Líder venezuelano solicita que “soem os sinos da paz” e não “os tambores da guerra”, enquanto os EUA mantêm mobilização militar na região e o Pentágono anuncia a operação “Lança do Sul”
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um apelo direto aos que chamou de “irmãos cristãos” dos Estados Unidos para que “soem os sinos da paz” e evitem “os tambores da guerra”. O discurso foi realizado em meio à crescente tensão diplomática com Washington, após o anúncio de uma operação militar norte-americana no mar do Caribe.
Durante um encontro de oração pela paz em Caracas, Maduro expressou preocupação com o que considera uma possível ação da Casa Branca em território venezuelano. “Lançamos nossa mensagem da Venezuela aos cristãos dos Estados Unidos, aos cristãos da nossa América, para que levemos o estandarte da paz, da harmonia, do perdão e da misericórdia grande do Senhor”, afirmou o líder chavista.
A cerimônia, realizada no Palácio de Miraflores, contou com a presença de Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente e vice-presidente de Assuntos Religiosos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), além de representantes de várias denominações cristãs alinhadas ao regime. O evento, descrito como “oração pela paz”, teve forte tom político e buscou transmitir uma imagem conciliadora do governo em meio às tensões com os Estados Unidos.
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Operação “Lança do Sul” aumenta pressão sobre Caracas e acende alerta em Miraflores
O pronunciamento de Maduro ocorreu logo após o Pentágono anunciar a operação “Lança do Sul”, apresentada oficialmente como uma iniciativa para combater o narcotráfico na América Latina. No entanto, o governo venezuelano interpretou o movimento como uma ameaça direta à sua soberania.
No mesmo dia, Donald Trump afirmou já ter tomado uma decisão sobre uma eventual ação militar na Venezuela, mas declarou que “ainda não pode dizer”. Poucas horas antes, o jornal The Washington Post revelou que o presidente norte-americano se reuniu com o secretário de Guerra Pete Hegseth e outras autoridades para discutir estratégias militares voltadas à Venezuela.
Em outro evento oficial, o Encontro de Juristas em Defesa do Direito Internacional, Maduro reforçou o apelo, pedindo aos americanos que impeçam “a mão enlouquecida de quem ordena bombardear, matar e levar uma guerra à América do Sul e ao Caribe”. Sem mencionar nomes diretamente, o discurso foi entendido como um recado ao governo de Trump.
Segundo a Gazeta do Povo, a retórica pacifista do líder chavista ocorre em um momento de grande mobilização militar norte-americana e intensificação das sanções contra o regime. Analistas ouvidos pelo veículo apontam que a fala de Maduro busca internacionalizar a narrativa de ameaça externa e obter apoio religioso e diplomático em países vizinhos.
Discurso religioso contrasta com denúncias de perseguição a cristãos na Venezuela
Apesar do discurso conciliador voltado aos “irmãos cristãos” dos Estados Unidos, organizações internacionais afirmam que a liberdade religiosa na Venezuela tem sido duramente restringida nos últimos anos. O tom pacifista de Maduro, portanto, contrasta com denúncias de intimidação e repressão contra comunidades religiosas dentro do país.
No mês passado, o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos denunciou que integrantes de grupos conhecidos como “coletivos chavistas” teriam agredido e ameaçado fiéis que participavam de uma missa em Caracas. A celebração tinha como objetivo rezar pela libertação de presos políticos e homenagear os beatos venezuelanos José Gregorio Hernández e Carmen Rendiles.
Segundo relatos, após o término da missa, cerca de 20 motociclistas sem placa — identificados como membros desses grupos — cercaram os participantes e intimidaram familiares e defensores de presos políticos que se retiravam pacificamente. As ações, denunciadas pela ONG, reforçaram o clima de intolerância e controle ideológico nas atividades religiosas do país.
Relatórios apontam censura e intimidação a líderes religiosos
A ONG Portas Abertas, entidade internacional que monitora a perseguição religiosa em diversas nações, publicou um relatório em que aponta a Venezuela como um dos países latino-americanos onde a liberdade de culto está mais ameaçada. Segundo a organização, autoridades venezuelanas não toleram críticas ao regime durante sermões ou atividades eclesiásticas, especialmente em períodos eleitorais.
De acordo com o levantamento, pastores e líderes religiosos que se recusam a apoiar publicamente o governo são vítimas de retaliações, como cortes de energia, perseguições e ameaças. Um pastor entrevistado pela ONG relatou ter recebido a visita de um representante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) pouco antes das eleições, com a promessa de benefícios para igrejas que apoiassem o governo.
“Nunca me envolvi com política, apesar de ter minhas convicções. Minha missão é levar a mensagem de esperança e os ensinos de Cristo”, afirmou o líder religioso, que pediu anonimato por segurança. Segundo ele, dias após recusar a oferta, a igreja teve a energia cortada e o cabo principal arrancado. Outros líderes que também rejeitaram acordos similares teriam enfrentado punições semelhantes.
Contexto político e diplomático amplia incertezas
Esses episódios ocorrem em um contexto de crescentes tensões geopolíticas. O governo de Donald Trump mantém uma postura firme contra o regime chavista, enquanto Maduro tenta projetar uma imagem de “líder pacificador” diante da comunidade internacional.
A informação foi divulgada pela Gazeta do Povo, com base em declarações oficiais e relatórios de organizações civis que acompanham a situação política e religiosa da Venezuela. Especialistas em relações internacionais afirmam que o discurso religioso do chavista visa angariar apoio interno e externo, sobretudo entre países latino-americanos com forte base cristã.
Enquanto isso, a operação “Lança do Sul” segue em andamento no Caribe, e o clima entre Washington e Caracas permanece instável. A expectativa é que novas declarações de ambos os governos ocorram nos próximos dias, podendo definir o rumo das relações diplomáticas na região.

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