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Imigrante brasileiro abre fábrica de precisão em cidade pequena de Minnesota, fatura mais de US$ 1 milhão, cria empregos para americanos e desabafa: imigração não ajuda quem quer empreender legalmente

Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/01/2026 às 18:11
Atualizado em 06/01/2026 às 18:12
Imigrante brasileiro abre fábrica de precisão em cidade pequena de Minnesota, fatura mais de US$ 1 milhão, cria empregos para americanos e desabafa imigração não ajuda quem quer (2)
Imigrante brasileiro cria a Galaxy Enterprises de manufatura de precisão em Minnesota e enfrenta uma política de imigração que atrapalha quem quer empreender.
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Na pequena Rothsay, em Minnesota, um Imigrante brasileiro fundou a Galaxy Enterprises de manufatura de precisão, gera empregos locais e mostra como a política de imigração não ajuda quem empreende legalmente.

Na pequena Rothsay, em Minnesota, um Imigrante brasileiro transformou uma garagem e uma furadeira de bancada em uma fábrica de manufatura de precisão que fatura mais de US$ 1 milhão por ano, emprega nove pessoas e movimenta a economia local.

Ao mesmo tempo em que cria empregos para americanos e paga impostos, esse Imigrante brasileiro afirma que a política de imigração dos Estados Unidos não ajudou em nada a abrir o negócio, expõe um vácuo para empreendedores legais e levanta uma pergunta incômoda: por que é tão difícil empreender seguindo todas as regras?

De visitante a Imigrante brasileiro em Minnesota

A história começa nos anos 1990, quando Roque Rossetti viajou para visitar o irmão em Minnesota e acabou se apaixonando pela região.

A paisagem, o estilo de vida e o ambiente de trabalho fizeram o Imigrante brasileiro enxergar ali um lugar onde poderia construir futuro. Pouco tempo depois, ele conseguiu uma vaga em um programa de intercâmbio de trabalho que permitia ficar um ano nos Estados Unidos atuando como mecânico.

Quando o programa terminou, Rossetti voltou ao Brasil, mas a volta durou pouco. Menos de um ano depois, uma oferta de emprego em uma empresa de manufatura em Minnesota deu a ele a oportunidade de retornar.

Naquele momento, sua bagagem já incluía experiência com máquinas CNC, operação de jato de água, fabricação de plásticos sob medida e atendimento a clientes. O desejo de empreender já estava claro, mas o visto o prendia à condição de funcionário de uma empresa patrocinadora.

O Imigrante brasileiro que abriu empresa trabalhando à noite e nos fins de semana

Imigrante brasileiro cria a Galaxy Enterprises de manufatura de precisão em Minnesota e enfrenta uma política de imigração que atrapalha quem quer empreender.

Sem poder largar o emprego formal por causa do visto, o Imigrante brasileiro decidiu fazer o único movimento possível: abrir a própria empresa nas horas vagas.

Nascia a Galaxy Enterprises, LLC, enquanto ele continuava trabalhando em tempo integral na indústria que havia patrocinado sua permanência no país.

Ele conta que todo o dinheiro inicial do negócio saiu de horas extras de vida, trabalhadas nos fins de semana, à noite e em feriados. No começo, a Galaxy não tinha máquinas próprias.

Rossetti funcionava como intermediário: ouvia o que o cliente precisava, encontrava quem pudesse fabricar, pedia vários orçamentos, escolhia o mais competitivo, colocava uma margem e entregava a peça. Assim, o Imigrante brasileiro manteve a empresa viva até juntar capital suficiente para comprar o primeiro equipamento.

O marco dessa virada foi uma simples furadeira de bancada Craftsman de US$ 375. Com ela, Rossetti assumiu um trabalho de retrabalho de 5.000 peças defeituosas produzidas na China para um cliente americano. Cobrando um dólar por peça, ele faturou US$ 5.000 em um único contrato e pagou o investimento na ferramenta ainda no primeiro ano. A furadeira continua na fábrica até hoje, usada semanalmente em operações menores.

De uma furadeira de bancada a seis máquinas CNC

Aos poucos, o fluxo de pedidos cresceu, a reputação de qualidade se consolidou e o Imigrante brasileiro foi reinvestindo cada lucro em estrutura física e tecnologia.

Com o tempo, a Galaxy Enterprises deixou de depender de terceirização e passou a produzir internamente com máquinas de manufatura de precisão.

Recentemente, Rossetti adquiriu a sexta fresadora CNC, um equipamento de cerca de US$ 110.000. Esse salto tecnológico permite disputar contratos maiores, incluindo licitações governamentais para fornecer peças às Forças Armadas dos Estados Unidos, algo que ele vê como oportunidade de gerar ainda mais empregos na comunidade.

Hoje, a Galaxy Enterprises é especializada na produção de peças para setores de alta exigência: indústria médica, aeroespacial, agrícola, naval e petrolífera.

Em uma cidade de apenas 600 habitantes, o negócio é considerado “grande porte”: são nove empregados, dos quais oito são americanos, e faturamento anual superior a US$ 1 milhão.

Rothsay, 600 habitantes e uma fábrica que sustenta a economia local

Imigrante brasileiro cria a Galaxy Enterprises de manufatura de precisão em Minnesota e enfrenta uma política de imigração que atrapalha quem quer empreender.

Em Rothsay, quase todo mundo sabe onde fica a Galaxy. Para muitos moradores, a empresa criada por um Imigrante brasileiro representa uma das principais fontes de emprego e renda. Além de manter a folha de pagamento e pagar impostos, Rossetti assumiu um papel ativo na vida comunitária.

Ele serviu por três anos como bombeiro voluntário e socorrista, ajuda a levantar fundos para famílias com crianças doentes e faz doações para a escola pública local, incluindo cerca de US$ 4.000 apenas em 2016 para programas esportivos.

A fábrica não é só um lugar de produção; virou também um vetor de apoio social em uma cidade minúscula do interior de Minnesota.

Rossetti também tenta influenciar o futuro da mão de obra local. Ele leva alunos do ensino médio de Rothsay para visitar as instalações da Galaxy e conhecer na prática a tecnologia de máquinas-ferramenta.

Na sua visão, a manufatura de precisão oferece bons salários, estabilidade e carreira técnica sólida, com faixas de remuneração entre US$ 40.000 e US$ 70.000 em Minnesota e chegando a US$ 100.000 a US$ 120.000 em estados como a Califórnia.

Para ele, a escassez de maquinistas não é coincidência. A terceirização de produção para o exterior eliminou muitos postos de trabalho ao longo dos anos, empurrando parte dessa força de trabalho para outras áreas.

Recuperar essa base exige tempo, investimento e, na visão do Imigrante brasileiro, também uma política de imigração mais alinhada a quem quer produzir dentro do país.

Quando a imigração não acompanha quem quer empreender

Apesar da história de sucesso, Rossetti é direto: “Minha experiência com imigração é que ela não me ajudou em nada a abrir um negócio.” Na prática, enquanto o negócio crescia, o status imigratório seguia sendo um obstáculo. Ele precisava manter um vínculo formal com a empresa patrocinadora, mesmo já tendo uma operação própria em expansão.

Ao olhar para outros caminhos, como vistos baseados em investimento, o cenário ficava ainda mais distante da realidade de um pequeno empreendedor.

Programas que exigem US$ 500.000 ou US$ 1 milhão de investimento para abrir um negócio e assim buscar um green card simplesmente não se encaixam no orçamento da maioria dos empreendedores estrangeiros.

O próprio Imigrante brasileiro ressalta que quase nenhum empreendedor imigrante “médio” entra nesses critérios, mesmo quando tem capacidade técnica e vontade de gerar empregos.

A crítica central dele é clara: a política de imigração foi desenhada para perfis com muito capital ou para trabalhadores atrelados a empregadores, e não para quem quer construir empresa do zero, respeitando as regras e criando empregos locais.

O Imigrante brasileiro que virou cidadão, mas não esqueceu as barreiras

Com o tempo, Rossetti e a família se estabilizaram em Minnesota, adaptaram-se ao estilo de vida e se identificaram com a cultura local. Ele acabou se tornando cidadão americano, reforçando o vínculo definitivo com o país que escolheu como casa.

Mesmo assim, o Imigrante brasileiro segue inconformado com o desenho da política migratória. Na visão dele, os Estados Unidos perdem potencial econômico ao dificultar a vida de imigrantes qualificados que querem empreender legalmente, enquanto investem recursos em frentes que nem sempre retornam em empregos, impostos e desenvolvimento produtivo.

Ele defende a criação de modelos específicos de visto para empreendedores promissores, que permitam abrir e tocar o negócio sem a obrigação de trabalhar em tempo integral para outra empresa até que a empresa própria decole.

Em outras palavras, um caminho que reconheça que capital financeiro não é o único indicador de valor: experiência técnica, disposição para o trabalho e impacto gerado na comunidade também deveriam pesar na equação.

Um caso isolado ou um retrato de algo maior?

Ao olhar para a trajetória da Galaxy Enterprises, é difícil ignorar a contradição: um Imigrante brasileiro que começou com uma furadeira de bancada, transformou ser “intermediário” em fábrica de precisão, criou empregos para americanos, doou para a escola, ajudou a manter serviços de emergência e ainda assim sente que a política de imigração nunca esteve do seu lado.

No fim, a pergunta que Rossetti deixa ecoar é maior do que a história de uma única fábrica em Minnesota. Se regras mais flexíveis para empreendedores estrangeiros tivessem existido antes, quantas empresas a mais poderiam ter surgido? Quantos empregos adicionais teriam sido criados, quanto mais imposto teria sido recolhido e quantas cidades pequenas poderiam ter sua própria “Galaxy” mudando a economia local?

E você, olhando para essa trajetória de um Imigrante brasileiro que construiu uma fábrica de precisão em uma cidade minúscula, acha que os EUA deveriam facilitar a vida de quem quer empreender legalmente ou que as regras atuais já são duras o suficiente e não precisam mudar?

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Carla Teles

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