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Lava de vulcão recém-endurecida parecia um deserto sem vida, mas micróbios chegaram quase imediatamente e revelaram uma pista poderosa sobre como procurar vida fora da Terra

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 30/04/2026 às 08:45
Atualizado em 30/04/2026 às 18:01
Lava de vulcão recente na Islândia é colonizada por micróbios e ajuda cientistas a pensar na busca por vida em Marte.
Lava de vulcão recente na Islândia é colonizada por micróbios e ajuda cientistas a pensar na busca por vida em Marte.
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Estudo conduzido na Islândia acompanhou fluxos recentes de lava de vulcão formados entre 2021 e 2023 e identificou a chegada rápida de micróbios a terrenos recém-endurecidos, em um processo que pode ajudar cientistas a entender como procurar sinais de vida em outros planetas.

A lava de vulcão recente na Islândia começou a ser colonizada por micróbios quase imediatamente após endurecer, revelando como a vida pode retornar a ambientes aparentemente estéreis. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade do Arizona, acompanhou fluxos do vulcão Fagradalsfjall, no sudoeste islandês, após erupções registradas entre 2021 e 2023.

As erupções lançaram lava sobre a tundra e, em alguns momentos, cobriram fluxos formados em episódios anteriores. Esse cenário criou uma oportunidade rara para observar a sucessão primária, processo em que organismos passam a ocupar um local que antes não abrigava vida.

A pesquisa reuniu ecologistas e cientistas planetários para acompanhar como comunidades microbianas se formam em novas paisagens terrestres. O trabalho também oferece pistas sobre a busca por sinais de vida em outros mundos, especialmente em ambientes com rochas vulcânicas semelhantes às encontradas na Terra.

Lava de vulcão criou laboratório natural na Islândia

O vulcão Fagradalsfjall entrou em erupção três vezes entre 2021 e 2023, permitindo que os pesquisadores observassem novas superfícies de lava logo após sua formação. Como a lava recém-expelida sai do solo a mais de 2.000 graus Fahrenheit, ela é completamente estéril no início.

Esse ambiente funcionou como uma espécie de tela em branco para acompanhar a chegada dos primeiros organismos. A ausência inicial de vida permitiu analisar, desde o começo, quais micróbios conseguiam alcançar e permanecer sobre as rochas vulcânicas recém-formadas.

O primeiro autor do estudo, Nathan Hadland, estudante de doutorado no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, descreveu a lava recente como um laboratório natural. A equipe buscou entender como os micróbios colonizam superfícies que acabaram de sair de uma condição extrema e sem qualquer comunidade biológica anterior.

Para rastrear a origem dos micróbios, os cientistas coletaram amostras de várias fontes possíveis. O material incluía lava que havia esfriado apenas algumas horas antes, água da chuva, aerossóis, solo próximo e rochas ao redor da área estudada.

Depois da coleta, os pesquisadores extraíram DNA das amostras para identificar os organismos presentes. Métodos estatísticos avançados e aprendizado de máquina foram usados para apontar como diferentes ambientes contribuíram para a formação das comunidades microbianas na lava de vulcão.

Micróbios chegaram antes de plantas e animais

Os fluxos recentes de lava pareciam sem vida à primeira vista, com superfícies negras, irregulares e sem sinais visíveis de organismos. Mesmo assim, a pesquisa mostrou que micróbios começaram a ocupar essas áreas muito antes da chegada de plantas ou animais.

A lava recente é um dos ambientes mais difíceis para a sobrevivência. Apesar da abundância de chuva na Islândia, as rochas vulcânicas não retêm água por muito tempo e praticamente não oferecem nutrientes aos organismos recém-chegados.

Solange Duhamel, professora associada de biologia molecular e celular da Universidade do Arizona, afirmou que esses fluxos estão entre os ambientes com menor biomassa da Terra. Ela comparou as áreas estudadas à Antártida e ao Deserto do Atacama, no Chile, por começarem como superfícies praticamente vazias.

As amostras revelaram que organismos unicelulares colonizaram rapidamente a lava recente. A descoberta mostrou que, mesmo em um ambiente hostil, a vida microscópica consegue se estabelecer logo após a formação de novas terras.

A diversidade microbiana aumentou durante o primeiro ano depois de uma erupção. Após o primeiro inverno, porém, essa diversidade caiu de forma acentuada, indicando que nem todos os micróbios conseguiam resistir às condições locais.

Hadland avaliou que apenas certos micróbios sobreviveram ao frio e às mudanças do ambiente. Nos invernos seguintes, as alterações foram menores, e a comunidade microbiana passou a apresentar um padrão mais estável.

Os primeiros colonizadores foram micróbios capazes de suportar pouca água, poucos nutrientes e rochas que secam rapidamente depois da chuva. Com o passar do tempo, novos organismos chegaram por meio da chuva e de terrenos próximos, ajudando a comunidade a crescer lentamente.

Água da chuva mudou a origem da vida microscópica

Uma das descobertas mais marcantes do estudo envolveu o papel da água da chuva na colonização da lava de vulcão. No início, os micróbios encontrados na superfície pareciam vir principalmente do solo levado pelo vento e de aerossóis depositados sobre a lava.

Depois do primeiro inverno, a principal fonte de novos micróbios passou a ser a água da chuva. Essa mudança foi observada de forma consistente nas três erupções acompanhadas pelos pesquisadores.

A água da chuva não é estéril, pois micróbios presentes no ar podem participar da formação de nuvens e gotas. Isso indica que organismos minúsculos podem influenciar processos atmosféricos e, ao mesmo tempo, ajudar a semear novos ambientes terrestres.

Duhamel destacou que a grande mudança registrada após o inverno chamou atenção pela repetição do padrão. A consistência ao longo das três erupções surpreendeu a equipe, que não esperava observar o mesmo comportamento de forma tão replicável.

A possibilidade de acompanhar três erupções no mesmo local foi um dos pontos centrais do trabalho. Hadland ressaltou que a natureza ofereceu uma espécie de triplicata natural, algo raro em estudos ambientais.

Estudo ajuda busca por vida fora da Terra

O estudo representa a primeira análise detalhada da sucessão primária microbiana desde o momento em que novas paisagens terrestres se formam. A repetição das erupções no mesmo vulcão permitiu comparar eventos semelhantes em condições naturais.

As descobertas também interessam à investigação sobre Marte. Grande parte da superfície marciana apresenta rochas vulcânicas parecidas com as da Terra, e a atividade vulcânica pode ter criado períodos breves em que a vida foi possível.

Ao compreender como micróbios colonizam lava recente na Terra, cientistas ganham mais elementos para pensar onde e como procurar sinais de vida em outros planetas. A lava de vulcão, antes vista apenas como paisagem recém-destruída, passa a ser observada como ponto inicial para o retorno da vida microscópica.

O estudo foi publicado na revista 
Communications Biology .

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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