Registro científico feito no Camboja revela detalhes do maior peixe de água doce já documentado e reforça a importância da conservação no rio Mekong
Uma descoberta impressionante registrada no sudeste asiático colocou novamente os grandes peixes de água doce no centro da atenção científica mundial.
Pesquisadores documentaram uma raia-gigante do Mekong (Urogymnus polylepis) com 300 kg e 3,98 metros de comprimento, estabelecendo o novo recorde do maior peixe de rio já registrado.
A confirmação foi realizada pelo Guinness World Records, que certificou oficialmente o peso do animal.
Com isso, o recorde superou o antigo detentor do título, um bagre-gigante do Mekong de 293 kg capturado na Tailândia em 2005.
Além de marcar um feito histórico para a ictiologia, o registro chamou atenção para a preservação das espécies gigantes de água doce, muitas delas ameaçadas de desaparecimento.
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Expedição científica revelou o maior peixe de rio já registrado
A captura ocorreu durante uma expedição do projeto científico Wonders of the Mekong, coordenado pelo biólogo Zeb Hogan.
Na ocasião, pescadores locais alertaram a equipe sobre a presença de um animal incomum capturado no rio.
Assim que os cientistas chegaram ao local, o animal foi cuidadosamente medido e pesado.
Posteriormente, os pesquisadores instalaram um marcador acústico para monitoramento científico.
Em seguida, após a coleta de dados, a raia foi devolvida ao rio Mekong, procedimento considerado essencial para garantir a preservação da espécie.
O episódio também foi destacado pela publicação científica Discover Wildlife, que ressaltou o valor do registro para a compreensão da biodiversidade do rio.
Monitoramento da espécie usa tecnologia de rastreamento acústico
Após o registro do animal, os pesquisadores instalaram um chip de rastreamento capaz de acompanhar seus deslocamentos por cerca de um ano.
Para viabilizar esse monitoramento, foi utilizada uma rede de 36 receptores acústicos distribuídos ao longo dos rios Mekong e 3S.
Esses dispositivos captam os sinais emitidos pelo marcador instalado no peixe.
Dessa forma, os cientistas conseguem acompanhar os movimentos da raia no ambiente natural.
O sistema permite coletar dados sobre comportamento, deslocamento e habitat da espécie, considerada rara e pouco estudada.
Assim, o monitoramento pode ajudar pesquisadores a compreender melhor os hábitos desse animal que vive no fundo lamacento do rio Mekong.
Características impressionantes da raia-gigante do Mekong
A Urogymnus polylepis apresenta características únicas que explicam sua adaptação ao ambiente de rios profundos.
Entre os principais aspectos dessa espécie destacam-se:
• Peso máximo registrado: 300 kg
• Comprimento total: até 3,98 metros
• Habitat: fundo lamacento de grandes rios asiáticos
• Respiração: espiráculos localizados atrás dos olhos
• Estado de conservação: espécie ameaçada de extinção
Diferentemente de muitos peixes, a raia utiliza espiráculos para respirar, uma adaptação que permite permanecer parcialmente enterrada na lama.
Além disso, o animal possui uma cauda longa e fina capaz de provocar ferimentos, embora não seja considerado agressivo.
Comparação com o pirarucu, gigante dos rios amazônicos
Enquanto a raia domina os recordes no sudeste asiático, o pirarucu (Arapaima gigas) representa um dos maiores peixes de água doce da América do Sul.
Esse peixe é considerado o maior peixe escamoso de água doce do planeta.
Registros históricos indicam exemplares que alcançaram até 220 kg e 2,9 metros de comprimento, como o registrado em 2021 no rio Japurá, no Amazonas.
Entretanto, na natureza, indivíduos adultos geralmente apresentam entre 1,8 e 2,5 metros, com peso entre 90 e 160 kg.
As principais diferenças entre os dois gigantes incluem:
• Habitat: a raia vive no fundo do Mekong; o pirarucu habita várzeas amazônicas
• Respiração: a raia usa espiráculos; o pirarucu respira ar com bexiga natatória adaptada
• Peso máximo: 300 kg na raia; cerca de 220 kg no pirarucu
• Conservação: ambos enfrentam ameaças, embora o pirarucu possua programas de manejo no Brasil
A importância científica da descoberta no rio Mekong
A descoberta da raia-gigante representa mais do que um recorde mundial.
Ela também traz atenção para os desafios ambientais enfrentados pelo rio Mekong.
Atualmente, o ecossistema sofre impactos causados por barragens, poluição e pressão sobre os habitats naturais.
Como consequência, diversas espécies de peixes gigantes estão ameaçadas.
Um exemplo citado por pesquisadores é o peixe-espátula chinês, declarado extinto em 2020.
Por isso, o monitoramento da raia pode fornecer informações essenciais sobre a sobrevivência dessas espécies em ambientes cada vez mais pressionados.
O projeto Wonders of the Mekong espera que o registro estimule novas ações de conservação.
Quantos gigantes dos rios do planeta ainda permanecem escondidos nas águas profundas?


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