A cidade de Fuzhou, capital da província chinesa de Fujian, opera plataformas inteligentes de aquicultura em águas profundas de carbono zero que produzem mais de 2.200 toneladas de peixe e frutos do mar por ano, com valor de produção de 44 milhões de dólares. Até o final de 2026, o número total de plataformas chegará a 15, com a conclusão de duas novas unidades chamadas Yunhai que receberão investimento de 130 milhões de yuans. As fazendas flutuantes funcionam com energia solar e eólica, usam 20 sensores inteligentes, exigem apenas um ou dois tripulantes e permitem alimentar o peixe pelo smartphone.
A China está criando peixe em escala industrial no meio do oceano usando plataformas flutuantes de carbono zero que funcionam sem combustível fóssil e são controladas por celular. Em Fuzhou, capital da província de Fujian, 13 plataformas inteligentes de aquicultura em águas profundas já ocupam 270 mil metros cúbicos de água e produzem mais de 2.200 toneladas de peixe e frutos do mar por ano. As estruturas, apelidadas de “Homens de Ferro do Mar”, cultivam espécies de alto valor como corvina-amarela-grande e abalone usando sistemas automatizados de alimentação e monitoramento que reduziram drasticamente a necessidade de mão de obra.
Até o final deste ano, duas novas plataformas chamadas Yunhai serão concluídas, elevando o total para 15 unidades, segundo a ChinaDaily, ampliando a capacidade em 170 mil metros cúbicos. O investimento nas novas estruturas é de 130 milhões de yuans, equivalente a cerca de 97 milhões de reais, e a expectativa é atingir 80% de digitalização em todo o ciclo produtivo de peixe e frutos do mar, com alimentação controlada por smartphone a partir de silos com capacidade de 10 toneladas cada.
Como as plataformas criam peixe sem combustível
![Uma vista aérea captura a plataforma inteligente de aquicultura em águas profundas Qiandong 2, na Baía de Dinghai, Fuzhou, província de Fujian. [imagem: CHINA DAILY]](https://clickpetroleoegas.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Imagine-criar-toneladas-de-peixe-no-meio-do-mar-usando-apenas-2-1290x726.jpg)
As plataformas de aquicultura em Fuzhou são sistemas de carbono zero que funcionam com energia solar e eólica complementares. Cada unidade da série Qiandong comporta 20 mil metros cúbicos de água para criação de peixe e opera com quase 20 sensores inteligentes para gerenciamento digital de temperatura, oxigenação, correntes e alimentação.
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A gaiola flutuante de 360 graus gira automaticamente acima do nível da água a cada três dias para secagem ao sol e remoção da bioincrustação, organismos marinhos que se acumulam na estrutura e comprometem a qualidade da água. Li Xiaoping, assistente do presidente da Qiandong Marine Granary, explicou que essa rotação automática “resolve de forma eficaz os gargalos históricos de colheita e bioincrustação enfrentados por modelos anteriores, eliminando a necessidade de embarcações de manutenção frequentes”.
O peixe de fazenda com qualidade de selvagem
Um dos diferenciais dessas plataformas é que o peixe cultivado em águas profundas tem qualidade de carne muito superior ao criado em viveiros costeiros convencionais. As correntes oceânicas fortes mantêm os peixes em alto nível de atividade física, o que produz uma carne mais firme e saborosa, muito semelhante à das espécies selvagens capturadas por pescadores tradicionais.
Chen Jinwen, da Marine Granary (Fujian) Technology Co., confirmou que a qualidade é um dos principais argumentos comerciais do peixe produzido nas plataformas. A diferença de preço entre o peixe de águas profundas e o de viveiros rasos justifica o investimento nas estruturas inteligentes, e o valor de produção anual de 44 milhões de dólares comprova que a operação é economicamente viável mesmo com os custos elevados de construção e manutenção em alto mar.
A resistência a supertufões e a operação com dois tripulantes
As plataformas foram projetadas para resistir a supertufões com ventos de categoria 16, condição que destruiria estruturas convencionais de aquicultura costeira. O sistema exige apenas um ou dois tripulantes para manutenção de rotina, e toda a operação de alimentação do peixe pode ser controlada remotamente por meio de smartphones conectados aos 10 silos de ração com capacidade de 10 toneladas cada.
A série Qiandong detém quase 50 patentes e direitos autorais relacionados à tecnologia de carbono zero para aquicultura em águas profundas. A produção comercial de corvina-amarela-grande na Baía de Dinghai, no condado de Lianjiang, demonstra que o modelo funciona em escala real e pode ser replicado em outras regiões costeiras da China e do mundo.
O que as plataformas de peixe significam para o futuro da aquicultura
O governo de Fujian apoia a iniciativa “Fujian Marítima” para expandir a aquicultura em águas profundas, e a província já ocupa o primeiro lugar na China em escala nesse tipo de produção. Chen revelou que a empresa pretende convidar piscicultores tradicionais a se tornarem acionistas das plataformas, transformando pescadores artesanais em gestores de fazendas marinhas avançadas que operam pelo celular.
A estratégia de transformar pescadores tradicionais em “pescadores costeiros” que gerenciam plataformas inteligentes é relevante porque resolve dois problemas simultaneamente: moderniza a produção de peixe e preserva o sustento de comunidades que dependem da pesca.
Para o mundo, o modelo chinês demonstra que é possível criar peixe em escala industrial no meio do oceano, com sistemas de carbono zero, equipe mínima e qualidade comparável à captura selvagem.
Você sabia que a China cria peixe no meio do oceano usando plataformas controladas pelo celular? Acha que o Brasil deveria investir nessa tecnologia para a costa brasileira? Conta nos comentários.

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