pela agência para descrever o papel de tuneladoras em obras subterrâneas realizadas em áreas urbanas adensadas.
O revestimento do túnel será composto por grandes segmentos de concreto, instalados em anéis conforme o avanço da escavação.
Cada anel terá nove peças, e a previsão operacional é instalar até seis anéis por dia, de acordo com a estrutura preparada no West Portal.
A espessura desse revestimento considera a pressão da água e do solo ao redor, além de exigências de segurança em uma região sujeita a terremotos.
Também por esse motivo, a máquina foi projetada para operar em condições geológicas do South Bay, com presença de areia, cascalho, silte, argila e áreas de lençol freático elevado.
West Portal concentrará a operação da obra
O West Portal será o ponto de montagem, lançamento e apoio da tuneladora durante a fase de escavação.
A área receberá acessos internos, estacionamento operacional, espaços para equipes, estruturas de apoio, escavação do poço de lançamento e instalações para produção e armazenamento dos segmentos de revestimento.
Pelo mesmo local, a obra deve retirar o material escavado e enviar para dentro do túnel as peças de concreto que formarão as paredes da estrutura.
Também está prevista uma planta de graute, material aplicado para selar os segmentos de revestimento conforme a tuneladora avança pelo subsolo.
Outra instalação prevista é o compartimento de armazenamento temporário do solo retirado, conhecido em obras subterrâneas como muck.
Esse material poderá ser transportado para reaproveitamento ou descarte, conforme a destinação definida no processo de construção.
A VTA informa ainda que adotará medidas para reduzir impactos no entorno do canteiro.
Entre elas, está a instalação de uma cortina acústica no lado oeste da área, além da coordenação de rotas de caminhões e fases de obra com Santa Clara e San José.
Expansão terá pátio de manutenção em Santa Clara
Além do túnel, o futuro Newhall Yard receberá uma estrutura de manutenção e armazenamento de trens.
O complexo deve incluir oficina, lavagem de vagões, escritórios técnicos, pátio operacional e torre de controle, conforme a configuração prevista para o fim da linha em Santa Clara.
Segundo a VTA, essa instalação permitirá manter e guardar veículos do BART na própria região atendida pela expansão.
Sem o pátio local, os trens precisariam retornar ao East Bay ao final da operação diária, o que aumentaria a movimentação operacional do sistema.
A Administração Federal de Trânsito dos Estados Unidos informa que o projeto será desenhado e construído pela VTA, continuará sob propriedade da própria agência e será operado e mantido pelo BART.
O perfil federal do projeto, atualizado em 13 de abril de 2026, descreve o corredor como uma extensão de 6,1 milhas, com cinco milhas de túneis subterrâneos, 48 veículos ferroviários pesados, duas estruturas intermediárias de ventilação e saída, além de pátio de armazenamento e manutenção.
A VTA afirma que a tuneladora está entre as maiores máquinas do tipo já construídas, considerando o diâmetro previsto para o equipamento.
No Vale do Silício, a segunda fase do BART combina uma máquina fabricada na Alemanha com uma intervenção subterrânea que, após a conclusão, ficará em grande parte fora da vista de quem circular pelas ruas de San José.


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