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Obra de 3.570 m³ de concreto e peças pré-fabricadas no guindaste: como uma piscina de ondas em Búzios ganhou um tanque que não pode vazar

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 01/10/2026 às 14:07
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Peça pré-fabricada içada por guindaste na obra da piscina de ondas em Búzios (RJ), com os painéis já montados ao fundo.
Peça pré-fabricada içada por guindaste na obra da piscina de ondas em Búzios (RJ), com os painéis já montados ao fundo. Foto: Divulgação/Cassol Pré-Fabricados
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A Cassol Pré-Fabricados mostrou como montou a estrutura de concreto de uma piscina de ondas em Búzios (RJ). Veja o que as fotos revelam sobre as peças, as ligações e o desafio de vedar um tanque montado em partes.

Uma piscina de ondas em Búzios, no Rio de Janeiro, teve a estrutura montada com peças de concreto feitas em fábrica e levadas prontas ao canteiro. A obra soma 3.570 m³ de concreto, informou a Cassol Pré-Fabricados em post de 4 de maio de 2026.

“Nesta obra da piscina de ondas em Búzios/RJ, a escolha pela estrutura pré-fabricada da Cassol foi estratégica”, escreveu a empresa em sua página no LinkedIn. O post da Cassol traz quatro fotos da montagem.

As imagens mostram caixas de concreto penduradas em guindaste, uma longa fileira de painéis já em pé e uma peça em forma de U com ferros de ligação expostos. É a parte da piscina de ondas que fica escondida quando a água entra.

O que a Cassol mostrou da obra da piscina de ondas em Búzios

A empresa conta que precisou desenvolver peças especiais para atender ao cliente. Elas têm, nas palavras da Cassol, “dimensões robustas e geometria diferente do usual”.

Peça em U e fileira de compartimentos de concreto na obra da piscina de ondas em Búzios.
Peça em U e fileira de compartimentos de concreto na obra da piscina de ondas em Búzios. Foto: Divulgação/Cassol Pré-Fabricados

Em vez de concretar essas formas complexas no próprio terreno, a fábrica as produziu prontas. “Industrializar peças complexas foi a chave do sucesso, porque permitiu a eliminação de concretagens complicadas no canteiro”, afirmou a empresa.

A Cassol também defende o método como tendência do setor. Para a empresa, a industrialização transforma “canteiros de obras em locais de montagem eficientes e limpos”.

3.570 m³ de concreto: o tamanho da obra em contas da redação

O volume de 3.570 m³ é difícil de visualizar. As contas a seguir são da redação e usam medidas de referência da engenharia.

Uma piscina olímpica de 50 por 25 metros, com 2 metros de profundidade, guarda 2.500 m³ de água. Pela conta da redação, o concreto da obra de Búzios daria para encher cerca de 1,4 piscina olímpica.

O concreto armado pesa por volta de 2,5 toneladas por metro cúbico. Por essa média, a estrutura soma perto de 8,9 mil toneladas de concreto, na conta da redação.

Outra forma de medir é o caminhão betoneira. Um caminhão comum leva cerca de 8 m³ por viagem, e o volume total equivale a mais ou menos 446 cargas, segundo a mesma conta.

Parte desse volume, no caso de Búzios, chegou ao terreno em forma de peças prontas, içadas e encaixadas no lugar, como mostram as fotos da Cassol.

Por que peças “fora do padrão” saem da fábrica e não do canteiro

Concretar no canteiro uma peça com curvas, nichos e paredes altas exige formas de madeira ou metal montadas uma a uma. Na análise da redação, cada forma precisa ser escorada, travada e desmontada depois da cura.

Na fábrica, a mesma peça sai de moldes reaproveitáveis, em ambiente controlado e sem depender de chuva ou sol forte. É esse o ganho que a Cassol aponta quando fala em eliminar “concretagens complicadas” no canteiro.

A troca tem um custo logístico. Peças grandes precisam de transporte especial e de guindaste com capacidade para levantá-las no local exato da montagem, na análise da redação.

Na primeira foto do post, o guindaste de treliça metálica aparece em plena operação, com uma peça suspensa no gancho.

O que as fotos mostram: caixas de concreto no guindaste e um muro de painéis

A primeira imagem do post mostra uma peça em forma de caixa, com paredes grossas, presa por quatro cabos ao gancho do guindaste. Ela está a poucos metros do chão de terra avermelhada.

Atrás, uma fileira longa de painéis verticais já montados forma um paredão que segue até o horizonte. No topo de cada painel, a foto mostra ferros de aço apontando para cima.

Na base do paredão, outra linha de peças, mais baixas, acompanha toda a extensão. Na leitura da redação, o desenho é de uma estrutura comprida e repetitiva, montada peça por peça.

A escala ajuda a entender a palavra “robustas” usada pela Cassol. Uma única caixa ocupa boa parte do quadro da foto, mesmo vista de longe.

A peça em U e a fila de compartimentos da piscina de ondas

A terceira foto, feita do alto, mostra uma peça em forma de U de pé ao lado de uma fileira de compartimentos de concreto. Cada compartimento é separado do vizinho por uma parede.

Compartimentos de fundo curvo montados com peças pré-fabricadas na piscina de ondas de Búzios.
Compartimentos de fundo curvo montados com peças pré-fabricadas na piscina de ondas de Búzios. Foto: Divulgação/Cassol Pré-Fabricados

Ferros de espera saem das laterais da peça, prontos para a ligação com as peças seguintes. Ao lado, a foto mostra trabalhadores de uniforme vermelho e capacete entre uma plataforma elevatória e máquinas de carga.

Mais abaixo, a mesma imagem revela o fundo curvo dos compartimentos, em concreto liso, repetido a cada módulo. É ali que a geometria “diferente do usual” citada pela Cassol aparece com mais clareza.

A quarta imagem mostra painéis com aberturas retangulares, umas sobre as outras. No topo, a foto mostra uma malha de armaduras que forma uma espécie de gaiola sobre o concreto.

A sequência de montagem que as quatro fotos deixam ver

As quatro imagens do post não trazem legenda de etapa. Ainda assim, na leitura da redação, elas permitem reconstituir a lógica de montagem de uma estrutura pré-fabricada desse tipo.

A base vem primeiro: a foto 1 mostra uma linha de peças mais baixas assentadas ao pé do paredão, ao longo de toda a extensão, já no lugar enquanto os painéis de cima estão de pé.

Em seguida sobem as paredes, e as fotos mostram painéis verticais lado a lado, formando um muro contínuo, e uma peça ainda suspensa no gancho, a caminho da sua posição.

As ligações fecham a sequência: os ferros que sobram no topo e nas laterais das peças, visíveis nas fotos 1, 3 e 4, são a ponta solta que vai amarrar cada elemento ao vizinho e à etapa seguinte, na análise da redação.

Base, paredes e ligação costuma ser a ordem de uma montagem pré-fabricada. O que muda em Búzios é o formato das peças, que a Cassol chamou de “diferente do usual”.

Juntas e estanqueidade: o ponto crítico de um tanque montado em peças

Uma piscina de ondas é, antes de tudo, um tanque que não pode vazar. Na análise da redação, numa estrutura feita de peças separadas, as juntas entre elas são o lugar onde a água tenta escapar.

Painéis pré-fabricados com ferros de espera no topo, na obra da piscina de ondas em Búzios.
Painéis pré-fabricados com ferros de espera no topo, na obra da piscina de ondas em Búzios. Foto: Divulgação/Cassol Pré-Fabricados

Na engenharia de reservatórios pré-moldados, a solução mais usada é transformar as peças num conjunto único. Pela leitura da redação, os ferros de espera de uma peça se cruzam com os da vizinha, e o espaço entre elas recebe concreto lançado no local.

Além dessa ligação, juntas de tanques costumam receber selantes, mantas ou perfis de vedação, escolhidos conforme o projeto. Na análise da redação, a impermeabilização final completa o trabalho de estanqueidade.

Numa piscina de ondas, a exigência é maior, na análise da redação. A água não fica parada: ela é empurrada e recua sem parar, o que soma esforço repetido sobre paredes e juntas.

Como um tanque de concreto prova que não vaza

Em reservatórios de concreto, a estanqueidade não é presumida: é testada. Na análise da redação, o procedimento usual é encher o tanque com água antes do acabamento e acompanhar o nível por alguns dias.

Se o nível baixa além do que a evaporação explica, há perda. A equipe então procura manchas de umidade do lado de fora das paredes e nas juntas, que é onde a água costuma aparecer primeiro.

Só depois de aprovado o teste vêm os revestimentos finais. Pela leitura da redação, a ordem evita descobrir um vazamento com o tanque já coberto e cheio, quando o reparo custa muito mais.

Cobrimento, fissuras e cura: o que protege o concreto da água

O concreto armado tem um ponto fraco conhecido: o aço por dentro. Na análise da redação, se a água chega até a armadura, o ferro enferruja, incha e racha o concreto de dentro para fora.

Por isso estruturas que guardam água pedem uma camada maior de concreto sobre os ferros, o cobrimento, e controle rigoroso de fissuras. Uma trinca fina, inofensiva num muro comum, vira caminho para a água num tanque, na leitura da redação.

É aqui que a fábrica ajuda. Peças vibradas e curadas em ambiente controlado, em moldes padronizados, tendem a sair mais compactas e regulares que o concreto lançado em forma no meio do terreno. É o argumento por trás da frase da Cassol sobre eliminar “concretagens complicadas”.

O clube de piscina de ondas anunciado para Búzios

O post da Cassol identifica a obra apenas como “piscina de ondas em Búzios/RJ”. Na mesma cidade, o Brasil Surfe Clube divulga o BSC Aretê Búzios, que apresenta como “o primeiro surfe clube do Rio de Janeiro”. A página oficial do clube detalha a tecnologia da piscina de ondas dele.

As ondas vêm do sistema Endless Surf, com sequenciamento de câmaras pneumáticas, informa o clube. Na prática, o ar empurra a água em pulsos controlados por software e forma a onda.

O clube anuncia ondas de até 2,1 metros e geração de 400 a 700 ondas por hora. No formato chamado de pico único, a onda pode durar até 25 segundos, segundo o clube.

O controle fica com um software chamado Swell Studio. Segundo o clube, ele permite ajustar tamanho, velocidade e ângulo das ondas e recriar picos clássicos do surfe mundial.

Como uma piscina de ondas por câmaras pneumáticas funciona por dentro

O clube informa que suas ondas saem de um sequenciamento de câmaras pneumáticas da tecnologia Endless Surf. O princípio geral desse tipo de gerador pode ser explicado sem segredo industrial.

Em sistemas assim, cada câmara é um compartimento aberto para a água por baixo, na borda da piscina. Na análise da redação, ao injetar ar, a pressão empurra a água para fora; ao soltar o ar, a água volta a subir dentro da câmara, como um pistão feito de ar.

Disparadas em sequência ao longo da parede, as câmaras somam os pulsos e formam uma ondulação que corre pela piscina. Mudar a ordem e o tempo dos disparos muda a onda, que é o que o clube diz fazer com o software Swell Studio.

A onda só quebra quando encontra o fundo mais raso. O desenho do piso, com rampas e patamares, decide onde e como ela se desfaz, na leitura da redação. Por isso o concreto de uma piscina de ondas é, ao mesmo tempo, recipiente e parte da máquina.

Ondas por minuto: o que a conta mostra

A faixa de 400 a 700 ondas por hora parece abstrata, mas vira um ritmo simples de imaginar. A conta é da redação.

Com 700 ondas por hora, sai uma onda a cada 5,1 segundos, em média. Com 400 por hora, o intervalo médio sobe para 9 segundos, pela mesma conta da redação.

Na leitura da redação, é um vaivém constante, do tipo que o tanque de concreto de qualquer piscina de ondas precisa aguentar por anos sem trincar nem perder água.

Uma onda de 2,1 metros, por exemplo, é mais alta que um adulto de estatura média. No sistema descrito pelo clube, ela nasce das câmaras pneumáticas, dentro de um tanque fechado.

Os níveis de surfe e o resto do clube em Búzios

A piscina foi pensada para atender do iniciante ao profissional. O clube lista oito níveis, de crianças a pro, com ondas que vão das lentas e amigáveis às tubulares, com seções para aéreos.

Cada sessão, informa o clube, é acompanhada por treinadores de surfe e salva-vidas, com supervisão ajustada ao nível de quem está na água.

Fora da piscina, o projeto inclui quadra poliesportiva, pista de skate, academia, spa, coworking, restaurante e hotel. O clube destaca que o acesso pode ser feito por carro, barco, helicóptero ou avião.

O BSC Aretê Búzios fica dentro do Aretê, que o clube descreve como bairro planejado “entre o verde do campo e o azul do mar”.

Zonas de surfe e ondas criadas sob encomenda

A página do clube divide a piscina em zonas de surfe para iniciantes, intermediários, avançados e profissionais, que, segundo o clube, garantem sessões de qualidade para todos os níveis.

No dia a dia, o Swell Studio roda uma lista de ondas pré-programadas, algumas delas recriando picos clássicos do surfe mundial, informa o clube na página do empreendimento.

Para eventos privados e competições, os operadores podem desenhar ondas personalizadas, que o clube descreve como “inéditas em piscinas de ondas artificiais”.

Onde fica o clube e o que a própria página avisa

A página do BSC Aretê Búzios traz a localização em coordenadas geográficas: 22°46’12.4″ Sul e 41°57’06” Oeste. Além da piscina de ondas, o clube lista lounge, bar, recepção, sala de massagem e uma piscina interna.

O rodapé faz um alerta: perspectivas, plantas, fotos e imagens do material são “meramente ilustrativas” e podem mudar. As áreas, segundo o texto do clube, serão entregues conforme o projeto executivo e o memorial descritivo.

É uma diferença importante para quem lê as duas fontes juntas, na leitura da redação. As fotos da Cassol mostram concreto real, içado num canteiro de verdade; as imagens do clube são material de venda do empreendimento.

O que a industrialização muda no canteiro

O caso de Búzios mostra uma tendência que a Cassol defende no post: levar para a fábrica o que antes era feito no improviso do terreno.

Com as peças prontas, o canteiro vira área de montagem. Na análise da redação, em vez de semanas de formas e escoras para cada parede curva, a equipe recebe a peça, iça, posiciona e faz a ligação.

O resultado aparece nas fotos da Cassol como uma obra organizada, com fileiras de peças iguais alinhadas ao longo da escavação.

O post da Cassol termina com um convite. “Arraste para o lado e veja mais detalhes dessa obra!”, escreveu a empresa, ao apresentar as quatro imagens da montagem em Búzios.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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