1. Início
  2. Construção
  3. Fábrica usa braços robóticos para produzir estruturas de madeira para cerca de 100 casas por semana na Inglaterra e pode reduzir em dez semanas o tempo de construção de uma residência
Faça um comentário 6 min de leitura

Fábrica usa braços robóticos para produzir estruturas de madeira para cerca de 100 casas por semana na Inglaterra e pode reduzir em dez semanas o tempo de construção de uma residência

Imagem de perfil do autor Flavia Marinho
Escrito por Flavia Marinho Publicado em 01/10/2026 às 18:29 Atualizado em 01/10/2026 às 18:30
Google News
Fábrica usa braços robóticos para produzir estruturas de madeira para cerca de 100 casas por semana
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Instalada perto de Oxford, fábrica da Donaldson Timber Systems usa inteligência artificial e robôs para fabricar paredes, pisos e coberturas de madeira, enquanto estudo aponta custo 2,8% menor que o da alvenaria tradicional

Uma fábrica na Inglaterra está usando braços robóticos para produzir estruturas de madeira destinadas a cerca de 100 casas por semana, em um processo que pode reduzir em aproximadamente dez semanas o tempo necessário para construir uma residência.

A instalação pertence à Donaldson Timber Systems e fica em Witney, perto de Oxford. No local, robôs controlados digitalmente trabalham na fabricação de paredes, pisos e coberturas que chegam ao terreno preparados para a montagem.

A operação foi apresentada em 14 de agosto de 2025 pela Reuters, agência internacional de notícias, que mostrou como a combinação entre madeira e automação industrial está sendo utilizada para enfrentar a falta de trabalhadores e acelerar a construção de moradias britânicas.

Projeto entra no computador e braços robóticos transformam madeira em paredes, pisos e coberturas para casas

A produção começa antes mesmo de a madeira chegar aos equipamentos. O projeto da residência é inserido digitalmente no sistema da fábrica, que utiliza inteligência artificial para orientar parte do processo produtivo e reduzir a necessidade de desenhos em papel.

A partir dessas informações, máquinas realizam cortes e braços robóticos participam da fabricação dos componentes estruturais. Equipamentos com laser auxiliam a produção das peças que serão reunidas em painéis.

Em vez de enviar apenas madeira cortada para os trabalhadores construírem tudo no terreno, a Donaldson Timber Systems prepara conjuntos que podem ser montados diretamente no local da obra.

A fábrica produz estruturas para paredes, pisos e telhados. Depois, esses componentes seguem para as construtoras, responsáveis pela montagem das residências e pelas demais etapas necessárias para entregar os imóveis.

A capacidade informada de cerca de 100 casas por semana se refere às estruturas produzidas pela instalação industrial, não a residências inteiramente construídas e prontas para receber moradores.

Empresa afirma que construção com madeira pode economizar dez semanas e estudo aponta custo 2,8% menor que o da alvenaria

Alex Goodfellow, diretor executivo da Donaldson Timber Systems, afirma que a combinação entre robôs, equipamentos com laser e componentes preparados na fábrica permite reduzir em aproximadamente dez semanas o cronograma de construção de uma casa.

A comparação considera o processo industrializado diante dos métodos tradicionais de construção. A vantagem está principalmente na possibilidade de preparar grandes partes da residência antes de transportá-las para o terreno.

Outro dado envolve o custo. Um estudo da consultoria Rider Levett Bucknall identificou que a construção com madeira apresentou custo 2,8% inferior ao da alvenaria na comparação realizada.

São indicadores diferentes. A redução de dez semanas é uma estimativa apresentada pela fabricante, enquanto o percentual de economia financeira vem da análise da consultoria.

Isso não significa que qualquer casa de madeira ficará automaticamente 2,8% mais barata ou será concluída dez semanas antes. Os resultados dependem das condições de cada construção e da aplicação do sistema industrializado.

Inglaterra concluiu quase 200 mil casas em um ano, mas apenas 40.500 utilizavam estruturas de madeira

Apesar da presença de fábricas automatizadas, a construção de casas com estruturas de madeira ainda representa uma parcela relativamente pequena do mercado residencial inglês.

Os números divulgados pela Reuters, agência internacional de notícias, mostram que a Inglaterra concluiu quase 200 mil novas moradias no período de 2023 a 2024. Desse total, aproximadamente 40.500 tinham estruturas de madeira.

O governo britânico havia estabelecido uma meta de construção de 300 mil moradias por ano, criando pressão para ampliar a capacidade produtiva e encontrar alternativas aos métodos tradicionais.

Nesse contexto, empresas como Vistry e Taylor Wimpey passaram a investir ou planejar instalações próprias para produzir estruturas residenciais de madeira.

A Bellway também apresentou o objetivo de utilizar o material em um terço de seus projetos habitacionais até 2030.

A expansão dessas fábricas representa uma tentativa de aproximar a construção civil de outros setores industriais, nos quais máquinas fabricam componentes em série antes da montagem do produto final.

Casas de madeira ainda enfrentam resistência por causa de incêndios, umidade, financiamento e dependência de importações

A velocidade de fabricação não elimina as dificuldades enfrentadas pelas construções de madeira no Reino Unido.

Uma das principais barreiras envolve preocupações antigas com durabilidade, apodrecimento e riscos de incêndio. Esses receios também podem dificultar a obtenção de garantias para determinados imóveis.

Na década de 1980, a construtora Barratt Homes tentou ampliar a utilização da madeira, mas encontrou resistência relacionada à possibilidade de deterioração e à vulnerabilidade ao fogo.

Andrew Orriss, representante da associação britânica de estruturas de madeira, sustenta que as normas atuais de construção e as orientações de segurança contra incêndios passaram a tratar dessas preocupações.

O financiamento imobiliário também representa um obstáculo. Parte das dificuldades está relacionada à aceitação desse tipo de construção por instituições financeiras e empresas que oferecem garantias.

Existe ainda a dependência externa. Cerca de 80% da madeira utilizada no Reino Unido é importada, principalmente de países europeus.

Portanto, embora a madeira possa oferecer vantagens ambientais e industriais, sua adoção em larga escala também depende de fornecimento, normas de segurança e aceitação pelo mercado imobiliário.

Robôs podem ajudar a enfrentar a falta de trabalhadores e atrair uma nova geração para a construção civil

A experiência da Donaldson Timber Systems também apresenta uma possível resposta para um problema enfrentado pelas construtoras britânicas: o envelhecimento dos trabalhadores.

Cerca de um quinto dos profissionais da construção civil no Reino Unido tinha mais de 50 anos nos dados apresentados em 2025. Entre eles, 25% poderiam se aposentar ao longo da década seguinte.

Ao transferir parte da fabricação para ambientes industriais automatizados, as empresas conseguem diminuir a necessidade de executar determinadas tarefas manualmente nos terrenos.

Entretanto, a adoção de robôs ainda era limitada no setor britânico. Em 2023, havia uma estimativa de 0,5 robô para cada 10 mil trabalhadores da construção no Reino Unido, enquanto a média europeia era de 1,5.

Frank O’Reilly, diretor de fabricação da Donaldson Timber Systems, também identificou outro efeito da automação: o aumento do interesse de trabalhadores mais jovens pelas atividades da empresa.

O uso de equipamentos digitais cria oportunidades para profissionais interessados em tecnologia e processos industriais, além das funções tradicionais da construção civil.

O que a experiência britânica revela sobre a construção de casas de madeira no Brasil?

A fábrica de Witney apresenta um modelo que pode servir de referência para regiões brasileiras interessadas em ampliar o uso de madeira industrializada na construção civil.

Em estados com produção de madeira destinada à construção, a fabricação automatizada de paredes, pisos e coberturas poderia aproximar a atividade florestal da indústria de componentes habitacionais.

A aplicação desse modelo no Brasil, entretanto, dependeria das condições de fornecimento, do investimento em fábricas, das exigências técnicas e da aceitação dos sistemas construtivos pelo mercado.

O aspecto central da experiência britânica está na transferência de parte do trabalho realizado no terreno para uma linha de produção industrial, onde os componentes podem ser preparados antes do início da montagem da residência.

A Donaldson Timber Systems mostra que a madeira pode integrar processos de construção com inteligência artificial, máquinas automatizadas e montagem de estruturas em maior escala.

A capacidade de fabricar componentes para cerca de 100 residências por semana demonstra o alcance desse sistema, enquanto a estimativa de economia de dez semanas ajuda a explicar o interesse das construtoras pela tecnologia.

Você moraria em uma casa com estrutura de madeira fabricada por robôs ou ainda prefere a construção tradicional de tijolos e concreto? Compartilhe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Fonte
Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x