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Mais de 70 rios no norte do Alasca ficaram laranja sem nenhuma fábrica por perto, e pesquisadores descobriram que o degelo do permafrost está liberando ferro e metais, alterando a química da água e ameaçando peixes, ecossistemas e comunidades locais

Publicado em 22/02/2026 às 12:50
Atualizado em 23/02/2026 às 14:34
Assista o vídeoAlasca: permafrost cria rios laranja, solta metais e muda a química da água, afetando peixes e comunidades.
Alasca: permafrost cria rios laranja, solta metais e muda a química da água, afetando peixes e comunidades.
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No norte do Alasca, mais de 70 rios passaram a exibir um tom laranja sem fábricas a montante, e equipes acadêmicas e do parque nacional ligaram o fenômeno ao degelo do permafrost, que libera ferro, sulfetos e metais, acidifica a água e desestabiliza ecossistemas atingindo peixes, insetos aquáticos e comunidades.

No Alasca, a ideia de água glacial azul e limpa virou contraste: em trechos remotos do norte, cursos d’água passaram a correr com uma coloração laranja intensa, sem indícios visíveis de despejo industrial e sem pontos óbvios de contaminação ao longo das margens. O que parecia impossível num dos ambientes mais intocados do planeta começou a se repetir em dezenas de rios.

A investigação ganhou força após observações feitas em 2018, quando pesquisadores retornaram à região para dar continuidade a levantamentos ecológicos e encontraram mudanças drásticas na água e na vida aquática. O padrão, antes tratado como algo local, apareceu em mais de 70 rios ao longo da última década, apontando para um processo amplo e conectado ao que acontece abaixo da superfície.

Rios laranja em uma paisagem sem “fonte” aparente

Aquecimento do Ártico deixa rios do Alasca vermelhos, ameaçando populações de salmão — Foto: Josh Koch/U.S. Geological Survey/The New York Times

Em cenários remotos, a primeira suspeita costuma ser um evento pontual: um deslizamento, uma descarga isolada, uma alteração temporária.

Só que, no norte do Alasca, a coloração laranja não ficou restrita a um único vale nem a um único verão. Ela surgiu em diferentes bacias, repetiu-se ao longo dos anos e, em alguns locais, coincidiu com sinais de queda acentuada na biodiversidade aquática.

O detalhe que mudou o rumo da apuração foi a ausência de um “culpado” típico.

Não havia fábrica, mina ativa ou canal visível despejando resíduos a montante. Isso deslocou a pergunta do “quem lançou algo no rio” para “o que o próprio território está liberando quando descongela”. E, nesse tipo de ambiente, o que está guardado no solo pode ser tão decisivo quanto o que está na superfície.

O permafrost descongela e a química subterrânea entra em cena

Grande parte do norte do Alasca repousa sobre permafrost, o solo que permanece congelado por anos seguidos e, em muitos pontos, por milhares de anos.

Quando esse “cofre” geológico começa a perder estabilidade, a água passa a circular por camadas que antes estavam isoladas do sistema hidrológico. Esse contato novo altera a composição do que chega aos riachos, especialmente nas cabeceiras.

Pesquisas iniciais associaram o fenômeno ao degelo do permafrost liberando minerais ricos em sulfeto, ferro e outros metais.

Um componente citado nesse processo é a pirita, que, ao ser exposta à água e ao oxigênio, entra em intemperismo químico, liberando substâncias que mudam a qualidade da água.

A cor laranja, nesse contexto, não é “tinta”: é sinal de ferro oxidado em partículas.

pH mais baixo, turbidez maior e metais elevados: o que isso indica na prática

Quando a coloração laranja aparece, ela costuma vir acompanhada de um conjunto de mudanças medíveis.

Um ponto crítico é a queda do pH, ou seja, a água fica mais ácida do que em riachos comparáveis que permanecem claros.

Essa acidificação é relevante porque altera a disponibilidade de nutrientes, a toxicidade de alguns elementos e a capacidade de sobrevivência de organismos sensíveis, sobretudo nos estágios iniciais de vida.

Outro sinal recorrente é o aumento de turbidez, a “opacidade” da água causada por partículas em suspensão.

Nesse caso, a turbidez tende a subir devido ao ferro e a partículas minerais, e análises indicaram metais elevados, incluindo ferro, alumínio, magnésio, zinco, níquel e outros oligoelementos.

Em conjunto, esses fatores transformam a água em um ambiente químico diferente, mesmo que o rio continue correndo no mesmo leito.

O efeito cascata: de microvida aquática a peixes e predadores

Em rios frios do norte do Alasca, a vida é altamente especializada. Macroinvertebrados, algas microscópicas e microrganismos que vivem nas superfícies submersas sustentam a base da cadeia alimentar.

Quando a água fica mais ácida e carregada de metais e partículas, essa base pode encolher rapidamente, e o impacto sobe degrau por degrau: menos alimento, menos abrigo, menos oxigenação efetiva em microhabitats.

Há indícios de perda de espécies de peixes em áreas afetadas e quedas severas nos macroinvertebrados. Parte dos peixes pode migrar para águas mais limpas, mas isso não resolve o problema do sistema como um todo: sem a microvida, os peixes deixam de encontrar as condições para permanecer, crescer e se reproduzir.

O que começa como química da água termina como rearranjo ecológico, com reflexos para animais que dependem desses peixes, como ursos e aves de rapina.

Termocárstico e “pontos” de água ácida: quando o solo colapsa

O degelo do permafrost não altera apenas o que vai para o rio, mas também o formato da paisagem. Em áreas onde o gelo do solo derrete, pode surgir um relevo irregular e encharcado, associado ao colapso de terreno, conhecido como termocárstico.

Nesses locais, formam-se zonas que funcionam como fontes de água mais ácida, capazes de afetar a vegetação de tundra e boreal antes mesmo de essa água alcançar os riachos.

Esses “pontos” de drenagem não se comportam como um único cano que você fecha. Eles podem estar espalhados por grandes extensões, e a água circula por caminhos subterrâneos variáveis.

Isso explica por que o fenômeno pode aparecer em muitos rios diferentes sem um único foco de poluição identificável, e por que a resposta tende a ser mais complexa do que soluções clássicas aplicadas em problemas localizados.

Quando a mudança desce a bacia: água de beber e pesca de subsistência

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Mesmo quando a alteração começa nas cabeceiras, ela não fica confinada lá.

À medida que o rio percorre a bacia, ferro e metais podem ser transportados para trechos mais baixos, afetando a captação de água e áreas onde comunidades dependem do rio para consumo e pesca de subsistência.

Em regiões remotas, a distância vira um multiplicador de risco: monitorar é difícil, intervir custa caro e a janela de resposta pode ser curta quando a água muda de comportamento.

O cenário também cria um desafio de percepção. A coloração laranja é um alerta visual forte, mas nem todo problema fica “pintado” na superfície, e nem toda água clara é quimicamente estável. A ameaça real está na soma: acidez, partículas, metais e perda de vida aquática, com impactos possíveis para saúde ambiental e para práticas culturais ligadas ao uso do rio.

O que pode ser feito, e por que a solução não é simples no Ártico

Há técnicas conhecidas para tratar água ácida e remover metais, como a adição de calcário para neutralizar a acidez, lagoas de decantação para reduzir partículas e barreiras reativas para filtrar contaminantes.

Em contextos como drenagem ácida de mineração, essas abordagens podem funcionar porque existe uma fonte mais delimitada e um local viável para instalar infraestrutura.

No norte do Alasca, a escala e a dispersão mudam tudo.

A acidez e o ferro não estariam vindo de um ponto controlável, mas de áreas extensas de permafrost em degelo, o que torna a remediação local limitada e, em alguns lugares, impraticável.

Ainda assim, há um caminho imediato que não depende de obras gigantes: mapear onde ocorre, comparar a química da água ao longo do tempo e antecipar onde pode acontecer depois, protegendo melhor a vida aquática e o abastecimento.

O Alasca virou um laboratório a céu aberto de como mudanças subterrâneas podem aparecer de forma dramática na superfície, sem chaminés, sem canos e sem o “vilão” fácil de apontar.

A água laranja é um sinal visível de uma transformação química ligada ao degelo do permafrost, com potenciais consequências para peixes, cadeias alimentares, paisagens e para quem vive da água e do que ela sustenta.

Quero te ouvir de um jeito bem direto e pessoal: se um rio perto de você mudasse de cor de um ano para o outro, qual seria a primeira coisa que você suspeitaria e por quê?

E, pensando no Alasca, você acha que a prioridade deveria ser investir mais em monitoramento constante ou tentar intervenções locais mesmo em áreas remotas? O que, na sua visão, seria uma resposta “justa” para quem depende desses rios para viver?

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Ismellis Nonsense
Ismellis Nonsense
27/02/2026 03:37

Bull shit story, no creeks or rivers named to pin data. Everyone’s afraid of permafrost thaw, article posted on 2/26 about observing iron rich and “metals” into the northern rivers. It February there are no river to observe in Alaska -40F is normal, the ice on lakes is 4-6ft thick rivers are virtually sealed.

Susan Taylor
Susan Taylor
26/02/2026 04:06

Im horrified.

Grace
Grace
25/02/2026 11:22

They need to monitor and try to correct this issue before its to late to save the water ways and all that depends on it, human, **** and vegetation life. I see Alaskan fish sold in stores every where and I WONT be purchasing any until this is addressed or resolved. God help the researchers.

Sue Steinacher
Sue Steinacher
Em resposta a  Grace
26/02/2026 16:53

The problem is an overall warming climate, which is more extreme in the Arctic. There are no local “corrections” to be made. The only fix is to reduce global CO2. Something our president thinks is all a hoax.

The rivers where this is being observed are far from the more southern river systems sustaining Alaska’s wild salmon, which are typically harvested at sea. There is no reason to stop buying wild Alaska salmon. Your purchase of wild Alaskan salmon helps support the groups working to keep Alaska’s salmon healthy and abundant.

You CAN oppose the Pebble mine, which would have massive impact on the wild salmon of Bristol Bay.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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