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Inflação sobe pela 8ª vez, encosta em 4,89% em 2026 e mantém os juros altos no radar, enquanto o Banco Central reforça cautela diante da pressão persistente sobre os preços

Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/05/2026 às 11:50
Atualizado em 04/05/2026 às 11:52
Inflação sobe pela 8ª vez, encosta em 4,89% em 2026 e mantém os juros altos no radar, enquanto o Banco Central reforça cautela diante da pressão persistente sobre os preços
Inflação sobe com mercado vendo pressão nos preços; Banco Central mantém juros altos no radar para 2026.
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Inflação voltou a piorar nas projeções do mercado, chegou a 4,89% para 2026 no Focus divulgado nesta segunda-feira, 4 de maio, e reacendeu a leitura de que o Banco Central ainda terá de conduzir os próximos passos com cautela, mesmo após cortar a Selic para 14,5% na semana passada.

Inflação para 2026 foi elevada pela oitava semana consecutiva no Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 4 de maio. A estimativa para o IPCA subiu de 4,86% para 4,89%, acima do teto da meta contínua de 4,5%, enquanto a projeção para 2027 ficou em 4% e a de 2028 avançou para 3,64%.

Segundo o portal CNN Brasil, o que faz esse movimento pesar mais do que uma revisão pontual é o timing. A alta das expectativas veio poucos dias depois de o Copom cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, e reafirmar que seguirá conduzindo a política monetária com serenidade e cautela, em meio à incerteza externa e à pressão que combustíveis e alimentos continuam impondo sobre os preços.

O detalhe mais forte está no fato de a inflação voltar a subir mesmo com juros ainda muito altos

Inflação sobe com mercado vendo pressão nos preços; Banco Central mantém juros altos no radar para 2026.

O dado que mais chama atenção é a persistência da revisão para cima. O mercado não apenas elevou a inflação para 2026 pela oitava vez seguida, como manteve o índice projetado acima do limite superior da meta perseguida pelo Banco Central. Isso mantém viva a percepção de que o alívio inflacionário ainda não se consolidou na velocidade que o mercado e o BC gostariam.

Mesmo com a Selic ainda em 14,5% ao ano, um nível que continua bastante restritivo, a leitura dominante é que os choques recentes seguem dificultando a convergência dos preços. A própria autoridade monetária elevou sua projeção de inflação para este ano para 4,6% na decisão da semana passada, enquanto a inflação em 12 meses vinha de 4,37% na leitura mais recente destacada pela Reuters.

A virada curiosa é que o Banco Central cortou os juros, mas o mercado ficou mais desconfiado

À primeira vista, o corte da Selic poderia sugerir um ambiente mais confortável. Mas o que aconteceu foi quase o oposto. O Copom reduziu a taxa básica pela segunda reunião seguida, porém deixou claro que os próximos passos dependerão de novas informações, inclusive sobre a profundidade e a duração das tensões no Oriente Médio e seus efeitos sobre a economia brasileira.

Na prática, a decisão mostrou que o BC abriu espaço para continuar reduzindo juros, mas sem oferecer qualquer sinal de aceleração. Isso ajuda a explicar por que a alta da inflação projetada ganhou tanto peso: os juros começaram a cair, mas o discurso oficial segue duro o suficiente para lembrar que o processo ainda está longe de ser tranquilo.

O contexto ampliado mostra que não é só a inflação que preocupa

No Focus desta segunda-feira, o mercado manteve a expectativa de que a Selic termine 2026 em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, as projeções continuaram em 11% e 10%, respectivamente. Ao mesmo tempo, a previsão de crescimento do PIB para 2026 ficou em 1,85%, enquanto a de 2027 caiu para 1,75%, sinal de que o cenário ainda combina atividade moderada com pressão persistente sobre os preços.

O câmbio também ficou praticamente estável nas estimativas, com dólar projetado em R$ 5,25 no fim de 2026, o que mostra que a piora da inflação não está sendo lida apenas como reflexo de uma moeda mais fraca. O mercado parece enxergar um quadro mais complexo, no qual fatores externos e itens sensíveis da cesta de consumo seguem tornando a trajetória dos preços menos confortável.

Por que isso pode mudar a leitura sobre juros e preços nos próximos meses

A nova rodada de revisão reforça uma mensagem importante: o Banco Central pode até continuar cortando juros, mas deve fazê-lo em ritmo lento e sob vigilância constante. Com a inflação projetada em 4,89% para 2026 e acima da banda superior da meta, qualquer tentativa de relaxamento mais rápido passaria a enfrentar resistência maior dentro e fora do mercado.

Isso muda a leitura porque desloca o foco do tamanho do último corte para a dificuldade de fazer a inflação convergir de forma sustentada. Em outras palavras, não basta a Selic estar descendo. O que realmente importa agora é se os preços vão desacelerar de maneira convincente ou se continuarão impondo ao BC uma postura cautelosa por mais tempo.

O que ainda falta confirmar para saber se a inflação vai seguir pressionando

Os próximos dados de preços e a evolução do cenário externo devem definir o tom das próximas reuniões do Copom. O Banco Central já indicou que acompanhará de perto os desdobramentos geopolíticos e seus reflexos sobre combustíveis, alimentos e expectativas, justamente os pontos que podem contaminar a dinâmica da inflação daqui em diante.

Também será decisivo observar se as projeções do mercado estabilizam nas próximas semanas ou se a sequência de altas continua. Se o Focus seguir piorando, a leitura de que os juros permanecerão elevados por mais tempo tende a ganhar força, mesmo num ciclo em que a Selic já começou a cair.

No fim, a fotografia desta segunda-feira é clara: a inflação voltou a subir nas expectativas, encostou em 4,89% para 2026 e recolocou o Banco Central diante de um equilíbrio delicado. O corte de juros aconteceu, mas o recado que ficou é que o caminho para preços mais comportados ainda parece estreito, lento e sujeito a novos solavancos.

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Carla Teles

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