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Irmãos Batista colocam o Porto de Itajaí no centro de uma disputa de 30 anos que pode redefinir a logística de SC, com R$ 220 milhões já investidos, 390 mil TEUs em 2025 e um edital que ainda depende do TCU para avançar

Publicado em 25/02/2026 às 10:37
Irmãos Batista disputam leilão de 30 anos no Porto de Itajaí pela concessão de 30 anos com a JBS Terminais em cenário estratégico
Irmãos Batista disputam leilão de 30 anos no Porto de Itajaí pela concessão de 30 anos com a JBS Terminais em cenário estratégico
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Com contrato provisório desde outubro de 2024, a JBS Terminais, controlada pelos Irmãos Batista, diz publicamente trabalhar para disputar a concessão de 30 anos da área arrendada no Porto de Itajaí; após investir R$ 220 milhões, o terminal somou 430 mil TEUs em 15 meses e 384 navios em 2025.

Os Irmãos Batista, Joesley e Wesley, sinalizaram que querem permanecer à frente das operações na área arrendada do Porto de Itajaí de forma definitiva, mirando o leilão que deve definir quem comandará o ativo por 30 anos. A intenção foi reafirmada pelo CEO da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, ao dizer que o foco é “permanecer no leilão de longo prazo”.

O movimento acontece depois de um período de retomada operacional e de investimentos, com indicadores de movimentação e de estrutura ganhando centralidade na disputa. Ao mesmo tempo, o processo regulatório ainda passa por etapas decisivas: o Ministério de Portos e Aeroportos concluiu o documento e o encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU), que ainda não se manifestou.

O que está em jogo no leilão de 30 anos no Porto de Itajaí

Quando os Irmãos Batista indicam interesse em uma concessão de 30 anos, o ponto central não é apenas “ficar” ou “sair”, mas assumir compromissos de longo prazo em um terminal que depende de previsibilidade para planejar capacidade, obras, tecnologia e contratação. Em concessões desse tipo, o desenho do edital costuma definir regras de investimento, metas de desempenho, níveis de serviço e mecanismos de fiscalização, o que eleva o peso do resultado para a cadeia logística local.

Na prática, uma disputa de 30 anos tende a reorganizar expectativas de armadores, exportadores, importadores e operadores terrestres sobre rotas, frequência e confiabilidade. Por isso, o debate vira um tema econômico para Santa Catarina: o Porto de Itajaí influencia prazos, custos e competitividade de setores que usam contêiner, sobretudo quando há cargas regulares e rotas consistentes.

Da gestão provisória ao edital definitivo: o caminho até o TCU

A operação atual ocorre sob um contrato provisório/emergencial, estabelecido após a publicação de um edital que permitiu a retomada das atividades. Os Irmãos Batista, por meio da JBS Terminais, assumiram a gestão em outubro de 2024, e o período seguinte passou a funcionar como uma vitrine operacional: é quando desempenho, investimentos e organização do fluxo viram argumentos relevantes antes do certame definitivo.

Em paralelo, está em elaboração o edital definitivo para a concessão por 30 anos. Segundo a Superintendência do Porto de Itajaí, o Ministério de Portos e Aeroportos já concluiu o documento e o encaminhou ao TCU, que ainda não se manifestou. Essa etapa é sensível porque envolve controle e validação de premissas do modelo, o que pode influenciar cronogramas e condições de participação.

O que dizem os números de movimentação: TEUs, linhas e escalas

Os Irmãos Batista chegam a essa fase com números recentes usados como termômetro de retomada. Em 2025, primeiro ano completo sob gestão da JBS Terminais, o terminal movimentou quase 390 mil TEUs, volume 11% superior ao registrado em 2022, antes da paralisação das atividades. TEU é a unidade equivalente a um contêiner de 20 pés e funciona como uma medida padrão para comparar movimentação em terminais conteinerizados.

Além do recorte anual, a operação acumulada também aparece como sinal de tração: desde outubro de 2024, a JBS afirma ter superado 430 mil TEUs em 15 meses, atendendo cerca de três mil clientes. Esses indicadores ganham ainda mais contexto quando combinados com a malha de navegação: a estrutura descrita permite operar 10 linhas regulares e manter sete escalas semanais, o que, em logística, ajuda a estabilizar oferta de janelas e previsibilidade de embarque.

Investimentos e infraestrutura: guindastes de 125 t, reefers e gates reversíveis

Parte central do discurso de permanência dos Irmãos Batista se apoia em investimento e modernização. Foram cerca de R$ 220 milhões aplicados em tecnologia e infraestrutura, incluindo dois guindastes móveis MHC Konecranes Gottwald ESP.9, com capacidade para 125 toneladas. Em terminais, equipamentos desse porte costumam ser decisivos para produtividade no cais, principalmente quando há diversidade de cargas e necessidade de manter cadência de operação em diferentes tipos de navios.

Outro ponto técnico relevante é a infraestrutura para contêineres refrigerados. O terminal conta com 1.708 tomadas para reefers, que são contêineres com controle de temperatura, essenciais para cadeias como proteína animal e outros produtos sensíveis. Somam-se a isso oito gates reversíveis para otimizar o fluxo terrestre, um detalhe que costuma impactar diretamente filas, cadência de entrada e saída e a integração com caminhões e pátios, especialmente em períodos de pico.

Área, cais e berços: como a configuração física sustenta a operação

A base operacional apresentada inclui 180 mil metros quadrados de área, 1.030 metros de cais e quatro berços com 14 metros de profundidade. Esses parâmetros físicos ajudam a explicar por que a discussão sobre longo prazo importa: expansão e organização de pátio, cadência de atracação e produtividade no cais dependem tanto de equipamento quanto de desenho operacional, e mudanças estruturais raramente são “rápidas” em ambiente portuário.

Em 2025, o terminal recebeu 384 embarcações, com destaque para cargas de carnes, madeira, plásticos, alimentos preparados para animais e máquinas de alto valor agregado. A diversidade sugere uma operação que não se limita a um único perfil e exige planejamento de pátio, segregação, inspeções e rotinas compatíveis com diferentes exigências logísticas. Esse mosaico de cargas também costuma ampliar o impacto econômico indireto, porque envolve múltiplos segmentos de comércio exterior e serviços associados.

Empregos, TPAs e o efeito na competitividade de Santa Catarina

No componente de trabalho, a operação sustenta 345 empregos diretos e mobiliza cerca de 600 Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs). Os TPAs são profissionais que atuam em atividades portuárias com regime avulso, e a sua mobilização é um indicador importante de intensidade operacional, porque reflete demanda por mão de obra em turnos e operações específicas do cais e do pátio.

A permanência defendida pelos Irmãos Batista é apresentada pela empresa como associada à consolidação do terminal como ativo estratégico no Sul do país, com reflexos para a competitividade catarinense no comércio exterior. Ainda assim, o ponto decisivo será o desenho do edital e o resultado do leilão: é ali que regras, contrapartidas e critérios de seleção vão definir se a continuidade de um operador se traduz em metas verificáveis e em ganhos de eficiência que cheguem ao usuário final da cadeia logística.

Com o edital definitivo em análise e a disputa de 30 anos no horizonte, os Irmãos Batista entram em um momento em que números e infraestrutura viram parte do argumento, mas a decisão final depende das regras do leilão e dos controles institucionais, incluindo a manifestação do TCU. Entre investimento, movimentação em TEUs, capacidade física e emprego, o Porto de Itajaí volta ao centro de uma discussão que combina logística, economia regional e governança de longo prazo.

E, olhando para o impacto prático, fica a pergunta: na sua visão, uma concessão de 30 anos tende a melhorar a eficiência e reduzir gargalos, ou aumenta o risco de concentração e menos competição? Quem trabalha com comércio exterior, transporte ou indústria em SC já sentiu diferença com a retomada recente do terminal?

Que tipo de contrapartida você considera indispensável em um leilão desse tamanho: mais investimento, metas de produtividade, transparência de tarifas ou garantias de emprego?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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