Atualização do IntegraTietê reúne números de obras, saneamento e fiscalização, enquanto relatório independente aponta recuo de poluição e oscilações na qualidade da água.
O Governo de São Paulo divulgou nesta terça-feira (20) uma atualização do Programa IntegraTietê, que reúne intervenções de limpeza, saneamento, monitoramento e fiscalização para reduzir a poluição no Rio Tietê e em seus principais afluentes.
O balanço aponta que, entre 2023 e 2025, foram retirados 4,91 milhões de metros cúbicos de sedimentos da bacia, com foco nos rios Tietê e Pinheiros e em piscinões da Região Metropolitana.
A estratégia, segundo o governo, busca ampliar o escoamento dos cursos d’água e diminuir o risco de enchentes em áreas urbanas.
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Ao mesmo tempo, uma medição independente divulgada pela Fundação SOS Mata Atlântica indica oscilação na qualidade da água: a chamada “mancha de poluição”, trecho considerado impróprio para usos múltiplos, diminuiu 33 quilômetros em um ano, passando de 207 km para 174 km.
Ainda assim, o relatório descreve que a maior parte dos pontos monitorados segue classificada entre regular, ruim e péssima.
Desassoreamento no Tietê e no Pinheiros ganha escala

A remoção de sedimentos é uma das frentes mais visíveis do IntegraTietê.
Do total retirado na bacia, 4,3 milhões de metros cúbicos são atribuídos aos rios Tietê e Pinheiros, enquanto 613 mil metros cúbicos vieram de piscinões da Região Metropolitana, estruturas de contenção usadas para reduzir alagamentos.
Na comunicação oficial, o governo compara o volume a mais de 409 mil caminhões basculantes, que formariam uma fila de cerca de 3.682 quilômetros.
A justificativa técnica é recuperar profundidade e vazão dos canais, o que tende a melhorar o escoamento durante períodos de chuva.
Saneamento e esgoto: o peso dos investimentos da Sabesp
O programa também relaciona avanços na despoluição a investimentos em coleta e tratamento de esgoto.
O balanço cita cerca de R$ 22 bilhões assegurados desde 2023 para ações ligadas ao Tietê, além de um salto nos aportes atribuídos à Sabesp: de R$ 1,1 bilhão em 2023 para mais de R$ 20 bilhões em execução entre 2024 e 2026, com foco em ampliar o tratamento de esgoto e reduzir a carga orgânica lançada nos rios.
Nesse contexto, os números divulgados apontam ampliação de ligações de água e esgoto: 2,5 milhões de pessoas teriam sido beneficiadas com acesso à água potável por meio da conexão de cerca de 800 mil imóveis, enquanto o esgotamento sanitário teria sido expandido para mais de 3 milhões de pessoas, com mais de 1 milhão de residências conectadas às redes de coleta e tratamento.
O plano de investimentos até 2029 divulgado no mesmo material prevê R$ 70 bilhões, com R$ 35 bilhões já contratados, e uma média de 2,4 mil domicílios conectados por dia às redes de saneamento.

PPP do Tietê e Pinheiros prevê contrato de 15 anos
Durante as ações em torno do Dia do Tietê, em 22 de setembro de 2025, o governo anunciou a abertura de consulta pública para uma Parceria Público-Privada voltada ao desassoreamento e à revitalização dos rios Tietê e Pinheiros.
O projeto prevê R$ 9,5 bilhões ao longo de 15 anos.
O escopo divulgado inclui 182,9 quilômetros do Tietê, entre as barragens de Ponte Nova e Pirapora, e 27,6 quilômetros do Pinheiros, contemplando o Canal Guarapiranga.
Entre os serviços previstos estão desassoreamento, retirada de macrófitas, operação e manutenção de barragens e polders, conservação de áreas verdes, limpeza de taludes e bermas de concreto, além de ampliação da remoção de resíduos flutuantes e projetos de paisagismo.
Lixo flutuante no Rio Pinheiros cresce e pressiona a limpeza
De forma complementar às obras de desassoreamento, a SP Águas mantém uma rotina diária de retirada de lixo flutuante no Rio Pinheiros.
O balanço do programa informa que, desde 2023, foram retiradas 118,8 mil toneladas de resíduos, com investimentos superiores a R$ 192,7 milhões.
Em 2025, a quantidade coletada aumentou 14% em relação ao ano anterior, totalizando 43.948,48 toneladas, contra 38.260,06 em 2024 e 34.704,39 em 2023.
Os dados reforçam um desafio permanente: mesmo com ações de limpeza, o volume de resíduos indica pressão contínua do descarte irregular e do carregamento de lixo pelas chuvas e galerias de drenagem.
Cetesb monitora qualidade da água e oxigênio dissolvido
A Cetesb mantém monitoramento permanente da qualidade da água do Tietê, com 27 pontos ao longo do rio, das nascentes à foz no Paraná, segundo o balanço do programa.
Entre Mogi das Cruzes e Barueri, a companhia também acompanha a carga orgânica de 30 afluentes, medindo o impacto do esgoto antes de atingir o curso principal.
Esse sistema é descrito como reforçado por cinco estações automáticas com transmissão de dados em tempo real, em Mogi das Cruzes, Penha (Guarulhos), Rasgão (Pirapora do Bom Jesus), Laranjal Paulista e Barra Bonita.
O material menciona investimento de R$ 600 mil na estação de Barra Bonita e mais de R$ 1,2 milhão desde 2023 para operação e manutenção do conjunto.
Os mesmos dados citam redução gradual de matéria orgânica na saída da Região Metropolitana, em Edgard de Souza, e melhora nos níveis de oxigênio dissolvido na estação de Rasgão entre 2022 e 2025, indicador associado a melhores condições ambientais em rios.
Mancha de poluição recua 33 km, mas qualidade ainda oscila
O levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado às vésperas do Dia do Tietê descreve um cenário de melhora em um indicador e piora em outro.
A entidade registra que a “mancha de poluição” diminuiu de 207 km em 2024 para 174 km em 2025, mas aponta redução da extensão classificada como “boa”, com a maioria dos trechos permanecendo em patamar regular, ruim ou péssimo.
O relatório também destaca que, embora o recuo anual exista, a série histórica mostra oscilações e vulnerabilidade, com inversão de tendência a partir de 2022 e pico em 2024.
No recorte entre Salesópolis e Barra Bonita, o estudo informa que a água de boa qualidade ficou restrita a um trecho menor, ao mesmo tempo em que a condição regular se expandiu.
Parque Salesópolis e paisagismo na Marginal Tietê
Além das obras de limpeza e saneamento, o governo apresentou projetos de recuperação de várzeas e margens.
Um deles é o Parque Salesópolis, anunciado com investimento de R$ 158 milhões e prazo de execução de 24 meses, com etapas de projeto e obra após a licitação prevista.
A proposta divulgada é recuperar e preservar várzeas do Tietê e criar áreas de lazer e educação ambiental.
Outra frente prevê R$ 44,1 milhões em 36 meses para manutenção do paisagismo entre a barragem da Penha e a foz do Pinheiros, numa faixa ao longo da Marginal Tietê que soma 350 mil metros quadrados.
O plano descrito inclui plantio e manejo de árvores e arbustos, além de serviços de limpeza, remoção de entulho, manutenção de vias e drenagem superficial.
Fiscalização ambiental e educação entram no pacote
Para sustentar as metas divulgadas, o programa também reforçou fiscalização e educação ambiental.
O Grupo de Fiscalização Integrada do Tietê (GFI-Tietê) foi anunciado em março de 2025 e reúne ações para identificar fontes de poluição, como lançamento irregular de esgoto e resíduos industriais ou agrícolas.
Segundo o balanço, a Polícia Ambiental percorreu 3,1 mil quilômetros de trechos navegáveis e aplicou 291 autos de infração, somando cerca de R$ 3,7 milhões em multas.
A Cetesb, por sua vez, teria realizado 620 coletas de amostras e 257 vistorias, com aplicação de R$ 6,9 milhões em penalidades.
Na área de conscientização, a Secretaria de Meio Ambiente afirma ter realizado 143 ações de educação ambiental, alcançando 10.528 pessoas, com foco no entorno do rio e na preservação de recursos hídricos.


Ai exagerou nas promessas,2026 é ano dos milagres.
É só mais uma conversinha pra roubar dinheiro público. Filhos da ****
Se a Coreia do Sul conseguiu, por que outros países não poderiam conseguir?