Durante o verão em São Francisco, um grupo de jovens liderado pelo engenheiro Riley Walz causou um congestionamento de carros autônomos da Waymo, em uma pegadinha que simulou um ataque cibernético de “negação de serviço”
Durante o verão americano, o engenheiro de software Riley Walz, de 23 anos, decidiu transformar suas férias em uma experiência inusitada. Ao lado de alguns amigos, ele elaborou uma pegadinha que chamou de “Waymo DDoS”, inspirada no termo usado para descrever ataques cibernéticos de negação de serviço.
O plano, segundo Walz, era simples: reunir 50 pessoas em uma rua sem saída de São Francisco e fazer com que todas solicitassem corridas pela Waymo, empresa que opera carros autônomos semelhantes ao Uber.
Congestionamento inusitado de carros sem motorista
O resultado foi um caos momentâneo. Nenhum dos participantes entrou nos veículos, e, após cerca de dez minutos, os carros partiram sozinhos, cobrando de cada solicitante uma taxa de não comparecimento de US$ 5.
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A Waymo, por sua vez, precisou acionar motoristas humanos para remover os veículos da área e chegou a bloquear temporariamente o serviço na região, devido ao congestionamento provocado pela ação.
O que significa DDoS
O termo DDoS, sigla para “negação de serviço distribuída”, descreve ataques que sobrecarregam servidores até tirá-los do ar.
Walz comparou sua brincadeira com esse tipo de ataque, já que as solicitações simultâneas congestionaram brevemente a rede da Waymo.
Reações e limites das pegadinhas tecnológicas
A façanha rapidamente viralizou na internet, gerando opiniões divergentes. Enquanto alguns riram da criatividade, outros alertaram sobre possíveis riscos à segurança e à mobilidade urbana.
Walz, cofundador da empresa de dados Numerous.ai, afirmou que suas pegadinhas são curiosas, não maldosas — embora caminhem na linha entre a sátira e o teste de sistemas tecnológicos.
Com informações de AutoPapo.
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Em 1968, o engenheiro italiano Giorgio Rosa decidiu colocar em prática um sonho que parecia impossível: criar uma ilha em águas internacionais e transformá-la em uma nação livre de burocracias.
Seu plano era simples, mas ousado. Ele queria construir uma plataforma no Mar Adriático, além do limite do território italiano, e declarar sua independência.
O projeto começou dez anos antes, em 1958, financiado com recursos próprios. Mesmo enfrentando resistência das autoridades marítimas da Itália, Giorgio persistiu.
Ele acreditava que poderia provar que um homem comum era capaz de fundar um país a partir do zero.
A estrutura foi erguida com concreto e aço, sobre pilares firmemente cravados no fundo do mar. Quando finalmente terminou a obra, Giorgio proclamou o local como uma nova nação: a República da Ilha das Rosas.
Um símbolo de liberdade em plena contracultura
A iniciativa surgiu em um momento turbulento da história. O mundo ainda sentia os efeitos da Segunda Guerra Mundial, enquanto os anos 1960 traziam ventos de mudança.
A juventude protestava, as mulheres lutavam por direitos e a contracultura se espalhava.
Nesse contexto, a pequena ilha se tornou um símbolo de liberdade. Jovens começaram a visitá-la com frequência, atraídos pela ideia de viver sem regras.
O local virou uma espécie de refúgio alternativo, com bar, restaurante, loja de souvenires e até um pequeno correio.
Cartas e pedidos de cidadania chegavam de várias partes do mundo. Para muitos, Giorgio era um visionário que havia criado um paraíso livre. Para o governo italiano, porém, ele era uma ameaça.
Tempestades, resistência e o início do fim da ilha
Na primeira noite em que dormiu na ilha, Giorgio enfrentou uma violenta tempestade. O vento quase o lançou ao mar.
Qualquer outra pessoa teria desistido, mas ele não. Acreditava tanto em seu projeto que perfurou o fundo do mar com uma sonda para captar água doce — e conseguiu.
A coragem impressionava, mas também irritava as autoridades. A movimentação crescente de visitantes e o discurso de independência começaram a incomodar o governo da Itália, que passou a vigiar a plataforma.
Apesar disso, Giorgio seguia firme. O projeto original previa cinco andares, mas apenas metade do primeiro foi concluída. Ainda assim, a ilha resistiu por 55 dias após sua inauguração.
A explosão que encerrou um sonho
Em 1969, o governo italiano decidiu acabar com o experimento. A Marinha tomou o controle da estrutura e iniciou a destruição.
Ao contrário do que mostra o filme inspirado na história, a Ilha das Rosas não foi explodida de uma vez só.
Foram necessárias duas rodadas de explosivos, aplicadas em dias diferentes, para causar danos significativos à estrutura.
Mesmo assim, a plataforma resistiu parcialmente — um testemunho da habilidade do engenheiro. O colapso final veio com outra tempestade, que afundou o que restava da construção.
Durante meses, partes da ilha ainda podiam ser vistas na superfície do Adriático.
O golpe final foi cruel: além de perder a ilha, Giorgio Rosa teve que pagar as despesas da operação militar que a destruiu.
Ele quitou a dívida aos poucos, com o salário de professor, profissão que passou a exercer depois do episódio.
Ilha das Rosas: da destruição ao renascimento nas telas
Décadas depois, a história de Rosa inspirou o filme “A Incrível História da Ilha das Rosas”, lançado pela Netflix.
O diretor Sydney Sibilia reconstruiu a plataforma em tamanho real — cerca de 400 metros quadrados — em uma gigantesca piscina de mar represado na ilha de Malta.
As filmagens enfrentaram dificuldades parecidas com as do próprio engenheiro, reforçando o quanto seu projeto havia sido ambicioso.
Mesmo com o fim trágico, a Ilha das Rosas continuou a despertar curiosidade. Quarenta anos depois, mergulhadores encontraram restos da plataforma no fundo do mar e levaram fragmentos à superfície.
Um deles, um simples tijolo, foi entregue a Giorgio com uma dedicatória simbólica: “Um pedacinho de um sonho para um grande sonhador.”
Giorgio Rosa morreu em 2017, aos 92 anos. Morreu sem sua ilha, mas com o reconhecimento de ter transformado um sonho improvável em um dos episódios mais extraordinários da engenharia e da liberdade humana.
Com informações de Portal Litoral Sul.
