O teste em terra do primeiro motor movido a hidrogênio do mundo para grandes navios de carga alcançou combustão estável nos seis cilindros e mais de 95% da energia do combustível em plena carga, com entrega prevista para 2027 e testes no mar em 2028
O motor movido a hidrogênio para grandes navios de carga entrou em uma nova etapa de desenvolvimento no Japão com o início dos testes em terra de um grande motor marítimo de dois tempos e baixa rotação, criado para embarcações oceânicas.
A campanha, conduzida pela Japan Engine Corporation e pela Kawasaki Heavy Industries, marcou a primeira operação mundial de um sistema de propulsão a hidrogênio projetado para esse tipo de navio.
O protótipo testado, identificado como 6UEC35LSGH, concluiu os ensaios iniciais de co-combustão de hidrogênio na fábrica da J-ENG, na província de Hyogo. Nos testes, houve combustão estável em todos os seis cilindros, com o hidrogênio respondendo por mais de 95% da energia do combustível em plena carga.
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Motor movido a hidrogênio avança para grandes embarcações
Durante a campanha de testes, o 6UEC35LSGH manteve desempenho considerado confiável e apresentou reduções significativas nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com a operação a diesel convencional. O resultado reforça o potencial do motor movido a hidrogênio para acelerar a descarbonização da indústria naval.
O desenvolvimento foi conduzido pela J-ENG em colaboração com a Kawasaki Heavy Industries, responsável pelo fornecimento do sistema de abastecimento de hidrogênio liquefeito. O projeto integra a iniciativa Fundo de Inovação Verde da Organização para o Desenvolvimento de Novas Energias e Tecnologias Industriais, voltada ao desenvolvimento de navios de próxima geração.
Um consórcio formado por Mitsui OSK Lines, MOL Dry Bulk, Onomichi Shipbuilding e ClassNK também dá suporte ao programa.
A previsão é que o motor seja entregue em janeiro de 2027 para equipar um navio cargueiro multifuncional de 17.500 toneladas de porte bruto, em construção no estaleiro de Onomichi.
Entrega em 2027 e testes no mar em 2028
Os testes em escala real no mar estão programados para o ano fiscal de 2028. Nesta fase inicial, o projeto utiliza hidrogênio como combustível principal e uma pequena quantidade de óleo combustível pesado como ignição piloto, em uma configuração escolhida para garantir redundância nas primeiras aplicações comerciais.
As versões futuras já são planejadas com foco na combustão com 100% de hidrogênio. A expectativa é que essa evolução amplie o uso do motor movido a hidrogênio em operações marítimas mais complexas, especialmente no transporte oceânico de maior porte.
A mais recente etapa do projeto fortalece a estratégia japonesa de exportar tanto a tecnologia de navios movidos a hidrogênio quanto os sistemas de abastecimento associados. Essa iniciativa integra um esforço mais amplo para reduzir as emissões do setor naval com o uso de combustíveis alternativos, como amônia e hidrogênio.
Metas globais e desafios para a propulsão a hidrogênio
A descarbonização marítima segue como prioridade nas metas da Organização Marítima Internacional, que prevê redução de pelo menos 20% nas emissões de gases de efeito estufa até 2030 e emissões líquidas zero por volta de 2050.
Nesse cenário, o hidrogênio aparece como uma alternativa de combustível com zero emissão de carbono quando produzido a partir de fontes renováveis.
Ainda assim, o avanço da tecnologia enfrenta obstáculos ligados ao armazenamento do combustível, à infraestrutura de abastecimento e à segurança dos motores.
Mesmo com esses entraves, a indústria japonesa tem buscado ocupar posição de liderança no setor por meio de desenvolvimento coordenado entre empresas e iniciativa pública.
O teste mais recente da J-ENG e da Kawasaki Heavy Industries ocorre após demonstrações anteriores em terra promovidas pelo mesmo consórcio. Em outubro de 2025, a Kawasaki Heavy Industries e a Yanmar Power Solutions testaram motores a hidrogênio de quatro tempos e velocidade média usando a mesma plataforma de fornecimento de hidrogênio liquefeito.
O modelo de dois tempos da J-ENG foi direcionado à propulsão principal de embarcações maiores e voltadas ao mar aberto, um segmento em que a adoção do hidrogênio avança mais lentamente do que nas aplicações menores e de curta distância.
A empresa informou que seguirá aprimorando o controle da combustão e a durabilidade sob cargas variáveis, com a expectativa de que o motor movido a hidrogênio forneça dados essenciais para a implantação comercial desses sistemas na década de 2030.
Mais informações em https://global.kawasaki.com/news_260330-1e-b1.pdf
