Belov aguarda a aprovação final dos projetos de engenharia para iniciar um contrato de cerca de R$ 50 milhões no Campo de Itaparica, na Bahia.
O Campo de Itaparica, na Baía de Todos os Santos, deverá receber uma operação de descomissionamento que reúne diferentes especialidades da indústria offshore. A Belov, à frente de um consórcio com a Braserv, prepara o abandono definitivo de cinco poços marítimos e a desativação de seis jaquetas. Em atualização divulgada no início de outubro de 2026, a empresa informou que os projetos de engenharia estavam na fase final de aprovação, com expectativa de iniciar os trabalhos em campo nos dias seguintes.
A operação será realizada em águas rasas e faz parte de um contrato firmado com a Petrobras. O trabalho não se limita à retirada das estruturas metálicas. Antes e durante essa etapa, serão necessárias atividades técnicas que envolvem intervenções nos poços, operações subaquáticas e tratamento dos materiais removidos.
Resultado da licitação amplia perspectivas da Belov no Nordeste
A conquista do projeto de Itaparica também influencia os planos da Belov para disputar novos contratos. Segundo o diretor da empresa, Juracy Gesteira Vilas-Bôas, a proposta apresentada pelo consórcio ficou significativamente abaixo do valor oferecido pelo segundo colocado na licitação. Para o executivo, o resultado indica que a companhia pode ser competitiva em outros serviços semelhantes.
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A presença da Belov na Bahia é um dos fatores considerados nessa avaliação. Em entrevista à Portos e Navios, Vilas-Bôas apontou o Rio Grande do Norte e Sergipe como mercados de interesse para futuros trabalhos de descomissionamento de jaquetas. A empresa também procura fortalecer parcerias que permitam disputar projetos em outras regiões, incluindo a Bacia de Santos.
Desmonte de navios e trabalhos em Madre de Deus integram experiência da empresa
A atuação da Belov no descomissionamento não começou com o contrato de Itaparica. A companhia já participou do desmonte de dois navios, operação que permitiu aproveitar componentes das embarcações em balsas e uma draga. O aço que não foi reutilizado teve como destino a reciclagem.
Outro trabalho realizado pela empresa envolveu os faroletes do canal de acesso ao Terminal Madre de Deus (Temadre), na Bahia. Essas atividades integram a experiência acumulada pela Belov no segmento e se somam à estrutura mantida pela companhia para serviços marítimos e subaquáticos.
O estaleiro do grupo, localizado no estado, oferece suporte a atividades de descomissionamento de navios e plataformas fixas e flutuantes. Essa capacidade também abrange trabalhos de desmantelamento e preparação de materiais para reciclagem. A fonte não detalha, porém, quais serviços específicos da operação de Itaparica serão executados nas instalações do estaleiro.
Abandono dos poços explica associação com a Braserv
Embora disponha de engenharia e estrutura próprias para executar grande parte das atividades de descomissionamento, a Belov também recorre a parceiros quando determinados projetos exigem competências específicas. No Campo de Itaparica, a necessidade de realizar o abandono permanente dos poços antes da retirada das jaquetas está entre os fatores que levaram à formação do consórcio com a Braserv.
A companhia trabalha com diferentes frentes operacionais, entre elas logística marítima, gestão ambiental, engenharia e serviços subaquáticos. Também utiliza levantamentos técnicos conhecidos como survey e veículos subaquáticos operados remotamente, chamados de ROVs, além de contar com parcerias para atividades de mergulho.
O descomissionamento de plataformas fixas permanece como o principal foco da Belov. Entretanto, as associações com empresas especializadas permitem que o grupo participe de serviços relacionados a unidades flutuantes, complementando sua estrutura de acordo com as necessidades de cada projeto.
Contrato de R$ 50 milhões abrange preparação, remoção e destinação das estruturas
O projeto foi conquistado pelo consórcio no fim de 2025, enquanto a formalização do contrato com a Petrobras ocorreu em março de 2026. O valor é estimado em R$ 50 milhões, dentro de uma contratação do tipo EPRD, sigla para Engenharia, Preparação, Remoção e Disposição.
Esse formato reúne serviços que vão desde o planejamento técnico até o encaminhamento final dos materiais retirados. No Campo de Itaparica, as atividades previstas abrangem diferentes frentes de trabalho:
- Poços marítimos: abandono permanente de cinco poços e serviços de arrasamento.
- Estruturas metálicas: reabilitação estrutural das jaquetas quando aplicável e remoção das estruturas previstas no contrato.
- Linhas e materiais associados: retirada de linhas e sucatas metálicas existentes na área de intervenção.
- Levantamentos técnicos: realização de survey e elaboração dos projetos necessários ao descomissionamento.
- Tratamento dos materiais: descontaminação e destinação final dos componentes removidos.
O contrato prevê o descomissionamento integral de seis jaquetas, além das intervenções necessárias nos poços marítimos. A execução dependerá da conclusão das aprovações dos projetos de engenharia, que ainda estavam em andamento na atualização divulgada pela empresa em outubro.
Com a entrada em campo, o consórcio passará da preparação técnica para as intervenções marítimas previstas no contrato. Até a última informação divulgada, entretanto, o início efetivo dessas atividades permanecia como uma expectativa anunciada pela Belov.
