Moradora da Gardênia Azul, no Rio, Isabelle Lemos foi aprovada em Stanford e em outras quatro universidades dos Estados Unidos após uma trajetória marcada por escola pública, bolsa de estudos e preparação acadêmica.
A carioca Isabelle Lemos, moradora da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi aprovada para cursar Aeronáutica e Astronáutica na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.
A estudante também recebeu aceite de outras quatro instituições americanas: University of Rochester, Wesleyan University, University of Notre Dame e Dartmouth College.
Segundo a CNN Brasil, Isabelle deve iniciar o curso em setembro.
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Stanford registra taxa de admissão inferior a 4% e seleciona menos de 2,2 mil estudantes entre mais de 55 mil candidatos por ano, conforme informado pela reportagem.
A entrada da brasileira ocorre após uma trajetória que reuniu escola pública, bolsa de estudos, preparação acadêmica e participação em programas voltados a estudantes de baixa renda.
Filha de mãe solo e ex-aluna da rede pública, Isabelle conciliou diferentes rotinas de estudo durante parte da formação.
No percurso até a candidatura internacional, ela passou por escola municipal, ingressou no Ismart, instituto que apoia jovens de baixa renda com alto desempenho acadêmico, e depois participou do Prep Program, iniciativa da Fundação Estudar voltada à preparação para universidades no exterior.
O interesse por ciência começou antes da fase de candidaturas.
De acordo com a estudante, o contato com livros de astronomia na infância teve influência de uma tia, que a levava a livrarias e bibliotecas.
A partir desse primeiro contato, a área espacial passou a fazer parte de seus interesses acadêmicos e, mais tarde, do projeto de formação em engenharia.
De Gardênia Azul para Stanford
A mudança no percurso escolar de Isabelle ocorreu durante a pandemia, quando ela estava no 7º ano.
Nesse período, a estudante ingressou no Ismart, sigla para Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos.
A organização identifica alunos de baixa renda e oferece suporte para ingresso e permanência em colégios particulares.
Com a bolsa, Isabelle passou a estudar no Colégio pH no turno da tarde, enquanto mantinha as aulas na escola municipal pela manhã.
A rotina passou a exigir adaptação entre dois ambientes escolares, com cargas de estudo diferentes e novas demandas acadêmicas.
Em entrevista à CNN Brasil, a estudante afirmou que a entrada no projeto alterou suas perspectivas.
“Estar no projeto transformou minha vida em 100%. Eu era uma aluna de escola pública que sempre se destacou muito ali dentro, mas que estava restrita àquele ambiente. Quando eu entrei no Ismart, meu mundo girou”, disse.
A declaração mostra, pela visão da própria aluna, como o acesso a uma nova rede de ensino ampliou seu repertório acadêmico.
A partir desse momento, a preparação deixou de se concentrar apenas no desempenho escolar regular e passou a incluir atividades extracurriculares, olimpíadas científicas e processos seletivos mais amplos.

Preparação para universidades no exterior
No ensino médio, Isabelle participou do Prep Program, da Fundação Estudar.
Segundo a estudante, a iniciativa ofereceu orientação para organizar a preparação, buscar oportunidades e lidar com a rotina exigida pelas candidaturas.
“Durante essa jornada, recebi toda a orientação e suporte que precisava, na organização, na busca por oportunidades, no acompanhamento mental e físico”, afirmou Isabelle.
A preparação envolveu diferentes frentes.
Além dos estudos escolares, a jovem participou de olimpíadas científicas, desenvolveu projetos extracurriculares e se preparou ao mesmo tempo para vestibulares brasileiros e processos seletivos internacionais.
As candidaturas a universidades dos Estados Unidos consideram, em geral, histórico acadêmico, redações, cartas de recomendação e atividades desenvolvidas ao longo da formação.
No caso de Isabelle, o interesse por engenharia de sistemas orbitais e missões espaciais aparece ligado à trajetória construída desde a infância.
O caminho também exigiu que a estudante organizasse objetivos acadêmicos em outro idioma e em um modelo de seleção diferente do vestibular brasileiro.
Enquanto as provas nacionais costumam concentrar grande peso no desempenho em exames, os processos internacionais avaliam um conjunto mais amplo de informações sobre o candidato.
Livros de astronomia e escolha pela engenharia
O interesse de Isabelle pela área espacial começou em casa, antes da preparação formal para universidades estrangeiras.
Segundo ela, uma tia teve papel importante nesse primeiro contato com ciência ao incentivá-la a frequentar livrarias e bibliotecas.
“Ela comprava vários livros para mim, inclusive de astronomia, e esse foi meu primeiro contato com a área que eu posteriormente seguiria”, relembrou a estudante.
Com o avanço da formação escolar, o interesse passou a se concentrar em temas relacionados a sistemas orbitais e missões espaciais, áreas associadas ao curso que ela pretende fazer em Stanford.
A escolha por Aeronáutica e Astronáutica também dialoga com uma área ainda pouco comum entre estudantes brasileiros quando comparada a carreiras mais tradicionais.
No caso da jovem, a trajetória combina incentivo familiar, acesso a bolsas, participação em programas educacionais e preparação específica para seleção internacional.
Educação, comunidade e retorno social
Mesmo com a ida para os Estados Unidos, Isabelle afirmou que pretende manter vínculo com a comunidade onde cresceu.
De acordo com a estudante, o objetivo é usar o conhecimento adquirido para contribuir com educação e projetos sociais ligados à sua origem.
A diretora executiva do Ismart, Mariana Rego Monteiro, relacionou a trajetória da aluna à proposta da instituição.
“Quando a Isabelle diz que quer voltar para impactar sua comunidade, ela resume tudo o que acreditamos. Não formamos jovens para sair do lugar onde nasceram. Formamos líderes que carregam esse lugar com orgulho para onde forem”, afirmou.
Na avaliação apresentada pela dirigente, o percurso de Isabelle representa o tipo de formação buscado pelo instituto: ampliar oportunidades sem romper o vínculo dos estudantes com suas comunidades.
A fala também reforça o papel de programas de apoio educacional na trajetória de jovens de baixa renda que buscam acesso a instituições seletivas.
Isabelle descreveu o Ismart como um ponto de abertura para novas possibilidades.
“O Ismart é a chavinha que eu precisava colocar na porta e girar para poder abrir um mundo novo, conhecer uma nova realidade e expandir tudo o que eu pensava de carreira e de futuro”, disse.
Entre a escola municipal, a bolsa em colégio particular e a preparação para universidades estrangeiras, a estudante reuniu experiências que sustentaram sua candidatura.
A aprovação em Stanford e em outras quatro universidades dos Estados Unidos passou a ser o resultado mais visível desse processo, mas a trajetória também evidencia o peso de orientação acadêmica, acesso a oportunidades e incentivo familiar.

Nossa!Parabéns. Ela e uma guerreira,pq nao e fácil quebrar as barreiras q ela quebrou.Parabens ao programa.Isso e programa q salva q funciona. Tem q cuidar das crianca e jovens eqto querem e desejam algo melhor c o estudo .
Parabéns e muito sucesso na sua carreira.👏
Tudo são escolhas certas e base familiar que orienta, são poucos jovens brasileiros que fazem estas escolhas.
Nada é culpa da sociedade, tudo são só escolhas.
Parabéns!!! ND é impossível quando se tem vontade de conquistar algo, Sua força de vontade é inspiradora