Vídeos recentes revelam comportamento pouco conhecido de um dos animais mais raros do Brasil, destacando tamanho impressionante, força para escavação, impacto ambiental e conflitos com atividades humanas em áreas rurais, segundo registros que viralizaram nas redes sociais.
Vídeos que circulam nas redes sociais nos últimos dias reacenderam a curiosidade sobre um animal pouco conhecido até mesmo por quem vive em áreas rurais do Brasil.
As imagens, divulgadas pelo canal Fatos Rurais, mostram um tatu de proporções incomuns cavando em uma propriedade particular e, em outra gravação, caminhando lentamente por uma estrada de terra.
O porte do animal e a facilidade com que movimenta o solo chamaram atenção e levantaram questionamentos sobre a espécie.
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As cenas viralizaram justamente por contrastarem com a imagem mais comum dos tatus vistos no país.
Diferente das espécies menores, o animal retratado nos vídeos é identificado como o tatu-canastra, apontado como o maior tatu do mundo.
Segundo as informações apresentadas pelo Fatos Rurais, trata-se de uma espécie rara, de hábitos solitários e noturnos, que passa grande parte da vida em túneis subterrâneos.
Tatu-canastra: espécie gigante e de difícil observação
Apesar de viver em regiões como o Pantanal, encontrar um tatu-canastra é descrito como um evento raro.
O animal sai principalmente à noite para se alimentar, com dieta baseada em formigas e cupins, e pode passar a maior parte da vida protegido dentro de tocas profundas.
Para quem tem a sorte de vê-lo, o impacto visual é imediato.
De acordo com o conteúdo apresentado pelo Fatos Rurais, o tatu-canastra pode chegar a 1,5 metro de comprimento, pesar até 60 quilos e possuir garras que alcançam 20 centímetros no terceiro dedo, consideradas as mais longas do reino animal.
Esse conjunto de características explica a capacidade de escavação que impressiona nos vídeos recentes.
Isabel, a tatu-canastra que mudou o conhecimento científico
Entre os exemplares citados, uma fêmea ganhou destaque internacional.
Batizada de Isabel, ela se tornou referência para pesquisadores por ajudar a revelar informações até então desconhecidas sobre a espécie.
Segundo o relato reproduzido pelo Fatos Rurais, até poucos anos atrás havia escassez de dados básicos sobre comportamento e reprodução do tatu-canastra.
Foi com o objetivo de investigar esse animal quase desconhecido pela ciência que, em 2010, o pesquisador Arnold des Bz, ligado ao Instituto de Conservação de Animais Silvestres, iniciou um trabalho no Pantanal utilizando armadilhas fotográficas.
No começo, ele teria passado noites tentando seguir a fêmea a pé e, ao amanhecer, procurava os buracos de suas tocas para confirmar sua passagem.

Documentário revelou primeiros registros de filhote
As descobertas associadas a Isabel ganharam projeção mundial em 2017.
Naquele ano, um documentário da BBC apresentou os resultados dos primeiros sete anos de monitoramento.
Entre as cenas destacadas no material citado pelo Fatos Rurais estão as primeiras imagens já registradas de um filhote de tatu-canastra.
As armadilhas fotográficas flagraram Isabel compartilhando uma toca com um macho.
Cerca de cinco meses depois, houve o registro do primeiro filhote.
Esse acompanhamento permitiu aos pesquisadores confirmar que a fêmea gera apenas um filhote por vez e esclarecer pontos até então desconhecidos, como aspectos da gestação.
Tocas subterrâneas criam abrigo para outras espécies
O monitoramento ao longo dos anos também ajudou a identificar as áreas preferidas pelo tatu-canastra.
Segundo as informações reunidas, a espécie costuma escolher os chamados murundus, pequenos campos elevados, geralmente com um cupinzeiro no centro e vegetação típica do Cerrado ao redor.
Nesses locais, o tatu escava suas tocas sob o cupinzeiro.

Essa estratégia oferece proteção contra predadores como jaguatiricas e onças-pardas.
As imagens feitas nas tocas associadas a Isabel mostraram ainda que, quando a fêmea não estava no local, dezenas de outras espécies utilizavam o espaço.
Pequenos roedores, tamanduás-mirim e até catetos foram registrados usando as tocas.
Os animais se aproveitam do local para se proteger do calor, fugir de predadores ou se refrescar.
O tatu-canastra, ao cavar, acaba alterando o ambiente e criando novos habitats, segundo o relato.
População reduzida e grandes áreas de vida
Estimativas citadas no material indicam que, em 2021, a densidade populacional seria de cerca de sete indivíduos a cada 100 quilômetros quadrados.
A área de vida de cada animal é estimada em aproximadamente 25 quilômetros quadrados.
Cada tatu pode percorrer mais de 1,5 quilômetro em uma única noite, especialmente os machos, que se deslocam mais quando buscam fêmeas no cio.
Dados do ICMBio mencionados pelo Fatos Rurais apontam uma redução de cerca de 30% na população do tatu-canastra ao longo de 24 anos.
Entre as principais ameaças citadas estão caça, desmatamento, atropelamentos em rodovias e incêndios.
Caso em Cassilândia expôs força da escavação
Mesmo raro, o tatu-canastra às vezes se envolve em situações que chamam atenção pela proximidade com áreas habitadas.
Um dos casos citados ocorreu em Cassilândia, no Mato Grosso do Sul.
No episódio, um animal com mais de 40 quilos colocou em risco a estrutura de uma casa ao escavar sob o imóvel.
A Polícia Militar Ambiental foi acionada após o funcionário de um sítio relatar que o tatu havia aberto um buraco com mais de 50 centímetros sob a residência.
Segundo o relato, a continuidade da escavação poderia causar o desabamento da casa.
Após tentativas sem sucesso de fazer o animal sair, a equipe precisou quebrar o contrapiso e escavar até encontrá-lo.
Sem ferimentos, o tatu foi devolvido à natureza.
Conflito entre tatu-canastra e apicultores cresce no campo
Outro ponto abordado pelo Fatos Rurais é o conflito entre tatus-canastra e apicultores, especialmente no Mato Grosso do Sul.
O desmatamento do Cerrado, descrito como um dos principais habitats da espécie, reduziu a oferta de alimento.
Com isso, o animal passou a buscar alternativas para sobreviver.
Com menos cupins e formigas disponíveis, o tatu-canastra passou a atacar colmeias em busca de larvas de abelhas.
Os prejuízos relatados chegam a milhares de reais para produtores de mel.
Há registros de represálias, incluindo a morte de animais, caracterizada como crime ambiental.
Pesquisadores apontam que a fragmentação do habitat isola os tatus em áreas com poucas opções de alimento.
De hábitos noturnos, o animal aprende rapidamente a acessar caixas de colmeias.
Vídeos mostram o tatu se pendurando, empurrando e insistindo até alcançar as larvas.
Esses episódios contribuíram para a imagem negativa da espécie entre produtores rurais.
Como conciliar a preservação de um dos animais mais raros do Brasil com a realidade de produtores que dependem diretamente do equilíbrio ambiental para manter suas atividades?


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