Hyundai Veloster 1.6, antes fracasso de vendas e alvo de críticas, renasce como cupê raro e desejado por colecionadores; visual único e mecânica confiável impulsionam procura.
Quando o Hyundai Veloster desembarcou no Brasil em 2011, tudo indicava que ele dominaria o segmento de cupês modernos. O visual agressivo, o teto panorâmico, o interior futurista e, principalmente, as três portas assimétricas criaram a sensação de que a Hyundai havia lançado um novo esportivo acessível. A expectativa era de um carro forte, rápido e com desempenho à altura do design. Mas bastou o público descobrir que o modelo brasileiro vinha equipado com o motor 1.6 Gamma de 128 cv, o mesmo usado em compactos, para a promessa desmoronar. O resultado foi imediato: críticas duras, vendas fracas e a transformação do Veloster em um dos maiores “micos” automotivos da década.
Mais de dez anos depois, porém, a história mudou completamente. O mesmo cupê que virou piada nacional hoje é tratado como uma raridade, especialmente em versões bem conservadas. O Veloster praticamente sumiu das ruas, envelheceu com personalidade e se encaixou perfeitamente no fenômeno dos “new classics”, carros recentes que fracassaram no passado, mas passaram a despertar interesse por seu visual, proposta única e baixa oferta no mercado de usados. Agora resta entender como um modelo tão criticado está ressurgindo como item de colecionador.
O motor 1.6 Gamma: o ponto mais polêmico do Veloster
O motor 1.6 16V Gamma flex de 128 cv sempre foi o maior motivo de frustração para quem esperava desempenho de esportivo. Ele não tinha turbo, não tinha grande torque e não oferecia acelerações dignas de seu visual agressivo, mesmo com o câmbio automático de seis marchas. O 0 a 100 km/h passava dos 12 segundos, algo muito distante do padrão esportivo da época.
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Esquecido por muitos, esse “tanque de guerra” da Hyundai custa o preço de um Kwid 0 km: com motor 2.0 de até 167 cv, câmbio automático, entre-eixos de 2,64m e autonomia de 650 km, o Hyundai ix35 2019 oferece amplo espaço interno, conforto e boa reputação mecânica, custando menos de R$ 90 mil na FIPE
Mas o que era motivo de crítica em 2011 se tornou, hoje, um ponto positivo para quem busca o Veloster: trata-se de um motor extremamente confiável, simples, resistente e com manutenção acessível. É um conjunto que raramente dá dores de cabeça quando mantido com o básico — e isso é vantagem importante para um cupê que já entrou na faixa dos carros colecionáveis.
Design futurista que envelheceu bem
O que era visto como exagerado em 2011 agora virou identidade. O Veloster tem linhas que continuam chamando atenção, mesmo após mais de uma década. A carroceria baixa, o teto longo, as lanternas grandes e, principalmente, a porta extra no lado do passageiro compõem um visual que não se repete em nenhum outro carro vendido no Brasil.
A raridade do design, somada ao fim das importações e ao sumiço dos exemplares das ruas, criou um cenário curioso: o Veloster amadureceu como peça visual única, algo que nenhum concorrente entregou.
O fracasso comercial que impulsionou sua valorização
O impacto negativo do motor fraco fez o Veloster encalhar nas concessionárias, provocando um dos piores desempenhos comerciais que a Hyundai já enfrentou por aqui. Mas justamente o fracasso é o que agora ajuda a valorizar o carro. Como pouquíssimas unidades foram vendidas, e muitas não sobreviveram bem ao tempo, encontrar um Veloster íntegro, com baixa quilometragem e interior original se tornou tarefa difícil. E é exatamente essa escassez que criou o interesse dos colecionadores.
O mercado automotivo sempre transformou fracassos em ícones. Aconteceu com o Fiat Marea Turbo, com o Kadett GSi, com o Peugeot 206 Rallye e agora está acontecendo com o Veloster. Jovens adultos que viram o carro nas ruas quando eram adolescentes passaram a enxergar nele um “sonho acessível”. Além disso, o cupê reúne características perfeitas para virar objeto de coleção: design ousado, baixa oferta, mecânica confiável e uma história polêmica que o torna marcante dentro da indústria brasileira.
O que impulsiona a procura atual
Nos últimos três anos, plataformas de venda registram aumento na busca pelo modelo. Versões com teto panorâmico, rodas originais e interior sem reformas são as mais procuradas. A manutenção do Veloster também surpreende: apesar do visual de esportivo, é um carro relativamente simples de manter. O motor Gamma tem peças baratas, o câmbio automático é robusto, e grande parte da manutenção pode ser realizada em oficinas comuns.
Outro fator que impulsiona o interesse é a falta de concorrentes diretos. O Brasil não recebe mais cupês acessíveis; quem quer um carro com visual esportivo e personalidade própria precisa buscar exemplares usados de modelos que já não são produzidos — e o Veloster ocupa exatamente esse nicho.
O Veloster é a prova de que o mercado muda — e que até fracassos têm futuro
O Hyundai Veloster 1.6 de 128 cv nunca foi o esportivo que o público esperava. Ele falhou nas vendas, foi criticado pela imprensa e virou meme por anos. Mas, com o tempo, o mercado reavalia tudo. O que um dia foi motivo de piada hoje é tratado como raridade, peça de valor crescente e modelo de nicho com personalidade forte e história única. O Veloster é um exemplo claro de como o design, a proposta e a exclusividade podem transformar um fracasso comercial em um coupé cult desejado.


O design do carro atrai, e realmente desperta interesse, mas parece que o consumo, não revelado na matéria, além do seu fraco desempenho, acaba prejudicando a venda .
Não conhece o carro. Ele é a gasolina e econômico.
Realmente o editor não revelou o consumo econômico do Veloster. Aliás, ponto positivo desse motor Gamma.