Liderado por Iasser Rebouh, da universidade russa RUDN, com a Universidade de Tanta, no Egito, o estudo combinou a azolla com adubação para descontaminar solos e adubar ao mesmo tempo. O ganho de quase 64%, porém, veio em vasos e com uma dose específica, não em lavoura aberta.
Uma pequena samambaia que flutua na água pode ajudar a limpar solos contaminados por metais pesados e ainda aumentar a colheita de arroz. Segundo o estudo realizado em 10 de junho, cientistas da Rússia e do Egito mostraram que a azolla (Azolla filiculoides) contribui para recuperar solos degradados e beneficiar o cultivo de arroz. O trabalho foi conduzido por Iasser Rebouh, da Universidade Russa da Amizade dos Povos, a RUDN, com colegas da Universidade de Tanta, no Egito, e divulgado no site da universidade, parceira da rede TV BRICS.
A azolla vive na superfície da água, acumula biomassa rápido e absorve nitrogênio do ar, o que permite seu uso como fertilizante natural. Segundo o material, a planta também reduz a presença de metais pesados nos solos ao reter essas substâncias em seus tecidos, em um processo conhecido como fitorremediação. Nos testes, feitos em vasos com solo contaminado por cobre, zinco e chumbo, a produtividade do arroz chegou a aumentar quase 64% na melhor combinação de doses.
Como a azolla ajuda a limpar solos contaminados

A protagonista do estudo é a azolla, uma samambaia aquática que cresce flutuando sobre a água. Segundo a reportagem, a planta acumula biomassa rapidamente e consegue absorver nitrogênio do ar, características que a tornam útil como fertilizante natural. Ao mesmo tempo, ela ajuda a tratar solos contaminados ao reter metais pesados em seus tecidos.
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Esse duplo papel une duas frentes que costumam andar separadas, a adubação e a limpeza dos solos. De acordo com Iasser Rebouh, da RUDN, a azolla permite combinar a fertilização natural com a fitorremediação, técnica que usa plantas para reduzir ou remover contaminantes do ambiente. O estudo foi feito em parceria com a Universidade de Tanta, no Egito.
O que o estudo testou e encontrou
Para avaliar o efeito nos solos, os pesquisadores plantaram arroz em vasos com terra contaminada por cobre, zinco e chumbo. Segundo o material, foram testadas diferentes doses de azolla fresca, de composto feito da planta e de fertilizantes minerais. O melhor resultado veio da combinação da dose recomendada de macronutrientes, com nitrogênio, fósforo e potássio, mais 5 toneladas de azolla fresca e 7 toneladas de composto de azolla por hectare.
Nessa combinação, a produtividade do arroz aumentou quase 64% em relação ao grupo de controle. De acordo com o estudo, o teor disponível de zinco e de cobre caiu para um nível seguro, e a qualidade dos solos melhorou, com mais matéria orgânica, maior retenção de nutrientes e melhor absorção de nitrogênio, fósforo e potássio pelas plantas. Vale lembrar que esses números vieram de um experimento em vasos.
Por que isso interessa à agricultura e ao meio ambiente
A proposta de recuperar solos sem gastar muito é o que torna a técnica atraente. Segundo Rebouh, a azolla une fertilização natural e fitorremediação, e isso seria especialmente importante para países em desenvolvimento, “onde os agricultores não podem arcar com métodos caros de limpeza do solo”. A ideia se apoia em transformar a biomassa da planta em adubo e em ferramenta de recuperação.
O pesquisador associa a abordagem aos princípios da economia verde e da agricultura circular. De acordo com o material, a tecnologia pode contribuir para uma produção de arroz mais segura e reduzir a pressão sobre o meio ambiente. O reaproveitamento da azolla, nesse sentido, evita o descarte e dá um novo uso à planta nos solos cultivados.
Os limites e os próximos passos
Apesar do resultado animador, é cedo para tratar a azolla como solução pronta para todos os solos. Os ganhos de quase 64% vieram de um experimento controlado em vasos, com uma combinação específica de doses, e não de uma lavoura a céu aberto. Em campo, com outros tipos de solo e de contaminação, os números podem ser diferentes.
Os próprios cientistas tratam o trabalho como uma etapa, e não como ponto final. Segundo o material, as próximas fases pretendem estudar a combinação da azolla com outras espécies de plantas e com microrganismos. Ou seja, a técnica é promissora para recuperar solos e melhorar o arroz, mas ainda precisa de mais testes antes de chegar à escala real.
A azolla mostra como uma planta simples pode, ao mesmo tempo, adubar e ajudar a limpar solos contaminados por metais pesados. Se confirmada em lavouras reais, a técnica pode oferecer uma saída barata para regiões que cultivam arroz e convivem com terras degradadas, sobretudo em países em desenvolvimento. Por enquanto, fica a promessa de unir produção de alimento e cuidado com o ambiente.
E você, conhecia o poder dessa samambaia aquática para recuperar solos e turbinar o arroz? Comente o que achou e troque ideias com outros leitores, com respeito às diferentes opiniões.

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