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Lula quer Brasil com reator nuclear, supercomputador e independência tecnológica: plano bilionário prevê 2% do PIB em ciência, IA própria, produção nacional de fertilizantes e repatriação de cientistas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/12/2025 às 15:01
Atualizado em 07/12/2025 às 15:25
Brasil planeja elevar investimentos em ciência, criar IA própria, expandir infraestrutura estratégica e repatriar cientistas até 2034.
Brasil planeja elevar investimentos em ciência, criar IA própria, expandir infraestrutura estratégica e repatriar cientistas até 2034.
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Estratégia nacional projeta salto em ciência e tecnologia, aposta em IA em português, reator multipropósito e retorno de pesquisadores para reduzir dependências e ampliar autonomia até 2034.

O governo federal apresentou um plano de dez anos para reduzir a dependência tecnológica do Brasil e ampliar investimentos em pesquisa.

A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034 foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 6ª reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e prevê elevar o investimento público e privado em ciência e inovação de cerca de 1,2% para 2% do PIB até 2034, além de consolidar projetos como um reator nuclear multipropósito, a expansão do supercomputador Santos Dumont, modelos próprios de inteligência artificial em português e um programa bilionário de repatriação de cientistas.

Plano de dez anos para ciência e inovação

A estratégia tem como lema “CT&I para um Brasil justo, desenvolvido e soberano” e organiza a política de ciência e tecnologia em quatro grandes frentes.

Expansão e consolidação do sistema nacional de pesquisa, estímulo à inovação empresarial, projetos de soberania em áreas tecnológicas críticas e ações voltadas ao desenvolvimento social estruturam o documento.

O texto reúne diretrizes discutidas na 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em 2024 após 14 anos, e agora seguirá para consulta pública até 20 de dezembro.

Ao receber a estratégia, Lula afirmou que o plano está integrado à agenda de reindustrialização e que a retomada da política industrial depende de investimento contínuo em ciência e tecnologia.

Dependência tecnológica e áreas críticas

Na reunião, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, apresentou diagnóstico sobre os principais pontos de vulnerabilidade do país.

Segundo ela, o Brasil mantém forte dependência externa em semicondutores, minerais estratégicos, fertilizantes, fármacos, energia limpa, tecnologias digitais e soluções climáticas, setores considerados prioritários para autonomia nacional.

A ministra declarou que “ter soberania é reduzir a dependência” e defendeu uma política de Estado para recuperar capacidade produtiva e científica.

Lula reforçou o argumento ao dizer que “ainda não conseguiu convencer o empresariado a investir em pesquisa” e que o Estado precisa agir de forma mais robusta quando o capital privado não assume riscos.

Brasil planeja elevar investimentos em ciência, criar IA própria, expandir infraestrutura estratégica e repatriar cientistas até 2034.
Brasil planeja elevar investimentos em ciência, criar IA própria, expandir infraestrutura estratégica e repatriar cientistas até 2034.

O plano prevê investimento de 2% do PIB em pesquisa até 2034, além de R$ 1 bilhão em cinco anos para repatriação de cientistas, com R$ 200 milhões anuais destinados ao programa.

Também vincula o esforço de inovação aos R$ 180 bilhões previstos para o setor automotivo dentro da política industrial Nova Indústria Brasil.

Infraestrutura científica: reator, laboratório de nível máximo e monitoramento climático

A Estratégia de CT&I se integra ao PAC, que inclui projetos de grande porte para reforçar a infraestrutura científica.

Entre eles está o Sirius, maior acelerador de elétrons da América Latina, que ganhará três novas linhas de luz e terá integração com o NB4, primeiro laboratório brasileiro de contenção biológica máxima.

O governo afirma que a conexão entre essas estruturas permitirá estudos avançados sobre vírus de alto risco, ampliando a capacidade nacional de resposta a pandemias.

Outro projeto central é o Reator Multipropósito Brasileiro, desenvolvido com a Argentina, que deve reduzir a dependência de radiofármacos, hoje importados em cerca de 80%.

O plano também reforça a expansão do Cemaden, que monitora enchentes e deslizamentos e atualmente cobre 73% da população em pouco mais de mil municípios.

A meta é estender o serviço a aproximadamente 1.900 cidades mais vulneráveis.

Inteligência artificial em português e supercomputador Santos Dumont

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial reúne ações para infraestrutura, formação e desenvolvimento de soluções de IA no país.

O governo criou oito Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia dedicados à IA, com foco em indústria, políticas públicas e modelos de linguagem.

O supercomputador Santos Dumont passou por atualização e retornou ao ranking dos 500 maiores do mundo, integrando também o grupo dos 100 sistemas mais potentes, com destaque em eficiência energética.

A ministra Luciana Santos mencionou o Maritaca, apontado por especialistas como um dos modelos mais avançados de linguagem em português, e defendeu a produção nacional de tecnologias que representem adequadamente o país.

O governo também citou o avanço do modelo piauiense SoberanIA, voltado à soberania digital e uso em políticas públicas.

Programa de repatriação de cientistas

Brasil planeja elevar investimentos em ciência, criar IA própria, expandir infraestrutura estratégica e repatriar cientistas até 2034.
Brasil planeja elevar investimentos em ciência, criar IA própria, expandir infraestrutura estratégica e repatriar cientistas até 2034.

Entre os anúncios considerados inéditos está o programa de retorno de pesquisadores brasileiros que atuam no exterior.

O CNPq coordena a ação, que prevê R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos.

Mais de 2.500 pesquisadores demonstraram interesse, com 599 projetos aprovados, 248 prontos para convocação e 251 em planejamento de retorno.

Cerca de 34% dos projetos envolvem redes com instituições do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, para reduzir desigualdades regionais na produção científica.

O governo também atualizou regras do CNPq para evitar prejuízos na carreira de pesquisadoras após a maternidade.

Seis programas apoiam mulheres na ciência, incluindo uma iniciativa de R$ 100 milhões, com 6 mil beneficiárias.

Defesa, inovação militar e aplicações civis

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que países do Sul Global enfrentam obstáculos adicionais para alcançar autonomia tecnológica.

Segundo ele, projetos militares complexos funcionam como motores de inovação.

Entre os exemplos citados estão o Programa Nuclear da Marinha, o cargueiro KC-390 e ações de defesa cibernética com uso de IA e computação quântica, tecnologias que posteriormente encontram aplicações civis.

Compromisso com a ciência e disputa climática internacional

Lula encerrou o encontro reafirmando compromisso com a ciência após anos de cortes e negacionismo.

Ele também citou a COP30, defendendo que o Brasil ocupa posição de destaque na transição energética.

O presidente afirmou que o país já opera com 53% de energia renovável, enquanto nações europeias projetam metas inferiores para 2050.

Na matriz elétrica, cerca de 90% da geração nacional vem de fontes limpas.

O conjunto de metas apresentado pelo governo — que envolve reator nuclear, supercomputador, IA em português, produção nacional de insumos e repatriação de cientistas — levanta a questão: será suficiente para reduzir de forma duradoura a dependência tecnológica brasileira nas próximas décadas?

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Marcos Paulo
Marcos Paulo
09/12/2025 17:38

Se não for mas já é o começo da independência

WALDECIR GOMES BANDEIRA
WALDECIR GOMES BANDEIRA
09/12/2025 07:27

IMAGINEM O TANTO DE DINHEIRO PÚBLICO QUE ESSA QUADRILHA COMANDADA POR ESSE GOVERNO VAI DESVIA (ROUBAR) SE ESSAS OBRAS SAIREM DO PAPEL.
ALEM DE QUE NAO SERÃO CONCLUÍDAS.
JA VIMOS ISSO ACONTECER NUM PASSADO NEM TÃO DISTANTE.
LULA E BOM COM ARROZ E BRÓCOLIS.

Lucas Alman Monders
Lucas Alman Monders
08/12/2025 16:37

Bela mentira, Brasil não tem dinheiro para o básico para a população, imagina construir reator de bilhões de dólares, até 2034 as IAs vão estar obsoletas, ciência e tecnologia a gente ensina desde o primário escolar, para que a população cresça sabendo que a ciência é importante, coisa que nunca foi feita pelos governos petistas, ele só recorrem a ciência e tecnologia quando querem fazer propaganda para si mesmos!

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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