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Imagine criar toneladas de peixe no meio do mar usando apenas o celular, é o que acontece em Fuzhou, na China, onde plataformas inteligentes de carbono zero já produzem mais de 2.200 toneladas de frutos do mar por ano e devem chegar a 15 unidades

Publicado em 29/05/2026 às 22:40
Atualizado em 29/05/2026 às 22:44
China cria peixe no oceano com plataformas inteligentes de carbono zero. Aquicultura em Fuzhou produz 2.200 toneladas por ano com dois tripulantes.
China cria peixe no oceano com plataformas inteligentes de carbono zero. Aquicultura em Fuzhou produz 2.200 toneladas por ano com dois tripulantes.
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A cidade de Fuzhou, capital da província chinesa de Fujian, opera plataformas inteligentes de aquicultura em águas profundas de carbono zero que produzem mais de 2.200 toneladas de peixe e frutos do mar por ano, com valor de produção de 44 milhões de dólares. Até o final de 2026, o número total de plataformas chegará a 15, com a conclusão de duas novas unidades chamadas Yunhai que receberão investimento de 130 milhões de yuans. As fazendas flutuantes funcionam com energia solar e eólica, usam 20 sensores inteligentes, exigem apenas um ou dois tripulantes e permitem alimentar o peixe pelo smartphone.

A China está criando peixe em escala industrial no meio do oceano usando plataformas flutuantes de carbono zero que funcionam sem combustível fóssil e são controladas por celular. Em Fuzhou, capital da província de Fujian, 13 plataformas inteligentes de aquicultura em águas profundas já ocupam 270 mil metros cúbicos de água e produzem mais de 2.200 toneladas de peixe e frutos do mar por ano. As estruturas, apelidadas de “Homens de Ferro do Mar”, cultivam espécies de alto valor como corvina-amarela-grande e abalone usando sistemas automatizados de alimentação e monitoramento que reduziram drasticamente a necessidade de mão de obra.

Até o final deste ano, duas novas plataformas chamadas Yunhai serão concluídas, elevando o total para 15 unidades, segundo a ChinaDaily, ampliando a capacidade em 170 mil metros cúbicos. O investimento nas novas estruturas é de 130 milhões de yuans, equivalente a cerca de 97 milhões de reais, e a expectativa é atingir 80% de digitalização em todo o ciclo produtivo de peixe e frutos do mar, com alimentação controlada por smartphone a partir de silos com capacidade de 10 toneladas cada.

Como as plataformas criam peixe sem combustível

Uma vista aérea captura a plataforma inteligente de aquicultura em águas profundas Qiandong 2, na Baía de Dinghai, Fuzhou, província de Fujian. [imagem: CHINA DAILY]
Uma vista aérea captura a plataforma inteligente de aquicultura em águas profundas Qiandong 2, na Baía de Dinghai, Fuzhou, província de Fujian. [imagem: CHINA DAILY]

As plataformas de aquicultura em Fuzhou são sistemas de carbono zero que funcionam com energia solar e eólica complementares. Cada unidade da série Qiandong comporta 20 mil metros cúbicos de água para criação de peixe e opera com quase 20 sensores inteligentes para gerenciamento digital de temperatura, oxigenação, correntes e alimentação.

A gaiola flutuante de 360 graus gira automaticamente acima do nível da água a cada três dias para secagem ao sol e remoção da bioincrustação, organismos marinhos que se acumulam na estrutura e comprometem a qualidade da água. Li Xiaoping, assistente do presidente da Qiandong Marine Granary, explicou que essa rotação automática “resolve de forma eficaz os gargalos históricos de colheita e bioincrustação enfrentados por modelos anteriores, eliminando a necessidade de embarcações de manutenção frequentes”.

O peixe de fazenda com qualidade de selvagem

Um dos diferenciais dessas plataformas é que o peixe cultivado em águas profundas tem qualidade de carne muito superior ao criado em viveiros costeiros convencionais. As correntes oceânicas fortes mantêm os peixes em alto nível de atividade física, o que produz uma carne mais firme e saborosa, muito semelhante à das espécies selvagens capturadas por pescadores tradicionais.

Chen Jinwen, da Marine Granary (Fujian) Technology Co., confirmou que a qualidade é um dos principais argumentos comerciais do peixe produzido nas plataformas. A diferença de preço entre o peixe de águas profundas e o de viveiros rasos justifica o investimento nas estruturas inteligentes, e o valor de produção anual de 44 milhões de dólares comprova que a operação é economicamente viável mesmo com os custos elevados de construção e manutenção em alto mar.

A resistência a supertufões e a operação com dois tripulantes

As plataformas foram projetadas para resistir a supertufões com ventos de categoria 16, condição que destruiria estruturas convencionais de aquicultura costeira. O sistema exige apenas um ou dois tripulantes para manutenção de rotina, e toda a operação de alimentação do peixe pode ser controlada remotamente por meio de smartphones conectados aos 10 silos de ração com capacidade de 10 toneladas cada.

A série Qiandong detém quase 50 patentes e direitos autorais relacionados à tecnologia de carbono zero para aquicultura em águas profundas. A produção comercial de corvina-amarela-grande na Baía de Dinghai, no condado de Lianjiang, demonstra que o modelo funciona em escala real e pode ser replicado em outras regiões costeiras da China e do mundo.

O que as plataformas de peixe significam para o futuro da aquicultura

O governo de Fujian apoia a iniciativa “Fujian Marítima” para expandir a aquicultura em águas profundas, e a província já ocupa o primeiro lugar na China em escala nesse tipo de produção. Chen revelou que a empresa pretende convidar piscicultores tradicionais a se tornarem acionistas das plataformas, transformando pescadores artesanais em gestores de fazendas marinhas avançadas que operam pelo celular.

A estratégia de transformar pescadores tradicionais em “pescadores costeiros” que gerenciam plataformas inteligentes é relevante porque resolve dois problemas simultaneamente: moderniza a produção de peixe e preserva o sustento de comunidades que dependem da pesca.

Para o mundo, o modelo chinês demonstra que é possível criar peixe em escala industrial no meio do oceano, com sistemas de carbono zero, equipe mínima e qualidade comparável à captura selvagem.

Você sabia que a China cria peixe no meio do oceano usando plataformas controladas pelo celular? Acha que o Brasil deveria investir nessa tecnologia para a costa brasileira? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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