Após foto viral levantar dúvidas sobre a Orion, NASA afirmou que a descoloração no escudo térmico da Artemis 2 era esperada após reentrada
A missão Artemis 2 voltou à Terra na sexta-feira com a cápsula Orion protegida por seu escudo térmico na reentrada, após enfrentar até 1.650 graus Celsius, enquanto imagens do pós-pouso levantaram dúvidas sobre possível dano na estrutura.
Foto viral levanta suspeitas
A missão Artemis 2 terminou em segurança, mas uma imagem ampliada da parte inferior da Orion viralizou no fim de semana e levantou suspeitas.
Na foto, uma área branca parecia indicar a falta de um grande pedaço de material no escudo térmico. Como a ablação controlada é esperada na reentrada, surgiu a hipótese de desgaste anormal.
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A repercussão cresceu porque o ponto fotografado ficava em região sensível da base da cápsula. Para alguns observadores, a aparência sugeria perda fora do normal durante a reetrada atmosférica.
NASA esclarece a imagem
A resposta veio após publicação no X de Eric Berger, editor sênior da Ars Technica. Jared Isaacman, administrador da NASA, afirmou que a descoloração observada não indicava liberação de material.
Ele explicou que a cor branca correspondia à área da almofada de compressão e era compatível com a geometria local, com subprodutos do AVOCAT e com os ambientes de aquecimento de transição.
Isaacman acrescentou que esse comportamento já havia sido observado nos testes de jato de arco e que era esperado naquela área específica da almofada de compressão da Orion na Artemis 2.
Para o administrador, não há nada de anormal na imagem divulgada. Ainda assim, a NASA fará a revisão de dados de todos os sistemas da Orion, como previsto, e divulgará as conclusões.
Artemis 1 ainda pesa
A cautela em torno da Artemis 2 tem relação com o histórico da Orion. Após o retorno da Artemis 1, em dezembro de 2022, engenheiros identificaram desprendimentos irregulares de grandes pedaços do escudo térmico.
A investigação apontou que gases gerados dentro da camada externa ablativa não conseguiam sair adequadamente. Com isso, houve acúmulo de pressão e, depois, o desprendimento irregular de partes do material.
Para a missão tripulada Artemis 2, a NASA decidiu modificar a trajetória de reentrada da Orion, em vez de alterar o projeto do escudo térmico. A ideia era permitir que a camada externa pudesse respirar.
Decisão gerou críticas
Nem todos concordaram com a solução adotada. O astronauta aposentado Charles Camarda criticou a escolha e argumentou que os engenheiros não compreendiam totalmente a causa raiz do dano observado na Artemis 1.
Na avaliação dele, sem esse entendimento completo, seria difícil prever como o escudo se comportaria sob o perfil de reentrada modificado. A análsie pós-pouso na água ainda está em andamento.
Retorno seguro da Orion
Mesmo com o debate, Isaacman afirmou que nenhuma condição inesperada apareceu nas imagens feitas por mergulhadores logo após o pouso ou nas inspeções iniciais a bordo do USS John P. Murtha.
Independentemente do resultado final da investigação, o escudo térmico cumpriu sua função na Artemis 2.
Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen retornaram, e a espaçonave teve desempenho excelente, apesar de problemas no sistema hidráulico.
Com informações de Daily Galaxy.

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