Fase 2 das obras já passou de 50% e prevê conclusão do preenchimento de solo em 2050
A Dinamarca está afundando 80 milhões de toneladas de solo no Mar Báltico para erguer uma ilha artificial em Lynetteholm Copenhague. O projeto vai abrigar 35 mil moradores quando concluído.
A obra também serve como defesa climática para a capital dinamarquesa. Com nível do mar subindo, Copenhague fica cada vez mais exposta a tempestades.
O Parlamento dinamarquês aprovou o projeto em junho de 2021, com placar de 85 votos a favor e 12 contra. Foi um dos consensos políticos mais raros do país.
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Segundo a documentação técnica do projeto, a obra começou em outubro de 2022 com a Fase 1. A primeira parte foi entregue em 2024.
De fato, a Fase 2 das obras já passou de 50% em agosto de 2025. Foram entregues 5,2 dos 8,6 km de dique de pedra previstos.
Conforme reportou o Time Magazine, o conceito é simples mas ambicioso. Reutilizar solo de obras civis da região para criar 275 hectares de terra nova.

Como funciona o projeto Lynetteholm Copenhague
O projeto Lynetteholm Copenhague é executado pela By & Havn, empresa pública do Porto de Copenhague. A contratada principal é a Per Aarsleff A/S.
Conforme relatou o Dezeen, o investimento total chega a 20 bilhões de coroas dinamarquesas. São cerca de 2,7 bilhões de euros.
O financiamento é autossustentável. Por isso, a By & Havn vai vender lotes na ilha quando ela ficar pronta para reaver o investimento.
Em paralelo, o material usado é solo de origem local. Conforme análise do Architect’s Newspaper, são 80 milhões de toneladas de solo escavado de outras obras civis em Copenhague.
Dessa forma, a logística envolve cerca de 350 caminhões por dia atravessando a cidade. O fluxo gera críticas de moradores de bairros impactados.
De fato, o ritmo de despejo é tão intenso que vai durar quase 30 anos. O preenchimento total de solo só termina em 2050.

Por que Lynetteholm Copenhague serve como defesa climática
A função dupla é o que diferencia Lynetteholm Copenhague de outros projetos de reclamação de terra. Além de habitação, a ilha protege contra elevação do mar.
Conforme análise do CNN Style, a Dinamarca enfrenta riscos crescentes de tempestades de surge. O nível do mar do Báltico subiu 17 cm desde 1900.
Por isso, a península artificial vai funcionar como anteparo natural. Vai segurar inundações antes que cheguem aos bairros antigos da capital.
Em paralelo, o ex-primeiro-ministro Lars Løkke Rasmussen anunciou o projeto em outubro de 2018. “A capital está em desenvolvimento rápido. Copenhague vai ficar sem terrenos disponíveis”, disse Rasmussen.
Dessa forma, Lynetteholm resolve dois problemas ao mesmo tempo: terreno escasso e proteção climática. Esse pacote raro garantiu apoio transversal.
Conforme detalhamento do Travel Tomorrow, o ex-prefeito Frank Jensen também apoiou o plano. Era raro alinhamento entre governo nacional e municipal.

Os dados técnicos da maior obra urbana da Dinamarca
O projeto Lynetteholm Copenhague tem dimensões impressionantes. A área total será de 275 hectares, equivalentes a 385 campos de futebol oficiais.
Conforme dados do The Civil Engineer, o perímetro de defesa terá 7 km de diques de pedra.
De fato, a integração urbana inclui extensão da linha de metrô de Copenhague. Também tem um túnel portuário ligando os distritos de Nordhavn e Refshaleøen.
Em paralelo, o projeto arquitetônico é dos escritórios COWI, Arkitema e Tredje Natur. A ilha vai ter 35 mil postos de trabalho além das 35 mil residências.
- Área total: 275 hectares (385 campos de futebol)
- Solo total: 80 milhões de toneladas
- Diques de pedra: 8,6 km (Fase 2)
- Investimento: 20 bilhões DKK (2,7 bilhões EUR)
- Residentes previstos: 35.000
- Empregos: 35.000
- Aprovação: Junho de 2021 (85×12 votos)
- Conclusão soil filling: 2050
Controvérsia ambiental com o Báltico em Lynetteholm Copenhague
Apesar do apoio político interno, Lynetteholm Copenhague enfrenta críticas internacionais. A Coalition Clean Baltic publicou manifesto contra o projeto em setembro de 2023.
Conforme a coalizão, a península artificial pode bloquear o fluxo de água salgada e oxigenada para o Báltico. A redução estimada chega a 0,5% do influxo total.
Por outro lado, percentualmente parece pouco. Em paralelo, o Báltico é mar fechado e qualquer redução de fluxo pode afetar toda a ecologia regional.
Dessa forma, a Suécia mantém objeções formais ao projeto. Há disputa pelo acordo Espoo de impacto ambiental transfronteiriço.
De acordo com o Bloomberg, críticos acusam a Dinamarca de “greenwashing”. O argumento é priorizar defesa local sobre saúde ecossistêmica regional.
Em maio de 2023, um EIA suplementar afirmou que a qualidade de água de banho da costa de Copenhague seria mantida. Mas o parecer ainda é contestado.
Para um caso comparativo da megaengenharia europeia, vale ler a cobertura do Click Petróleo e Gás sobre infraestrutura no Ártico.
O que Lynetteholm significa para cidades portuárias brasileiras
O projeto Lynetteholm Copenhague oferece referência para o Brasil. Cidades como Santos, Vitória e Salvador enfrentam riscos climáticos similares.
Conforme análise de economistas da Universidade de Copenhague em 2024, o ganho de bem-estar do projeto chega a 136 bilhões DKK. São cerca de 18 bilhões de euros em valor agregado.
Por isso, modelos brasileiros de Parceria Público-Privada poderiam replicar a lógica. Capacidade de financiamento existe, mas falta engenharia institucional.
Em paralelo, o modelo dinamarquês é referência para o setor de óleo e gás europeu. Portos resilientes garantem continuidade operacional de cadeias logísticas.
De fato, a Dinamarca é hub crítico para energia offshore báltica. Os parques eólicos flutuantes do mar local dependem de portos de operação como Copenhague.
Para mais sobre megaobras europeias, vale conferir a cobertura do Click Petróleo e Gás sobre o terminal Yamal LNG.
Vale notar que o projeto Lynetteholm ainda enfrenta riscos. Estudos hidrológicos suplementares podem forçar redesenho ambiental nos próximos anos.
Apesar disso, o cronograma segue firme. Em 2050, Copenhague vai ter um novo bairro de 275 hectares no que hoje é mar aberto.

