Localizada entre o Havaí e o México, a região reúne bilhões de toneladas de minerais estratégicos e também levanta dúvidas sobre riscos ambientais
Uma extensa área entre o Havaí e o México concentra bilhões de toneladas de nódulos polimetálicos no fundo do Oceano Pacífico.
A presença desses recursos colocou a Zona Clarion-Clipperton no centro do interesse de governos, empresas e setores ligados à tecnologia.
Algumas estimativas econômicas calculam que esses minerais podem valer até US$ 18 trilhões. Esse número, no entanto, não representa uma avaliação oficial.
-
Era só um passeio de stand-up paddle, mas ele pisou na única cobra venenosa do Reino Unido, levou uma mordida de víbora e terminou no hospital com a perna tão inchada que parecia uma “perna de elefante”
-
A Europa está fervendo: onda de calor intensa muda a rotina de milhões de pessoas, fecha escolas, pressiona redes elétricas e aumenta preocupação com novas mortes
-
Hélio da Silva não desistiu de plantar árvores numa várzea degradada de São Paulo mesmo vendo tudo arrancado, e criou uma floresta urbana de 40 mil árvores no Parque Linear Tiquatira
-
Uma cidade brasileira decidiu comprar um pedaço da Mata Atlântica com mais de 153 mil metros quadrados, e proprietários de áreas preservadas poderão apresentar propostas para transformar a floresta em unidade de conservação
A indústria ainda precisa superar obstáculos tecnológicos, econômicos, ambientais e regulatórios antes de iniciar uma exploração comercial em larga escala.
O que existe no fundo da Zona Clarion-Clipperton?
Os nódulos polimetálicos surgiram lentamente durante milhões de anos no leito marinho.
Essas formações rochosas cobrem grandes áreas localizadas a aproximadamente 4 mil metros de profundidade.
Sua composição concentra quatro metais estratégicos para diferentes setores industriais:
- Níquel: integra principalmente baterias para veículos elétricos;
- Cobalto: amplia a eficiência e a durabilidade das baterias;
- Manganês: participa da fabricação de ligas metálicas e de produtos siderúrgicos;
- Cobre: abastece equipamentos eletrônicos, redes elétricas e sistemas de energia.
A indústria considera a região, portanto, uma possível alternativa às reservas minerais exploradas em terra.
Desde julho de 2000, a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos administra as regras para prospecção e exploração desses nódulos.
Atualmente, empresas e países mantêm contratos de exploração na Zona Clarion-Clipperton. Essas concessões, contudo, ainda não autorizam uma mineração comercial ampla.

Por que esses minerais despertam tanto interesse?
A eletrificação dos transportes aumentou a procura por metais usados em baterias e sistemas de armazenamento de energia.
Redes elétricas e equipamentos ligados às fontes renováveis também consomem grandes quantidades de cobre, níquel, cobalto e manganês.
Segundo a Agência Internacional de Energia, esses materiais exercem funções importantes na transição energética e na fabricação de baterias.
Nesse contexto, governos e empresas avaliam os depósitos submarinos como uma possível fonte para atender parte da demanda industrial futura.
Mineração submarina pode causar impactos permanentes
O potencial econômico da região também desperta preocupações ambientais na comunidade científica.
Durante a coleta, máquinas retirariam os nódulos do leito marinho e destruiriam habitats usados por diversos organismos.
Os equipamentos também poderiam levantar grandes nuvens de sedimentos e afetar diferentes formas de vida em áreas extensas.
Ruídos e vibrações representam outro risco relevante. Esses efeitos podem prejudicar a orientação de peixes e mamíferos marinhos.
A ciência ainda conhece pouco sobre muitos organismos que vivem nas regiões abissais.
Por essa razão, pesquisadores defendem estudos mais aprofundados antes do início de qualquer exploração comercial em larga escala.
Disputa internacional definirá o futuro da exploração
A concentração desses minerais também alimenta uma disputa geopolítica entre países interessados em matérias-primas estratégicas.
Diversos governos tentam reduzir a dependência externa e fortalecer a segurança no fornecimento desses recursos.
As negociações internacionais ainda precisam definir quem poderá explorar os depósitos e como os países dividirão os benefícios econômicos.
Diante desse cenário, o futuro da Zona Clarion-Clipperton permanece indefinido.
Empresas defendem o início da mineração comercial. Em contrapartida, cientistas e organizações ambientais pedem maior proteção para os ecossistemas.
Esse debate deverá definir o equilíbrio entre desenvolvimento tecnológico, segurança energética e conservação dos oceanos.
