ANP leiloa sete blocos de petróleo no pré-sal com participação da Petrobras e 14 multinacionais. Setor aposta em alta arrecadação e transição energética.
O governo brasileiro realiza, nesta quarta-feira (22), mais um importante leilão de petróleo no polígono do pré-sal. Conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a concorrência reúne 15 empresas nacionais e estrangeiras, entre elas a Petrobras, interessadas em expandir sua atuação nas maiores reservas de petróleo do país.
A sessão pública faz parte do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção (OPP), e ocorre na sede da ANP, no Rio de Janeiro, a partir das 10h. A iniciativa integra a política energética nacional que busca equilibrar competitividade, segurança energética e transição para uma economia de baixo carbono.
Blocos estratégicos e alta disputa pelo pré-sal
Nesta edição, a ANP disponibilizou 13 blocos, mas o interesse do mercado se concentrou em sete áreas localizadas nas bacias de Santos e Campos, regiões conhecidas por sua relevância geológica e produtiva.
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90 bilhões de barris de petróleo, 1.669 trilhões de pés cúbicos de gás natural e 84% das reservas prováveis em áreas offshore estão sob o Ártico e o degelo que abre rotas marítimas e expõe esse tesouro energético está transformando o Polo Norte em uma disputa estratégica entre EUA, Rússia, China e Canadá por petróleo, gás, navegação e poder militar
Os blocos em disputa são:
- Bacia de Santos: Esmeralda e Ametista
- Bacia de Campos: Citrino, Itaimbezinho, Ônix, Larimar e Jaspe
A Petrobras já exerceu o direito de preferência para operar 40% do bloco de Jaspe, conforme previsto pela Lei 12.351/2010 e pelo Decreto Federal 9.041/2017, reforçando seu protagonismo nas operações do pré-sal.
Empresas de peso mundial participam da rodada
Entre as companhias habilitadas, há três brasileiras — Petrobras, Prio e Brava Energia (antiga 3R Petroleum) — e 12 multinacionais representando potências energéticas globais.
As estrangeiras incluem BP (Reino Unido), Chevron (EUA), Ecopetrol (Colômbia), Equinor (Noruega), Karoon (Austrália), Petrogal (Portugal), Petronas (Malásia), QatarEnergy (Catar), Shell (Reino Unido/Holanda), TotalEnergies (França) e as chinesas Sinopec e CNOOC.
Antes de participar, cada empresa deve apresentar garantias financeiras e técnicas à ANP, comprovando capacidade operacional e compromisso com os investimentos exigidos.
Modelo de partilha garante retorno à União
O leilão segue o modelo de partilha de produção, no qual o vencedor não é definido pelo maior lance financeiro, mas pela maior parcela de excedente de petróleo oferecida à União.
Esse excedente representa o lucro líquido da produção após os custos e garante uma receita contínua ao Estado, além de tributos, royalties e participações especiais.
Segundo a ANP, esse sistema é mais vantajoso para o país em áreas de alto potencial, como o pré-sal, pois assegura uma fatia relevante dos ganhos ao governo brasileiro.
A gestão dos interesses da União é realizada pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME). A PPSA também é responsável por leiloar o petróleo que cabe à União.
Em junho de 2025, a PPSA vendeu 74,5 milhões de barris de petróleo, gerando cerca de R$ 28 bilhões em arrecadação — uma das maiores da história recente do setor.
Oferta Permanente amplia competitividade e previsibilidade
A Oferta Permanente (OP) é hoje o principal mecanismo de licitação de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil. Diferentemente das rodadas tradicionais, esse modelo permite que os blocos permaneçam disponíveis continuamente, possibilitando às empresas estudarem os dados técnicos e definirem o melhor momento para apresentar suas propostas.
De acordo com a ANP, essa flexibilidade aumenta a atratividade e a previsibilidade do ambiente de negócios, tornando o Brasil um destino mais competitivo no cenário global.
“Essa flexibilidade tem tornado a Oferta Permanente um instrumento essencial para fomentar a competitividade e atratividade do setor no Brasil”, afirma a ANP.
Além disso, a modalidade acelera o aproveitamento de áreas já ofertadas em licitações anteriores, contribuindo para um uso mais eficiente do potencial energético nacional.
Transição energética: foco em menor pegada de carbono
Embora o petróleo ainda seja um recurso fóssil essencial na matriz energética, a ANP reforça que as OPPs estão alinhadas à política de transição energética. A agência destaca três frentes principais de atuação:
- Baixa pegada de carbono no pré-sal: A produção nas reservas do pré-sal tem emissões inferiores à média mundial, devido à alta produtividade e tecnologia de captura e reinjeção de CO₂.
- Redução de emissões operacionais: Os contratos firmados pela ANP exigem medidas concretas para diminuir a intensidade de carbono nas atividades de exploração e produção.
- Investimentos em inovação: As cláusulas contratuais obrigam as empresas a investirem em pesquisa e desenvolvimento, com foco crescente em projetos de energia renovável e descarbonização.
Essas ações reforçam o papel da ANP e do MME em promover um setor petrolífero mais sustentável e alinhado às metas globais de redução de emissões.
Margem Equatorial ganha destaque no novo ciclo exploratório
O novo leilão ocorre dois dias após a Petrobras receber licença do Ibama para iniciar a perfuração na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. A região, localizada ao norte do país, é apontada como o “novo pré-sal”, devido ao seu elevado potencial de petróleo leve e baixo teor de enxofre.
O bloco FZA-M-059, originalmente arrematado pela britânica BP em 2013, será o primeiro a ser perfurado sob a nova autorização ambiental.
A Margem Equatorial tem ganhado destaque nas últimas rodadas da ANP. No 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), realizado em junho, 34 blocos foram arrematados, sendo 19 localizados nessa região, o que demonstra o interesse crescente das empresas internacionais por novas fronteiras exploratórias.

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