1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Imóvel usado como centro de tortura na ditadura militar avança em processo de tombamento e pode mudar o mapa da memória em Porto Alegre
Localização RS Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Imóvel usado como centro de tortura na ditadura militar avança em processo de tombamento e pode mudar o mapa da memória em Porto Alegre

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 13/05/2026 às 19:03
Atualizado em 13/05/2026 às 19:10
Casarão histórico em Porto Alegre cercado por muro, vegetação e prédios urbanos, relacionado ao processo de tombamento do Dopinho.
Imóvel ligado à memória da ditadura militar avança em processo de tombamento pelo Iphan em Porto Alegre.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Casarão conhecido como Dopinho, usado como centro clandestino de repressão entre 1964 e 1966, está em fase técnica no Iphan e mobiliza entidades de direitos humanos no Rio Grande do Sul.

O antigo Dopinho, casarão localizado na rua Santo Antônio, entre os bairros Bom Fim e Floresta, em Porto Alegre, entrou em uma etapa importante para sua preservação histórica.

O imóvel está em fase de instrução técnica para tombamento federal, segundo informou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O espaço foi usado entre 1964 e 1966 como centro clandestino de detenção e tortura durante a ditadura militar. Por esse motivo, entidades de direitos humanos defendem sua transformação em centro de memória.

Processo técnico avança com atuação do Iphan e do MPF

A Superintendência do Iphan no Rio Grande do Sul atua em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) para dar andamento aos procedimentos técnicos.

O processo inclui a elaboração da proposta de área tombada, a definição da área de entorno, o georreferenciamento do imóvel e as diretrizes gerais de preservação.

O órgão também trabalha para viabilizar uma vistoria técnica no interior do casarão. Essa etapa é considerada essencial, já que o imóvel pertence atualmente a um proprietário particular.

Casarão carrega memória da repressão política

O Dopinho ganhou atenção de entidades e organizações de direitos humanos desde 2025, quando cresceu a mobilização pela criação de um espaço dedicado à memória.

A iniciativa busca preservar a história do local e impedir que registros ligados às violações de direitos humanos sejam apagados.

O projeto “Desenhe antes que destruam” realizou recentemente uma ação no imóvel. A proposta foi registrar o espaço por meio da arte e reforçar sua importância histórica.

Decisão final ainda não tem prazo definido

O Iphan informou que ainda não há prazo para a conclusão do processo de tombamento.

A próxima fase depende da finalização dos estudos técnicos e legais. Em seguida, um parecer será elaborado para subsidiar a decisão do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

O conselho é a instância máxima do Iphan para decisões sobre patrimônio cultural material e imaterial.

Memória histórica entra no centro do debate

O avanço do processo coloca o Dopinho no centro de uma discussão sobre preservação, memória pública e reparação histórica.

O possível tombamento pode transformar um imóvel privado, marcado pela repressão da ditadura militar, em referência para a memória política do Rio Grande do Sul.

A decisão ainda depende de etapas formais, pareceres e consulta pública. Mesmo assim, o caso já reacende uma pergunta essencial: como preservar espaços que ajudam o país a lembrar períodos que não podem ser esquecidos?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x