Ao fechar acordo em 8 de dezembro de 2025, o Itaú compra participações de GPA, Casas Bahia e Assaí na FIC e no Banco Investcred, destrava balcões financeiros, reforça planos de monetização de ativos e redução de dívidas no varejo alimentar e digital, e busca acordos com redes do país
O Itaú informou nesta segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários, que fechou acordo para comprar as participações societárias atualmente detidas, direta ou indiretamente, pelo GPA e pelo Grupo Casas Bahia na Financeira Itaú CBD, a FIC. O banco também se comprometeu a adquirir, no segundo aniversário da data de fechamento da operação, a participação societária detida indiretamente pelo Assaí na FIC, em um negócio que soma aproximadamente R$ 786,21 milhões.
No mesmo pacote, o Itaú Unibanco celebrou instrumentos contratuais para adquirir, na data de fechamento da operação, a totalidade da participação societária atualmente detida indiretamente pelo Grupo Casas Bahia no Banco Investcred, passando a deter, de forma indireta, cem por cento do capital social da instituição. Todas as etapas dependem do cumprimento de condições precedentes, como aprovação dos órgãos regulatórios competentes e ajustes de preço entre a assinatura dos contratos e a conclusão da transação.
Itaú assume controle da FIC e consolida Investcred em um único movimento
Pelos termos divulgados, o Itaú caminha para ser o único acionista direto ou indireto da Financeira Itaú CBD após a implementação das duas etapas da transação.
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Na primeira fase, são vendidas as participações de Casas Bahia e GPA na FIC e a participação de Casas Bahia no Banco Investcred. Na segunda, prevista para ocorrer dois anos depois do fechamento da primeira etapa, o Assaí se desfaz de sua participação indireta na FIC em favor do banco.
Com isso, o Itaú concentra em suas mãos a operação de crédito ligada aos cartões co-branded emitidos em parceria com as grandes redes parceiras.
O banco reforça sua presença na oferta de cartões de crédito e serviços financeiros no varejo, ao mesmo tempo em que mantém válidos, durante os prazos de vigência, os produtos já emitidos para as bases de clientes de Casas Bahia, GPA e Assaí.
Quanto recebem GPA, Casas Bahia e Assaí na venda para o Itaú
Segundo a Casas Bahia, o preço da negociação com o Itaú é de R$ 266.113.514,52, a serem pagos à vista na data de fechamento da transação.
O valor está sujeito a determinadas condições precedentes e ajustes de preço a serem realizados entre a data da assinatura dos contratos e a conclusão do negócio.
A companhia informa que a operação integra o pilar de monetização de ativos do seu Plano de Transformação e envolve também a futura possibilidade de nova parceria envolvendo o balcão do Pontofrio.
O GPA comunicou que o Itaú pagará R$ 260,1 milhões pela sua participação na FIC, também a serem desembolsados à vista. Já no caso do Assaí, a venda será realizada em duas etapas, espelhando a estrutura societária da FIC.
Após a implementação das duas etapas, o preço a ser recebido pelo Assaí pela venda de sua participação indireta na financeira é de aproximadamente R$ 260 milhões, sujeito a ajustes até a efetiva conclusão.
Balcões financeiros liberados para novas parcerias nas lojas do GPA
O fechamento da Transação FIC tem impacto direto no desenho dos balcões de serviços financeiros dentro das lojas do grupo alimentar.
O GPA destacou que a conclusão do negócio com o Itaú libera a empresa para estabelecer novas parcerias em serviços financeiros e explorar os balcões em suas bandeiras em mais de 730 lojas, que recebem um fluxo superior a 20 milhões de clientes por mês, além de operar o maior comércio eletrônico alimentar do Brasil.
A expectativa do grupo é implantar a nova operação dos chamados Balcões GPA logo após o fechamento da transação com o Itaú.
Nesse processo, o GPA pretende combinar a força de tráfego de suas lojas físicas e do e-commerce alimentar com novos parceiros financeiros, preservando, ao mesmo tempo, a continuidade do atendimento aos clientes que já utilizam cartões co-branded emitidos em parceria com a FIC.
Transação com o Itaú entra na agenda de monetização e desalavancagem do varejo
No comunicado da Casas Bahia, a empresa reforça que a venda de sua participação na FIC e no Banco Investcred para o Itaú está alinhada ao pilar de monetização de ativos de seu Plano de Transformação.
A varejista frisa que os clientes da FIC, do Banco Investcred e detentores dos cartões de crédito co-branded Itaú/Pontofrio continuarão podendo utilizar seus cartões nas lojas físicas e digitais da companhia durante os respectivos prazos de validade.
Do lado do GPA, a companhia informa que a Transação FIC e a futura operação envolvendo os Balcões GPA fazem parte de sua estratégia de redução da alavancagem financeira, por meio da diminuição da dívida líquida e do reforço da estrutura de capital.
Ao mesmo tempo, o grupo garante que os clientes da FIC e detentores dos cartões de crédito co-branded Itaú/GPA seguirão utilizando normalmente seus cartões nas lojas físicas e digitais das bandeiras do grupo, enquanto durar a validade dos produtos.
No caso do Assaí, o atacadista comunicou que, após o acordo com o Itaú, a parceria comercial com a FIC permanecerá vigente por mais dois anos, mantendo a exclusividade da financeira para a distribuição dos produtos e serviços hoje ofertados à base de clientes.
Durante esse período, o Assaí continuará com os cartões co-branded Itaú/Assaí em circulação, ao mesmo tempo em que poderá explorar novas oportunidades de distribuição de outros produtos e serviços financeiros, diretamente ou com novos parceiros, em bases a serem negociadas.
Para o Itaú, o conjunto de operações consolida a relação com grandes grupos do varejo alimentar e de bens duráveis e amplia o peso do banco nas decisões sobre crédito ao consumo nesses canais.
Para as varejistas, a venda das participações na FIC e no Investcred ajuda a destravar caixa, monetizar ativos e reforçar a agenda de redução de dívidas em um cenário de juros elevados e necessidade de capital.
Na sua opinião, o movimento do Itaú de assumir sozinho a FIC e o Investcred ajuda mais a fortalecer o crédito no varejo ou concentra poder demais nos balcões financeiros das grandes redes?

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