Estudo da FGV revela como a formação do preço do gás natural é influenciada por impostos e logística, impactando a economia e a competitividade energética no Brasil
Um estudo da FGV revelou que mais da metade do preço do gás natural direcionado à indústria está diretamente ligada à molécula do combustível. Além disso, impostos, tarifas de transporte e custos de distribuição têm papel decisivo na formação do valor final pago pelas empresas brasileiras. Segundo Matéria publicada pelo site MegaWhat nesta quinta-feira (11), a análise reforça como a estrutura de custos do gás natural impacta a economia do país e a competitividade do setor industrial.
Formação do preço do gás natural no Brasil segundo a FGV
O estudo da FGV mostrou que a molécula representa entre 51% e 53% do preço final do gás destinado à indústria, considerando contratos do mercado regulado em diferentes faixas de consumo. Isso significa que mais da metade do custo do gás deriva diretamente da matéria-prima, que é influenciada por fatores internacionais, como o preço do petróleo e custos de importação.
Essa predominância da molécula é um dado crucial, pois evidencia que a volatilidade global do mercado energético tem impacto imediato sobre a economia nacional. Em um contexto onde países buscam reduzir custos energéticos para fortalecer a competitividade industrial, o peso da molécula no preço brasileiro do gás natural reforça desafios estruturais do setor. Além disso, a pesquisa identificou que os impostos representam a segunda maior parcela da composição, com média de 22% do valor final.
-
Petróleo dispara novamente após ataques e impasse entre EUA e Irã aumentarem tensão global
-
TESOURO ESCONDIDO NO FUNDO DO MAR? Descoberta de petróleo a quase 20 mil pés de profundidade desafia limites da engenharia na costa do Brasil
-
Regulamentos do IBS e da CBS mudam ressarcimento de créditos e acendem alerta financeiro na indústria de óleo e gás
-
90 bilhões de barris de petróleo, 1.669 trilhões de pés cúbicos de gás natural e 84% das reservas prováveis em áreas offshore estão sob o Ártico e o degelo que abre rotas marítimas e expõe esse tesouro energético está transformando o Polo Norte em uma disputa estratégica entre EUA, Rússia, China e Canadá por petróleo, gás, navegação e poder militar
Impacto dos impostos no preço do gás natural para a indústria
O peso dos impostos no preço do gás natural industrial é significativo e varia conforme a legislação estadual. A média nacional chegou a aproximadamente 22%, segundo o estudo da FGV. Essa carga tributária envolve ICMS, Pis/Cofins e outros encargos setoriais.
Como consequência direta, a economia industrial absorve custos maiores, que depois tendem a ser repassados ao consumidor final. Essa estrutura impacta setores que utilizam gás natural como insumo essencial, como cerâmica, siderurgia, químicos, alimentos e papel e celulose.
A alta carga de impostos representa uma preocupação recorrente entre empresas e associações do setor, que defendem uma revisão tributária para aumentar a competitividade brasileira frente a mercados internacionais onde o gás possui carga tributária inferior.
Impactos para a economia e para a competitividade industrial
O peso da molécula, somado aos altos impostos e às tarifas de transporte e distribuição, cria um ambiente de custos elevados para a indústria brasileira. Esse conjunto de fatores afeta diretamente a produtividade e a capacidade de competir com países onde o preço do gás natural é mais baixo.
Entre os principais impactos estão:
- Aumento dos custos de produção, especialmente para setores intensivos em energia.
- Repasses de custos ao consumidor final, pressionando a inflação.
- Redução de investimentos em segmentos industriais que dependem de energia acessível.
- Perda de competitividade internacional, sobretudo em mercados que competem com produtos baseados em gás natural.
Além disso, setores que utilizam gás natural como matéria-prima — como fertilizantes e petroquímicos — acabam ficando mais vulneráveis a oscilações no preço global. Isso cria um ambiente de incerteza para a economia, dificultando o planejamento de médio e longo prazo das empresas.
Debates regulatórios e perspectivas para o mercado de gás natural
A discussão sobre a composição do preço do gás natural tem ganhado força nos últimos anos, sobretudo após a aprovação do Novo Mercado de Gás e de medidas voltadas para abertura e modernização do setor. O estudo da FGV reforça a importância de continuar avançando em reformas que estimulem a competição e aumentem a transparência dos contratos.
Entre as propostas discutidas no setor estão:
- Redução progressiva dos impostos sobre o gás natural.
- Expansão da infraestrutura de gasodutos para reduzir custos logísticos.
- Estímulos à entrada de novos fornecedores para formar um mercado mais competitivo.
- Avaliação de modelos internacionais para equalizar a carga tarifária.
Com um mercado mais aberto e competitivo, especialistas acreditam que será possível reduzir o peso da molécula ao longo do tempo, equilibrando a formação de preços e favorecendo a economia industrial.
Soluções viáveis para reduzir o preço do gás natural no Brasil
Com base no estudo da FGV, há caminhos possíveis para reduzir o preço do gás natural, especialmente considerando o impacto dos impostos e dos custos de distribuição e transporte. Entre as soluções discutidas por analistas do setor estão:
- Revisão da carga tributária, com redução de ICMS em estados onde o gás é mais caro.
- Expansão da malha de transporte, conectando regiões isoladas ao mercado nacional.
- Políticas de incentivo à concorrência, reduzindo a concentração de fornecedores.
- Integração com mercados internacionais, para suavizar impactos de volatilidade global.
- Maior transparência regulatória, permitindo negociações mais claras entre indústria e distribuidoras.
Essas medidas, segundo especialistas, promoveriam um ambiente mais atrativo para investimentos e ajudariam a fortalecer a economia baseada no gás natural, tornando a matriz energética mais competitiva.
Relevância do estudo da FGV para o setor energético brasileiro
O levantamento da FGV se torna fundamental para compreender a estrutura atual do preço do gás natural no Brasil. Ao mostrar que a molécula responde pela maior parcela do custo e que impostos, transporte e distribuição continuam pesando significativamente no preço final, o estudo oferece elementos essenciais para políticas públicas e decisões empresariais.
O Brasil vive um momento estratégico, em que a busca por energia mais acessível e competitiva pode determinar o ritmo de crescimento da indústria nos próximos anos. Reduzir custos, aprimorar a regulação e ampliar a infraestrutura são passos indispensáveis para o avanço da economia energética nacional.

-
1 pessoa reagiu a isso.