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Hotel Eva, de 1966, precisa tirar em “corte controlado” com guindaste a parte suspensa sobre a rodoviária de Faro para ganhar 44 quartos e piscina

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 01/10/2026 às 16:22
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A demolição da parte do Hotel Eva que fica sobre a rodoviária de Faro, em foto divulgada pela construtora AOC.
A demolição da parte do Hotel Eva que fica sobre a rodoviária de Faro, em foto divulgada pela construtora AOC. Foto: Divulgação/AOC
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O antigo Hotel Eva, hoje AP Eva Senses, chega aos 60 anos com a ampliação em obra. A construtora AOC informou que parte do prédio fica em cima do terminal de ônibus e exige remoção por corte controlado com guindaste; o dono prevê a obra pronta até abril de 2027.

O Hotel Eva, hoje chamado AP Eva Senses, em Faro, no Algarve português, chegou aos 60 anos em obra. O prédio ganha 44 quartos e um rooftop com piscina nova, com conclusão prevista para o primeiro quadrimestre de 2027.

A previsão foi publicada pelo Grupo Madre, dono da rede AP Hotels & Resorts, em comunicado de 1º de outubro de 2026, sobre o jantar de gala dos 60 anos do hotel.

O desafio central é outro. Uma porção da estrutura antiga fica suspensa sobre a gare rodoviária, o terminal de ônibus da cidade, e exige remoção por corte controlado, com apoio de grua, informou a construtora AOC – Engenharia & Construção.

O que a AOC mostrou da demolição do Hotel Eva sobre a rodoviária

A AOC é a responsável pela execução da ampliação do Hotel Eva. Em post no LinkedIn de 17 de fevereiro de 2026, a empresa descreveu o desafio central do projeto.

Entulho sobre a estrutura que cobre a saída da rodoviária, com o braço da escavadeira em primeiro plano.
Entulho sobre a estrutura que cobre a saída da rodoviária, com o braço da escavadeira em primeiro plano. Foto: Divulgação/AOC

“O principal desafio do projeto reside na demolição da estrutura existente, que exige a combinação de diferentes soluções técnicas”, escreveu a construtora.

Na sequência, a AOC explicou o ponto delicado. “Parte da estrutura encontra-se suspensa sobre a gare rodoviária, sendo necessária a sua remoção por corte controlado, com apoio de grua, garantindo a máxima segurança e rigor na execução”, diz o post.

Grua, em Portugal, é o guindaste de torre que no Brasil aparece no alto dos prédios em construção. O post da AOC trouxe cinco fotos da obra, e elas mostram o tamanho do problema.

O que as cinco fotos da obra revelam

A foto mais impressionante da AOC mostra o braço longo de uma escavadeira de demolição avançando sobre o topo do prédio, com uma ferramenta hidráulica na ponta. Embaixo, lajes partidas, entulho e paredes abertas.

No fundo da mesma imagem aparecem a Ria Formosa, com dezenas de barcos, uma linha férrea, um estacionamento cheio de carros e um ônibus azul. A cena mostra que a obra acontece no meio da cidade, colada a áreas de circulação.

Outra foto mostra um trecho do prédio cortado de cima a baixo, como uma maquete aberta. Dá para ver lajes inclinadas, ferragens soltas, uma escada interna e uma placa verde de “Saída” ainda presa à parede.

Uma terceira imagem, tirada por um buraco na alvenaria, mostra uma estrutura de treliças pintadas de branco, com placas de “Saída”, e um monte de entulho no nível de baixo.

As duas últimas mostram a grua amarela, de treliça, e uma escavadeira de longo alcance com garras na ponta, trabalhando na fachada já parcialmente demolida. Andaimes com tela de proteção cercam o prédio, e um painel na obra exibe “Bem-vindo a Faro”.

Por que não dava para simplesmente derrubar

Demolir um prédio isolado pode ser feito com máquinas que puxam e quebram a estrutura, deixando o entulho cair no próprio terreno. No Hotel Eva, segundo a AOC, parte do prédio estava em cima de um terminal de ônibus.

Daí o “corte controlado” citado pela construtora: a estrutura é desmontada em partes, e cada parte sai do lugar presa a um equipamento de içamento, a grua. A AOC justificou o método com a posição do prédio sobre a gare e com a “máxima segurança”.

É a lógica inversa da construção. Em vez de subir peça por peça, o prédio desce peça por peça, numa ordem que mantém apoiado e estável o que ainda está de pé.

Como funciona um corte controlado com guindaste

Em obras desse tipo, pela prática geral de engenharia, a peça a ser retirada é amarrada ao gancho do guindaste antes de ser separada do resto da estrutura. Só depois começa o corte.

A grua da obra ao lado da fachada já cortada do hotel, com o painel de boas-vindas a Faro à esquerda.
A grua da obra ao lado da fachada já cortada do hotel, com o painel de boas-vindas a Faro à esquerda. Foto: Divulgação/AOC

No corte controlado de concreto armado, o trabalho costuma ser feito com serras de disco ou com fio diamantado, que atravessam o concreto e o aço da armadura sem impacto. Furos feitos com coroa diamantada servem para passar cintas ou cabos de içamento.

Quando a peça se solta, ela já está pendurada. O guindaste tira o bloco e o desce até uma área de descarga, longe de quem circula embaixo.

O que a AOC afirmou foi o objetivo: “máxima segurança e rigor na execução”. As fotos do post mostram que, além do corte, houve demolição mecânica com escavadeiras, com o entulho acumulado no térreo.

O peso que decide o tamanho de cada pedaço

No corte controlado, o tamanho dos blocos não é livre. Ele depende da capacidade do guindaste na distância em que vai trabalhar, porque, quanto mais longe da torre, menos peso a lança aguenta.

Uma conta da redação mostra a escala. O concreto armado pesa cerca de 2,5 toneladas por metro cúbico. Um trecho de laje de 3 metros por 2 metros, com 25 centímetros de espessura, tem 1,5 m³ e pesa perto de 3,75 toneladas.

Por isso, uma laje grande costuma ser dividida em vários blocos menores, cada um dentro da tabela de carga do guindaste, com margem para o vento e para o balanço da carga.

Hotel Eva ganha 43 ou 44 quartos?

O número de quartos mudou ao longo dos comunicados. Em setembro de 2025, o Grupo Madre falava em mais 43 quartos, no bloco da piscina. Em fevereiro de 2026, a AOC também citou 43 novos quartos.

Em 12 de junho de 2026, o Grupo Madre passou a informar mais 44 quartos, todos com vista para a Ria Formosa. O comunicado de 1º de outubro de 2026 repete os 44 quartos.

O número mais recente, de quem é dono do Hotel Eva, é 44. É o que vale para a obra em andamento, segundo o comunicado de outubro.

A piscina no topo: reconstrução e rooftop novo

A AOC descreveu a obra como a construção dos novos quartos e a “reconstrução da piscina no rooftop”. O Grupo Madre, em setembro de 2025, falou na construção de um novo rooftop com uma infinity pool, a piscina de borda infinita.

Uma foto aérea divulgada pelo Grupo Madre mostra como era o hotel: um bloco principal virado para a marina e, ao lado, um bloco mais baixo com uma piscina azul no terraço.

O grupo chama de bloco da piscina a parte onde ficam os novos quartos.

O comunicado de junho de 2026, ao falar do projeto com rooftop e nova piscina, previa inauguração em outubro de 2026. O comunicado de 1º de outubro não repete essa data e fala na obra total pronta no primeiro quadrimestre de 2027.

Por que piscina em terraço exige estrutura reforçada

Água pesa muito. Cada metro cúbico de água pesa uma tonelada, e cada 10 centímetros de lâmina d’água colocam cerca de 100 quilos sobre cada metro quadrado da laje.

A conta a seguir é um exemplo da redação, com medidas escolhidas só para mostrar a escala: uma piscina de 10 metros por 4 metros, com 1,4 metro de profundidade, guarda 56 m³ de água, ou 56 toneladas.

A esse peso se somam o tanque de concreto, o revestimento e as pessoas. Uma borda infinita também usa canal de transbordo e bombas, que precisam de espaço e apoio na estrutura.

A linha do tempo da ampliação do Hotel Eva

A obra foi dividida em duas fases, segundo o Grupo Madre. A primeira terminou em julho de 2025, com um novo ginásio, quatro salas de reunião, spa, piscina interior e uma zona de exposições.

Em 26 de setembro de 2025, o grupo informou que a segunda fase começaria em outubro de 2025. Essa fase é a ampliação com os novos quartos e o rooftop.

Em 17 de fevereiro de 2026, a AOC mostrou a demolição em andamento.

Em 12 de junho de 2026, o grupo informou que o hotel iniciava a construção dos 44 quartos. Em 1º de outubro de 2026, manteve a obra total para o primeiro quadrimestre de 2027.

Quanto tempo falta, nas contas da redação

O primeiro quadrimestre de 2027 termina em 30 de abril de 2027. Do post da AOC, em 17 de fevereiro de 2026, até essa data, a conta da redação dá 1 ano, 2 meses e 13 dias.

Do comunicado de 1º de outubro de 2026 até 30 de abril de 2027, faltam 6 meses e 29 dias, pela mesma conta. É o prazo que o Grupo Madre se deu para entregar a obra completa.

Do início da segunda fase previsto pelo grupo, em outubro de 2025, até o fim de abril de 2027, a ampliação soma cerca de um ano e meio de obra, segundo a conta da redação.

O que mais mudou no hotel durante as obras

Nem tudo é concreto novo. No ano dos 60 anos, segundo o Grupo Madre, o restaurante Adão foi renovado e ganhou um conceito de Bistro Bar.

O lobby também foi ampliado, com uma nova zona de estar, informou o grupo. Em 6 de outubro de 2025, o hotel inaugurou um novo espaço de exposições e depois apresentou um mural do artista plástico Edgar Pacheco, inspirado no turismo.

Um hotel de 1966, do tempo em que o turismo do Algarve começava

O Hotel Eva foi inaugurado em 1º de abril de 1966, segundo o Grupo Madre. Foi mandado construir por Aníbal da Cruz Guerreiro, empresário local que atuava dos transportes ao turismo.

O projeto é do arquiteto Alberto Cruz. O hotel abriu no ano seguinte à inauguração do Aeroporto de Faro, quando o Algarve começava a virar destino turístico, e se tornou ponto de encontro da cidade, registra o grupo.

Hoje, o AP Eva Senses fica junto à Marina de Faro, na Baixa, de frente para a Ria Formosa, parque natural da região. Pela conta da redação, de 1º de abril de 1966 a 1º de abril de 2026 se passaram exatos 60 anos.

A festa dos 60 anos com a obra em andamento

O jantar de gala foi servido no restaurante Harune e teve concerto da fadista Cuca Roseta, informou o Grupo Madre.

Estiveram presentes o presidente da Câmara de Faro, António Pina, o presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, e o presidente do Sporting Clube Farense, João Rodrigues, entre outros convidados, segundo o comunicado.

“O AP Eva Senses assinala os seus 60 anos de existência com a construção de mais 44 quartos”, diz o texto. O hotel, conclui o grupo, “completa os seus 60 anos virado para o futuro”.

O que acompanhar no Hotel Eva até abril de 2027

Há três pontos para conferir nos próximos meses. O primeiro é se haverá inauguração ainda em outubro de 2026, como previa o comunicado de junho do Grupo Madre.

O segundo é a conclusão dos 44 quartos dentro do primeiro quadrimestre de 2027. O terceiro é a forma final da piscina no topo, que a AOC chamou de “reconstrução” e o Grupo Madre de “infinity pool”.

A parte mais delicada, a retirada por corte controlado da estrutura sobre a rodoviária, foi descrita pela construtora em fevereiro de 2026, com a demolição em andamento nas fotos. Em junho de 2026, o Grupo Madre informou o início da construção dos 44 quartos, e em outubro manteve a entrega da obra completa para o primeiro quadrimestre de 2027.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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