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Israel solta búfalos no Vale do Hula após a drenagem transformar pântano em solo rachado e turfa em chamas; o plano parece loucura, mas abriu trilhas na lama, controlou juncos, triplicou aves aquáticas e reativou lagoas em década

Publicado em 06/01/2026 às 16:56
Atualizado em 06/01/2026 às 17:09
Israel solta búfalos no Vale do Hula para recuperar turfa e lagoas; animais controlam vegetação, mantêm umidade e reativam ecossistema natural.
Israel solta búfalos no Vale do Hula para recuperar turfa e lagoas; animais controlam vegetação, mantêm umidade e reativam ecossistema natural.
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Entre as colinas de Golã e a Alta Galileia, o pântano drenado em 1951 ganhou 160 km de canais e secou, rachou e incendiou a turfa. Décadas depois, água e búfalos abriram clareiras, mantiveram lama úmida, ampliaram lagoas, elevaram aves e reduziram invasoras com trilhas que viraram corredores de vida.

O Vale do Hula virou um experimento real de restauração quando Israel decidiu soltar búfalos-d’água num cenário que parecia irreversível: solo rachado, turfa queimando lentamente e uma cadeia ecológica entrando em colapso após a drenagem dos pântanos.

A aposta, que à primeira vista soa como loucura, se sustentou no tempo: os búfalos abriram trilhas na lama, controlaram juncos, ajudaram a manter o solo úmido e, com isso, a água voltou a circular melhor. O resultado mais visível apareceu no céu, com aves aquáticas retornando em números muito maiores.

Como a drenagem transformou o pântano em solo rachado e turfa em chamas

Antes da intervenção humana, o Vale do Hula era um lago raso cercado por pântanos alimentados pelo rio Jordão, com importância ecológica enorme para peixes e aves. A área funcionava como um ponto vital de descanso, alimentação e reprodução para mais de 1 bilhão de aves migratórias na rota entre Europa e África.

Em 1951, a região foi drenada para virar área de cultivo. O governo escavou cerca de 160 km de canais, desviou o curso do rio Jordão e retirou a água do lago.

O saldo inicial foi tratado como sucesso: mosquitos diminuíram, a malária desapareceu e as primeiras colheitas surgiram.

Só que o “sucesso” começou a desabar rápido. O solo secou, abriu rachaduras profundas e a turfa passou a pegar fogo espontaneamente em diferentes pontos. Com o lençol freático rebaixado, muitas áreas perderam até a umidade mínima para sustentar plantas.

As aves migratórias perderam pouso e alimento, e o efeito cascata atingiu peixes, sapos e espécies ligadas às áreas alagadas.

Por que devolver a água não bastava para o vale se recuperar

Nos anos 1990, Israel iniciou a correção do erro: construção de diques, bloqueio de canais de drenagem e retorno gradual do fluxo para áreas específicas. Um lago, o Agamon, e um sistema de canais de controle foram criados para regular o nível da água.

Com o solo novamente inundado, o oxigênio diminuiu, a atividade microbiana desacelerou e o processo de afundamento praticamente cessou.

Ainda assim, apenas água não resolvia o problema central: a turfa em decomposição, o risco de incêndios subterrâneos e a explosão de vegetação aquática densa, como juncos, que bloqueava o fluxo, reduzia oxigênio e afastava aves.

A pergunta decisiva virou logística e biologia ao mesmo tempo: quem manteria um ecossistema pantanoso funcionando no dia a dia? Pessoas não cortam juncos em lama profunda com eficiência. Máquinas não mantêm canais abertos sem causar dano.

Por que búfalos funcionaram onde máquinas e pessoas falhavam

Foi aí que os búfalos-d’água entraram como “engenheiros” do ecossistema. Eles não são nativos de Israel e a maior parte da população global vive na Ásia.

Mesmo assim, o corpo deles é moldado para ambientes alagados: robustos, capazes de empurrar e revolver solo lamacento, com cascos largos que distribuem peso e ajudam a evitar que afundem.

No Vale do Hula, os búfalos se deslocam em bandos e criam trilhas naturais na lama. Eles se alimentam continuamente e preferem plantas aquáticas difíceis de controlar pelo ser humano.

Há referência a estudos em que um único búfalo adulto pode consumir mais de 25 kg de vegetação por dia, especialmente em áreas dominadas por juncos, e a avaliação de que nenhum outro grande herbívoro processa tanta biomassa de juncos no mesmo tipo de terreno.

O ponto-chave é que esses animais fazem o trabalho pesado sem “destruir” o ambiente como uma obra mecânica faria. Eles abrem espaço e, ao mesmo tempo, mantêm a dinâmica do pântano viva.

Trilhas na lama, clareiras e juncos sob controle: o mecanismo por trás do “milagre”

Com o retorno da água, juncos e outras plantas pantanosas cresceram rápido, formando paredes verdes. Quando os búfalos começaram a se alimentar e circular, as pegadas viraram trilhas.

Essas trilhas abriram clareiras e corredores na vegetação densa, permitindo que a luz alcançasse a água e ajudando a restabelecer a base do sistema.

O efeito é físico e contínuo: cada passo revolve levemente a lama, ajuda o solo a reter umidade e reduz compactação, em um processo descrito como respiração do solo. Ao criar pequenas poças durante o deslocamento, os búfalos também formam microambientes que favorecem reprodução de espécies aquáticas.

Essa ação repetida tem outro papel crítico no Vale do Hula: manter a turfa úmida. Quando a turfa seca, ela pode queimar lentamente no subsolo e liberar gases tóxicos, além de gerar poeira de carbono e turfa, prejudicial à saúde.

A movimentação constante dos búfalos ajuda a impedir que a turfa seque e entre em combustão, e onde eles se deitam o solo retém umidade, criando uma camada natural contra incêndios.

A resposta da vida: aves, lagoas reativadas e espécies que voltaram do “desaparecimento”

O impacto ecológico aparece em indicadores que chamam atenção. A autoridade de parques e natureza de Israel registra mais de 400 espécies de aves na área e a passagem anual de mais de 1 bilhão de indivíduos migratórios pela região.

Houve também mudança no comportamento de flamingos: antes de 2025 eles faziam paradas rápidas, mas em verões mais recentes mais de 100 indivíduos passaram a permanecer o ano inteiro, sugerindo água e alimento mais estáveis.

Um símbolo forte da recuperação é o sapo do Hula com padrões manchados, considerado extinto por mais de 50 anos e encontrado novamente.

Levantamentos recentes identificaram cerca de 230 indivíduos adultos distribuídos em 22 lagoas, sinal de que o ecossistema voltou a sustentar vida de forma consistente.

Na vegetação, a recuperação também foi tratada como mensurável: oito espécies nativas foram reintroduzidas, a área passou a abrigar 340 espécies de plantas silvestres, incluindo 57 raras e oito ameaçadas.

E, no ponto que mais conversa com o papel dos búfalos, observações de campo indicaram que áreas com atividade desses animais apresentaram densidade de aves aquáticas até três vezes maior do que áreas sem eles.

Conflitos locais e o motivo de os búfalos não virarem uma praga invasora

Toda soltura de espécie fora do local de origem levanta medo de desastre, e exemplos clássicos de invasões existem.

No Vale do Hula, a diferença apontada é de controle e encaixe ecológico: os búfalos não competem diretamente com espécies nativas-chave, não se espalham além da área controlada e não prejudicam a agricultura comercial de forma relevante.

Com o ecossistema mais estável no início dos anos 2000, o rebanho chegou a algo como 60 a 80 indivíduos. Hoje, a administração da reserva trabalha com uma variação entre 120 e 150 búfalos.

Com mais animais, houve aproximação das bordas agrícolas, pisoteio em margens e danos em cercas frágeis.

Ainda assim, os dados citam ausência de danos relevantes a lavouras comerciais, porque a dieta deles é quase toda baseada em juncos e plantas aquáticas sem valor econômico para agricultores.

As respostas de gestão foram descritas como simples e eficazes: cercas ecológicas, canais de água, cães de pastoreio e patrulhas regulares de guarda-parques, suficientes para manter os búfalos nas áreas alagadas e longe de zonas habitadas.

O que essa história ensina sobre restauração baseada na natureza

O caso do Vale do Hula é uma síntese incômoda e útil: intervenção humana pode colapsar um ecossistema em poucos anos, mas a recuperação pode depender menos de “máquinas perfeitas” e mais de processos vivos repetidos todos os dias.

O papel dos búfalos não foi “decorativo”. Eles atuaram como um sistema móvel de manejo: abrir trilhas, controlar juncos, manter umidade, criar poças, favorecer corredores de vegetação e sustentar o retorno de aves e espécies aquáticas.

É uma solução que parece improvisada, mas que opera exatamente onde soluções convencionais travam: lama profunda, vegetação densa e turfa instável.

Se você visse um vale em colapso ambiental, apostaria em búfalos como ferramenta de restauração ou acharia arriscado demais soltar um grande herbívoro não nativo, mesmo sob controle?

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Yohanna
Yohanna
08/01/2026 12:48

Israel como sempre inovando, é incrível como o povo judeu encontra soluções inteligentes para aproveitar a sua terra mesmo sem tantos recursos naturais.

Eduardo Mei
Eduardo Mei
08/01/2026 09:24

Maravilha!
Agora basta devolver a terra que roubaram dos palestinos, interromper o ****, indenizar as suas vítimas e cumprir as outras penas.

Eduardo Mei
Eduardo Mei
Em resposta a  Eduardo Mei
08/01/2026 10:13

O Google me censurou. Recomendo a leitura do Relatório de Francesca Albanese sobre o que ocorre elna Palestina.

ADELVAR LUCIANO CUNHA
ADELVAR LUCIANO CUNHA
Em resposta a  Eduardo Mei
08/01/2026 22:49

Você é um **** para da opinião….

Karinny
Karinny
07/01/2026 20:04

Apostaria em búfalos, intuitivo ani.mal funcionaria quem sabe .melhor que o instito hhu.ano?

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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